Sabe quem está quase “ganhando”! no primeiro turno no Brasil? O crime e a violência, com 47%, são o que mais preocupam os brasileiros. O dado é da pesquisa Ipsos “What Worries the World” (“O que preocupa o mundo”). A liderança é absoluta.

O que está acontecendo com os brasileiros? Na verdade, com a vigência do crime organizado, que se espalhou pelo país — e se tornou incontrolável na maioria dos Estados, notadamente em São Paulo e Rio de Janeiro, a “sensação” de insegurança aumentou. O brasileiro está com medo, e com razão, porque não sente a mão do Estado. Percebe mais a do crime organizado.

Preocupações dos brasileiros

A CPI do Crime Organizado constatou que 90 organizações criminosas operam no país. PCC e CV são as faces mais visíveis, porque são os grupos mais poderosos. Os dois se tornaram máfias similares às italianas. O Primeiro Comando da Capital (ou do País) associou-se a máfia da Calábria, a ‘Ndrangheta, atua em cerca de 30 país e conta com um exército de 40 mil “soldados” e “oficiais”.

A força do PCC e do CV resulta em mais drogas no mercado e disputas entre criminosos. O resultado é mais violência e assassinatos.

Lula da Silva no verdurão e a carestia Foto Ricardo Stuckert
Lula da Silva: um presidente no verdurão e pouco investimento em segurança | Foto: Ricardo Stuckert

Na campanha eleitoral deste ano quem não formular um discurso convincente para combater o crime organizado — e mesmo o não organizado — terá dificuldade para conquistar os votos dos eleitores. Em três anos e quatro meses de governo, o presidente Lula da Silva, do PT, não combateu, de maneira tenaz, as máfias patropis, deixando o problema, na maioria das vezes, para os governadores dos Estados, que, na maioria, não têm recursos financeiros.

Em Goiás, quando governador, Ronaldo Caiado, do PSD, enfrentou duramente o crime organizado. Tanto que o Estado é um dos mais seguros do país. Há motoristas cariocas dirigindo Uber em Goiânia. Todos comentam a respeito da segurança local e da insegurança no Rio.

Um motorista, de 63 anos, disse ao Jornal Opção: “Quando estou dirigindo por volta das 20 horas e vejo uma mulher caminhando na rua, falando ao celular e segurando um cachorro pela guia, até hoje fico assustado. Porque me lembro do Rio. Mas aos poucos estou me acostumando com a segurança, que é real, de Goiânia”.

Flávio Bolsonaro foto de Andressa Anholete Agência Senado
Flávio Bolsonaro: pré-candidato a presidente pelo PL | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Um sommelier do Cucina Mia, restaurante do shopping Flamboyant, disse ao Jornal Opção que se tornou entusiasta da capital goiana por causa da segurança. Se Claude Troisgros, o dono do restaurante permitir, o especialista em vinhos vai optar por morar no Cerrado.

Ronaldo Caiado deixou o governo de Goiás, em abril, e assumiu Daniel Vilela, do MDB, que manteve a política de segurança dura, sem contemplação com os criminosos.

O pré-candidato a presidente pelo PL, Flávio Bolsonaro, promete uma política de segurança sólida e tem elogiado o governo de El Salvador. Mas o país da América Central e o Brasil são muitos diferentes, a começar pelo tamanho.

El Salvador, com 21.041 km², é menor do que Sergipe, com 21.910 km². Goiás é maior do que El Salvador 16 vezes. Não dá para comparar um país tão pequeno com uma nação continental como o Brasil, com fronteiras grandes e, digamos, porosas. Por isso, talvez seja possível dizer que Flávio Bolsonaro não sabe do que está falando.

Ronaldo Caiado: duro com o crime organizado | Foto: Raphael Bezerra

Corrupção financeira e política

De acordo com a pesquisa Ipsos, a corrupção — financeira e política — é a segunda maior preocupação dos brasileiros. Na pesquisa anterior, 28% estavam preocupados com o tema — e agora são 39%. Um grande crescimento.

Os escândalos do INSS (milhares de idosos foram lesados) e do Banco Master & Daniel Vorcaro impactaram o aumento da preocupação com corrupção. Sobretudo porque, principalmente o caso do Banco Master, envolve, além dos políticos — supostamente os mais corruptos —, magistrados, empresários, banqueiros, servidores públicos (inclusive do Banco Central e um ex-presidente do Banco de Brasília).

Lula da Silva poderá dizer que vai combater a corrupção? O presidente já está dizendo que foi seu governo que deu início à investigação dos casos INSS e Master. Porém, se o filho Lulinha for arrolado no caso do INSS, o que o petista-chefe fará? E como vai lidar com isto na campanha?

Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais | Foto: Divulgação

Flávio Bolsonaro enfrenta problemas com seus imóveis. Um deles comprado com empréstimo, supostamente de avô para neto, do BRB.

Dos candidatos de primeira linha, só Ronaldo Caiado e Romeu Zema não tiveram os nomes envolvidos em grandes, médias ou pequenas falcatruas. Ou seja, têm discurso para os debates.

Pobreza e desigualdade social

Pobreza e desigualdade, com 36%, são a maior preocupação dos brasileiros. O problema causa, por exemplo, “ansiedade”.

O país está crescendo e a taxa de desemprego saiu. O governo de Lula da Silva diz que está combatendo a pobreza e apresenta índices positivos (reais).

Ainda assim, a população está endividada — tanto que o governo federal decidiu patrocinar um programa para renegociar as dívidas e vai liberar dinheiro do FGTS.

A pesquisa Ipsos contatou que 62% dos brasileiros postulam que o país trilha caminho errado. A situação econômica é ruim para 64%.

O CEO da Ipsos no Brasil, Diego Pagura, disse à repórter Cristiane Barbieri, do “Estadão”: “O dado sugere um ajuste no humor da população, possivelmente associado mais à ausência de sinais concretos de melhora no curto prazo do que a um evento específico, reforçando um cenário de cautela e expectativas moderadas”.

Os brasileiros também estão preocupados com saúde (35%), Impostos (26%), educação (23%), inflação (20%) e desemprego (17%).