Euler de França Belém
Euler de França Belém

O historiador Mark Lilla diz que a esquerda gosta mais de resistir do que de governar

O professor de Columbia sugere que a democracia corre risco mais por causa da desconfiança dos indivíduos do que de políticos como Trump e Bolsonaro

O cientista político e historiador americano Mark Lilla está na moda — o que é positivo. Porque está procurando entender o presente e, de alguma maneira, tentando contribuir para uma intervenção mais racional e produtiva na vida social. A esquerda certamente não o aprova inteiramente, porque é um de seus críticos. A direita possivelmente o considera como um companheiro de jornada da esquerda. Ele esteve no Brasil e concedeu entrevistas excelentes aos repórteres Fábio Prikladnicki, do jornal “Zero Hora”, e Ruan de Sousa Gabriel, da revista “Época”. Pode-se concordar e discordar do pensamento do intelectual de Columbia, mas vale a pena verificar o que diz. A esquerda patropi, atordoada com a vitória de Jair Bolsonaro — que representou a “ordem” contra a suposta “desordem” do PT de Fernando Haddad —, talvez perceba, aqui e ali, um caminho para trilhar.

Mark Lilla, historiador e cientista político, é professor da Universidade Columbia

“A mídia de direita nos Estados Unidos instrumentalizou a política de identidade. Eles pegam casos particulares, que são reais, e os exageram. Isso incita e enraivece o tipo de pessoas que votam em Trump e em Bolsonaro”, frisa Mark Lilla. A ressalva é: a esquerda não manipula a política de identidade para fins eleitorais, para “ampliar” e “criar” um eleitorado supostamente “cativo”? O historiador distingue dois tipos de política de identidade. “Uma é a política e a outra é a cultural. A política de identidade política tem a ver com a obtenção e a defesa dos direitos de grupos minoritários, sejam afro-americanos, mexicanos americanos, mulheres e minorias de gênero. Essa é uma batalha legal e política. Mas isso mudou com o desenvolvimento de uma segunda onda de política de identidade, focada em mudar a cultura, com demandas individuais por reconhecimento. Quanto mais os jovens ficam absorvidos por suas identidades pessoais, especialmente em torno de gênero, menos engajados ficam com a batalha política mais ampla em que estou envolvido e preocupado em relação ao liberalismo e à esquerda nos EUA”, frisa ao “Zero Hora”.

À “Época”, Mark Lilla amplia o que disse ao “Zero Hora”: “Burgueses como eu e você [o repórter da revista] pensam que as minorias têm uma voz e demandas unificadas. Não têm. Se você é um trabalhador negro ou uma mãe solteira negra, você não está pensando em reparação racial, mas em escolas seguras para seus filhos e acesso à saúde. Quando falamos sobre direito de minorias — e devemos falar sobre isso —, não deve ser em oposição aos direitos de outras populações. Vence eleição quem é capaz de conversar com cada grupo sobre seus problemas e de lhes mostrar por que os princípios de solidariedade e igualdade vão ajudá-los. Hoje, o Partido Democrata não é capaz de propagar uma mensagem tão abrangente. Em vez de oferecer uma visão de futuro coerente para todos, Hillary Clinton [derrotada para presidente em 2016] falava de um jeito quando a plateia era negra e de outro quando era branca. Ninguém entendia o que unia esses discursos e ela soava hipócrita. Uma mensagem somente baseada em identidade não é bem-sucedida”. À “Época”, o scholar afirma que “o liberalismo do passado e o do futuro devem compartilhar dois princípios fundamentais, solidariedade e igualdade, e reinterpreta-los à luz da situação atual”. (No Brasil, no primeiro turno, Fernando Haddad tinha um discurso, sempre pregando para os “convertidos”, como se todos fossem reds, e no segundo turno, mudando até as cores do PT, mudou de rota, pregando para todos os brasileiros. Era tarde e ninguém acreditou. Soou hipócrita, e era.)

