Euler de França Belém
Euler de França Belém

Poemas de T. S. Eliot voltam à Língua Portuguesa em tradução de Caetano Galindo

Depois da tradução de Ivan Junqueira, os poemas do criador tão americano quanto britânico rechegam ao país tropical abençoado pelos deuses

Como diziam os bardos Adalberto de Queiroz, Brasigóis Felício, Dairan Lima, Carlos Willian, Ademir Luiz e Valdivino de Oliveira, indivíduos do século 20, “parem as máquinas!” Mas parar por quê? Porque está chegando em português, em português brasileiro, que é o português com imaginação malemolente (é preciso endurecê-lo, um tiquinho que seja, para se ter  T. S. Eliot “falando” como Caetano Veloso e Guimarães Rosa), o livro “Poemas” (Companhia das letras, 432 páginas), de T. S. Eliot — com tradução de Caetano W. Galindo.

Enfrentar a complexa poesia de Thomas Stearns Eliot (1888-1965) não é tarefa para Aquiles e Heitor; é missão para Hércules. Pois Caetano Galindo, embora seja franzino, é uma espécie de Hércules patropi. Por isso empreendeu uma tarefa de semideus e enfrentou o poeta do Missouri que, todos sabem, era mais britânico do que americano. Sem deixar de ser americano, acredita-se.

Apesar do entusiasmo, cuja origem é a competência tradutória de Caetano Galindo, o autor desta nota não leu os poemas traduzidos (o site da Livraria Cultura informa que o livro será lançado no dia 28 de novembro, que, sim, deveria ser feriado nacional). Não leu e já gostou. A sinopse da editora é transcrita, porque, no caso, não é mera publicidade: “A obra poética de uma das vozes fundamentais do cânone ocidental em nova tradução. O conjunto de poemas reunidos neste volume bilíngue corresponde à poesia completa publicada em livro e em edições independentes lançadas em vida de um dos nomes centrais do modernismo. Entre 1917 — com ‘Prufrock e outras observações’ — e 1939 — com ‘O livro dos gatos sensatos do Velho Gambá’ —, T.S. Eliot produziu uma obra densa e profunda que, centrada na musicalidade, no ritmo e na sonoridade, revolucionou definitivamente a paisagem literária do século XX. Em 1948, o autor de ‘A terra devastada’, um dos mais célebres poemas da língua inglesa, recebeu o prêmio Nobel em reconhecimento à sua ‘contribuição excepcional e pioneira para a poesia contemporânea’. Com organização, tradução e posfácio de Caetano W. Galindo, este volume traz um Eliot ao mesmo tempo cerebral e erudito, marca de sua primeira produção, e um Eliot divertido e travesso, que já na maturidade dedicou aos seus afilhados a famosa série de poemas sobre gatos”.

A síntese é tão boa que, se não fosse o Augusto Diniz, meu amigo e colega de jornal — é implacável com plagiários —, eu a copiaria e, com a maior cara de pau, diria, sem ficar vermelho ou amarelo: “É minha e ninguém tasca”. Brincadeira, claro. Mas sério mesmo é, decerto, o trabalho de Caetano Galindo — o Grande, diria Alexandre Magno.

A edição de capa dura é à prova de manuseio. Ao adquiri-la, o leitor pode ler, reler, triler, quatriler e multipliqueler. A palavra imperdível não é imperdível, mas, no caso, a edição de T. S. Eliot é mesmo imperdível. Decerto. Consta que, lá de seu discreto túmulo — diria outra poeta: sou ninguém, e você? Ora, ninguém também —, Ivan Junqueira, tradutor notável de T. S. Eliot, teria dito: “Aprovado”. Ora, mortos não falam! Não?! Pois deviam.

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