Pesquisa Ipsos manda recado pra Lula, Flávio, Caiado e Zema: maior preocupação do brasileiro é segurança
02 maio 2026 às 21h00

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Sabe quem está quase “ganhando”! no primeiro turno no Brasil? O crime e a violência, com 47%, são o que mais preocupam os brasileiros. O dado é da pesquisa Ipsos “What Worries the World” (“O que preocupa o mundo”). A liderança é absoluta.
O que está acontecendo com os brasileiros? Na verdade, com a vigência do crime organizado, que se espalhou pelo país — e se tornou incontrolável na maioria dos Estados, notadamente em São Paulo e Rio de Janeiro, a “sensação” de insegurança aumentou. O brasileiro está com medo, e com razão, porque não sente a mão do Estado. Percebe mais a do crime organizado.

A CPI do Crime Organizado constatou que 90 organizações criminosas operam no país. PCC e CV são as faces mais visíveis, porque são os grupos mais poderosos. Os dois se tornaram máfias similares às italianas. O Primeiro Comando da Capital (ou do País) associou-se a máfia da Calábria, a ‘Ndrangheta, atua em cerca de 30 país e conta com um exército de 40 mil “soldados” e “oficiais”.
A força do PCC e do CV resulta em mais drogas no mercado e disputas entre criminosos. O resultado é mais violência e assassinatos.

Na campanha eleitoral deste ano quem não formular um discurso convincente para combater o crime organizado — e mesmo o não organizado — terá dificuldade para conquistar os votos dos eleitores. Em três anos e quatro meses de governo, o presidente Lula da Silva, do PT, não combateu, de maneira tenaz, as máfias patropis, deixando o problema, na maioria das vezes, para os governadores dos Estados, que, na maioria, não têm recursos financeiros.
Em Goiás, quando governador, Ronaldo Caiado, do PSD, enfrentou duramente o crime organizado. Tanto que o Estado é um dos mais seguros do país. Há motoristas cariocas dirigindo Uber em Goiânia. Todos comentam a respeito da segurança local e da insegurança no Rio.
Um motorista, de 63 anos, disse ao Jornal Opção: “Quando estou dirigindo por volta das 20 horas e vejo uma mulher caminhando na rua, falando ao celular e segurando um cachorro pela guia, até hoje fico assustado. Porque me lembro do Rio. Mas aos poucos estou me acostumando com a segurança, que é real, de Goiânia”.

Um sommelier do Cucina Mia, restaurante do shopping Flamboyant, disse ao Jornal Opção que se tornou entusiasta da capital goiana por causa da segurança. Se Claude Troisgros, o dono do restaurante permitir, o especialista em vinhos vai optar por morar no Cerrado.
Ronaldo Caiado deixou o governo de Goiás, em abril, e assumiu Daniel Vilela, do MDB, que manteve a política de segurança dura, sem contemplação com os criminosos.
O pré-candidato a presidente pelo PL, Flávio Bolsonaro, promete uma política de segurança sólida e tem elogiado o governo de El Salvador. Mas o país da América Central e o Brasil são muitos diferentes, a começar pelo tamanho.
El Salvador, com 21.041 km², é menor do que Sergipe, com 21.910 km². Goiás é maior do que El Salvador 16 vezes. Não dá para comparar um país tão pequeno com uma nação continental como o Brasil, com fronteiras grandes e, digamos, porosas. Por isso, talvez seja possível dizer que Flávio Bolsonaro não sabe do que está falando.

Corrupção financeira e política
De acordo com a pesquisa Ipsos, a corrupção — financeira e política — é a segunda maior preocupação dos brasileiros. Na pesquisa anterior, 28% estavam preocupados com o tema — e agora são 39%. Um grande crescimento.
Os escândalos do INSS (milhares de idosos foram lesados) e do Banco Master & Daniel Vorcaro impactaram o aumento da preocupação com corrupção. Sobretudo porque, principalmente o caso do Banco Master, envolve, além dos políticos — supostamente os mais corruptos —, magistrados, empresários, banqueiros, servidores públicos (inclusive do Banco Central e um ex-presidente do Banco de Brasília).
Lula da Silva poderá dizer que vai combater a corrupção? O presidente já está dizendo que foi seu governo que deu início à investigação dos casos INSS e Master. Porém, se o filho Lulinha for arrolado no caso do INSS, o que o petista-chefe fará? E como vai lidar com isto na campanha?

Flávio Bolsonaro enfrenta problemas com seus imóveis. Um deles comprado com empréstimo, supostamente de avô para neto, do BRB.
Dos candidatos de primeira linha, só Ronaldo Caiado e Romeu Zema não tiveram os nomes envolvidos em grandes, médias ou pequenas falcatruas. Ou seja, têm discurso para os debates.
Pobreza e desigualdade social
Pobreza e desigualdade, com 36%, são a maior preocupação dos brasileiros. O problema causa, por exemplo, “ansiedade”.
O país está crescendo e a taxa de desemprego saiu. O governo de Lula da Silva diz que está combatendo a pobreza e apresenta índices positivos (reais).
Ainda assim, a população está endividada — tanto que o governo federal decidiu patrocinar um programa para renegociar as dívidas e vai liberar dinheiro do FGTS.
A pesquisa Ipsos contatou que 62% dos brasileiros postulam que o país trilha caminho errado. A situação econômica é ruim para 64%.
O CEO da Ipsos no Brasil, Diego Pagura, disse à repórter Cristiane Barbieri, do “Estadão”: “O dado sugere um ajuste no humor da população, possivelmente associado mais à ausência de sinais concretos de melhora no curto prazo do que a um evento específico, reforçando um cenário de cautela e expectativas moderadas”.
Os brasileiros também estão preocupados com saúde (35%), Impostos (26%), educação (23%), inflação (20%) e desemprego (17%).