Hegemonia e subordinação política

Mesmo antes de Karl Marx, a esquerda sempre votou certo desprezo pela religião e combateu seus seguidores. A religião, afinal, “é o ópio do povo”. Grupos religiosos se organizaram e, para defender suas ideias, aderiram a grupos políticos. Tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, religiosos se tornaram combatentes das políticas identitárias. Ao repórter Ruan Gabriel, Mark Lilla enfatiza que, “nos EUA, os evangélicos não falam mais em caridade, tiraram o Sermão da Montanha da Bíblia. Os católicos estão obcecados com o aborto [no Brasil, fora da Renovação Carismática, menos]. Não podemos confiar nos religiosos para pregar solidariedade social, pois eles estão preocupados com outros assuntos. Por outro lado, nas democracias, precisamos do voto daqueles que discordam de nós. A política identitária da nova esquerda é um tipo de moralismo puritano. Eles não querem conversar com religiosos porque acham que têm o dever moral de chamar de monstros misóginos todos aqueles que se opõem ao aborto. Melhor seria conversar com os religiosos e dizer: ‘Ok, nisso discordamos, mas podemos concordar sobre outras políticas do Partido Democrata. Podemos ouvi-los com tolerância e simplesmente discordar. Ou perguntar, sem hostilidade, por que eles acreditam no que acreditam. A esquerda se preocupa muito em não ofender ninguém, menos os brancos religiosos, que são demonizados”. O professor de Columbia está mencionando a esquerda americana, notadamente a que milita no Partido Democrata — que tem como equivalente no Brasil o Partido da Social Democracia Brasileira, o PSDB. A esquerda patropi, absorvida pela noção de “hegemonia”, raramente quer dialogar. Na verdade, quer subordinar e, se não consegue, excluir a diferença. Dada a visão antidemocrática da esquerda, os religiosos radicalizaram e, paradoxalmente, também passaram a batalhar pela hegemonia.

A política de identidade, ao menos nos Estados Unidos, “distraiu os democratas, liberais e a esquerda da tarefa de desenvolver uma visão de país, seus princípios, o que compartilhamos e o que nosso futuro em comum poderia ser. Estou interessado no que não aconteceu por causa da política de identidade. E muitas coisas não aconteceram. Não houve uma conversa sobre o que significa ser um cidadão americano, o que devemos ao outro, nenhuma palavra sobre dever. Os democratas defendem muitas coisas, mas não sabem como falar sobre quais são os princípios mais amplos que determinam por que defendem essas coisas. Acho que tem a ver com solidariedade, dignidade, todo tipo de coisa, mas eles nem pensam mais nesses termos. Não são apenas pequenos erros aqui e ali. Tem a ver com um bloqueio psicológico sobre como se dirigir ao país como um todo em termos inspiradores”, assinala Mark Lilla ao “Zero Hora!.

Ao discutir a questão da política de identidade, sobretudo depois da publicação de seus livros, Mark Lilla percebeu que várias pessoas se tornaram “fanáticas” e “não podem ser alcançadas”. Quem pensa diferente, mas quer dialogar, é execrado e isolado. Trata-se do “nós” contra “eles” — a pregação de certos setores do PT. Trata-se quase de uma “guetização” da política. O intelectual americano prega outra via: “Quero ver um grupo muito diversificado de pessoas concorrendo nas eleições, mas tentando desenvolver uma mensagem em comum”.

Imigração e ressentimento popular

A imigração é vista, no ambiente de esquerda, tão-somente como uma “questão humanitária” e fecha-se o debate. Mark Lilla amplia a discussão: “A imigração é um problema sério porque muito dela é ilegal. Parece-me que as democracias têm o direito de determinar a quantas pessoas é permitido ser cidadãs. Minha posição é que a esquerda tem de ser muito forte contra a imigração ilegal para tirar esse tema da direita”. O professor afirma que hoje há inclusive “a imigração por causa da internet”. “Se um imigrante africano consegue entrar na França, sua condição de vida pode ser terrível. Mas não é isso que ele diz para as pessoas em casa.” Ao “Zero Hora”, o mestre de Columbia conta que, “quando os chamados sírios foram para a Alemanha, havia jovens solteiros paquistaneses. Não eram só famílias sírias”.

Liberais e a esquerda, na opinião de Mark Lilla, são os políticos que se interessam mais por causas humanitárias. Mas eles não podem “chegar ao poder” se forem “suaves com a imigração. Precisamos ser duros com a imigração ilegal para então estarmos na posição de ver o que podemos fazer para ajudar” determinados países. O historiador não diz, mas há a tendência de não se levar em consideração a opinião das populações dos países que recebem imigrantes. Tais populações, não ouvidas, engrossam, cada vez mais, o eleitorado da direita e da extrema direita.

As crises econômicas criavam vagas revolucionárias e mesmo oportunidades eleitorais para a esquerda. Mark Lilla anota que, agora, as crises, longe de fortalecer a esquerda, são úteis aos seus adversários. “O ressentimento contra os ricos, estranhamente, está sendo lucrativo para a direita, não para a esquerda. É a estranheza do nosso tempo”, diz ao “Zero Hora”. Por que a esquerda não capitaliza o “descontentamento mundial”? “O motivo básico é que ninguém sabe o que fazer com a economia global. Ninguém tem uma resposta para todos os problemas que surgiram da conectividade e da globalização. Ninguém tem uma resposta para o fato de que você pode movimentar capital de uma parte do mundo para outra e que isso prejudica uma cidade ou região instantaneamente enquanto ajuda outra.” Quem ganha com a confusão não é o político que apresenta ideias abrangentes, e sim o que propõe “soluções mágicas”.

“Mas, independentemente de quem está no poder, não se controla a economia mundial. O que acontece é que as pessoas desacreditam o sistema democrático como tal, não a direita ou a esquerda. A democracia está em declínio porque, não importa em quem as pessoas votem, elas continuam chacoalhadas por essas forças [as correntes da economia global, que ganharam independência ante Estados e governos]. A vítima real não é a direita ou a esquerda, mas a democracia, porque há uma grande desconfiança do próprio sistema. E isso serve à direita. Não à direita responsável, conservadora, mas à direita alternativa, a extrema direita.” A esquerda, que se considera uma intérprete mais precisa dos fenômenos econômicos e políticos, está percebendo o novo mundo de maneira menos clara do que a direita.

Quebra de confiança na democracia

A democracia, expressa Mark Lilla à “Época”, “está ameaçada pelos demagogos de direita”. Mas não é o único problema. Porque as “pessoas também estão perdendo a fé na democracia”. “Nossos sistemas políticos são incapazes de lidar com os efeitos da globalização e suas consequências: imigração, mudanças no mundo do trabalho e novas tecnologias. Os eleitores votam em governos que prometem controlar tudo isso. Os governos falham, e os eleitores votam no outro partido. E ele falha. Depois de um tempo, eles começam a imaginar que deve haver uma elite secreta que controla tudo. Aí vem o demagogo, que também não consegue resolver os problemas, mas consegue manipular a raiva da população e jogar a culpa nessa elite invisível. Minha maior preocupação é a queda de confiança na democracia”.

Ao “Zero Hora”, comentando seu livro “A Mente Imprudente”, Mark Lilla fala de intelectuais que foram seduzidos por sistemas totalitários, como Heidegger e Carl Schmitt (curiosamente, o jornal não menciona Jean-Paul Sartre e Regis Debray, no espectro de esquerda). Trata-se de “a sedução de Siracusa”. “Platão foi a Siracusa, na Sicília, porque um amigo que era” seu “aluno falou para Dionísio sobre a ideia da República ideal. Dionísio disse: ‘Que ele venha e me ensine’. E Platão foi. E não foi ouvido. Então fez uma segunda viagem e foi preso. No final, percebeu que a distância entre o filósofo e a cidade é muito grande. Mas por que ele foi? Acho que há uma certa vontade de poder, como diz Nietzsche, um perigo dentro da filosofia”. Na verdade, o poderoso convoca e o intelectual, mesmerizado, vai. “É uma tentação, é uma sedução para ir.”

Essa é uma sedução direta do líder. Mas há também a sedução de uma ideologia.” Veja-se o caso da professora da USP Marilena Chaui — não citada por Mark Lilla. A filósofa não é nenhuma biltre, sobretudo quando expõe o pensamento de Espinosa, mas, seduzida politicamente por Lula da Silva, passa a impressão de ter se tornado apenas uma “seguidora fanatizada”, uma tarefeira da religião petista.

Enfeitiçada pelo carisma de Lula da Silva, Marilena Chaui perde-se e deixa de ser útil ao próprio petismo. Porque, ao repetir a cantilena da militância, como se militante fosse (na verdade, é), não serve como fonte de iluminação corretiva de rumos. Ante Lula Marilena Chaui apequenou-se e, assim, não serve nem mesmo ao poderoso chefão do PT.
Deixou de pensar. Platão pelo menos foi preso, porque, no lugar de aderir a Dionísio, disse o que pensava. O filósofo só agrada aos homens do poder quando se subordina. Portanto, de longe ou de perto, tem de continuar dizendo o que pensa. Mesmo sem deixar o campo da esquerda, o filósofo Ruy Fausto contribui muito mais ao permanecer crítico e sensato. Excede pontualmente, mas sua crítica é iluminadora.

Mark Lilla afirma que o homem prefere a ordem à desordem e destaca que a internet, a filha mais visível da globalização capitalista, atua como elemento de desestabilização. As pessoas são “integradas” por um sistema que, a rigor, desconhecem. Assustam-se quando descobrem que seus dados estão sendo utilizados por empresas e que o Facebook, a extraordinária rede social que conecta bilhões de indivíduos, é vulnerável (e sabe disso e nada fará para corrigir o problema de modo abrangente, exceto para ludibriar governos e a Justiça). Só mesmo um néscio para acreditar que a tecnologia vai ser usada tão-somente para promover diálogo entre os indivíduos. Alguém tem de pagar a conta, direta ou indiretamente, dos dispendiosos investimentos. O filósofo britânico John Gray escreve que a tecnologia retira o controle dos Estados. Não há como conter, de maneira integral, o controle sobre dados que as empresas, como Facebook, dispõem. Tais dados, apesar das pressões dos governos e do Judiciário, vão ser usados de várias maneiras — uma delas para fins comerciais. Mas há também o uso político-eleitoral. O político que se propõe a pôr ordem no cabaré liberticida nacional e transnacional, controlado por centros incontroláveis — aqui e ali, as redes sociais e os portais de busca são pressionados e denunciados —, se torna forte e, até, ganha eleição.

Acredita-se que colocará ordem na cidade, no Estado, no país e no mundo. É provável que o americano médio, mesmo razoavelmente informado, acredite que Donald Trump está colocando ordem nos Estados Unidos e, mesmo, no mundo. Ninguém vive sem ilusões.

Foco da esquerda é resistir e não governar

“Época” observa que um dos pontos fortes da campanha de Jair Bolsonaro foi a proposta de combate duro à criminalidade e pergunta: “De que forma a esquerda pode falar sobre violência sem ser racista ou classista?” Mark Lilla sugere que “a esquerda precisa começar entendendo que as principais vítimas da criminalidade são as minorias que vivem nas periferias. Nos EUA, ativistas negros costumam repetir que nossa população carcerária é muito grande e que nosso sistema penitenciário é racista. Tudo isso é verdade. Mas o discurso de prefeitos negros é diferente. Temos muitos prefeitos negros, e eles falam sobre o combate à criminalidade com tanto vigor quanto qualquer republicano não racista. Quem sofre com a criminalidade não são os burgueses ativistas sem contato com a realidade, mas os pobres das favelas no Rio de Janeiro. Precisamos nos aproximar deles e desenvolver uma linguagem e estratégia para ajudá-los. Os liberais e a esquerda não devem usar as políticas contra o crime como meios para outros fins. Isso é perigoso, é o que fazem gente como Trump e Bolsonaro. As propostas deles de combate ao crime são pura demagogia para animar as massas, deixá-las com medo e persuadi-las de que estão resolvendo o problema para se perpetuar no poder. São uns cínicos”. Pode até ser. Mas, como Bolsonaro ainda não assumiu, portanto suas medidas não foram colocadas em prática, não se pode indicar que vai repetir Trump. Pode ser que sim, mas pode ser que não.

Luiz Felipe Pondé e Mark Lilla

O combate ao crime organizado precisa ser feito com rigor — o que, quando no poder, a esquerda brasileira não fez, possivelmente por considerar que a “raiz” da criminalidade é meramente social, o que levanta a suspeita de que os filhos de Marx e Lênin parecem acreditar que os pobres estão sempre a um passo do crime. O que é uma visão caricata e falsa dos despossuídos.

No Brasil, embora queira os votos de todos, a esquerda tende a falar em classes sociais, em geral tratando o empresariado como se estivesse a meio caminho da retomada do “escravagismo”. Há uma demonização dos que, arriscando tudo, geram empregos para os trabalhadores e renda para os governos — não só para si. Na entrevista à “Época”, Mark Lilla propõe que os progressistas deveriam discutir mais cidadania e menos classes sociais. “As classes sociais são cruciais, porque a distância entre elas é cada vez maior. Mas as classes sociais pós-globalização são outras, têm mais a ver com educação do que com a propriedade dos meios de produção. Temos uma elite instruída e outra classe, menos instruída e incapaz de participar da nova economia. Precisamos de uma visão política que vá além das classes sociais e tenha real impacto nas pessoas. A esquerda não adquiriu um novo vocabulário desde o colapso do marxismo. O foco na cidadania é mais prático, menos idealista. Quanto mais diversa a sociedade, mais sei que a única coisa que compartilho com todos de meu país é a cidadania. Baseados nisso, podemos restabelecer laços sociais.”

Pode-se postular que há um certo componente masoquista na esquerda, que seu prazer é mais a dor do que o próprio prazer? Mark Lilla, na conversa com “Época”, formula a questão de maneira mais politizada: “Muitos esquerdistas estão animados com a resistência [a Trump, a Bolsonaro], porque podem brincar de reencenar a Queda da Bastilha. Eles gostam de resistir, não de governar, porque têm uma visão teatral da política: nós resistimos, nós falhamos, nós resistimos de novo. É um ciclo vicioso. Precisamos é de estratégia para governar, para construir pontes com as pessoas”.

Afinal, Mark Lilla quer salvar a democracia ou a esquerda? A impressão que se tem é que as duas, mais a corrente mais aberta do liberalismo. Mas a questão é que a esquerda — ao menos a brasileira (a petista é mais moderada) — quer “salvar” ou subordinar a democracia à sua ideologia e ao seu projeto de poder? O sociólogo Russell Jacoby sugere, no livro “O Fim da Utopia — Política e Cultura na Era da Apatia” (Record, 104 páginas), que esquerda e liberais precisam dialogar e que a sociedade ganha com isto. O radicalismo, o excesso de conflito na exposição de divergências, não melhora a qualidade de vida, física e espiritual, dos indivíduos. Só piora.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.