Euler de França Belém
Euler de França Belém

O dia em que a TV Globo mostrou sintonia fina com a sociedade democrática

Com seu jornalismo de alta qualidade, a Globo soube traduzir, inclusive com mestria técnica, o espírito do brasileiro que trabalha e quer viver em paz

Em dois dias, no momento em que a história voou de trem-bala, qual a rede de televisão fez um jornalismo mais instigante? É a pergunta que leitores me fizeram.

Como se sabe, em 1964, em dois dias, 31 de março e 1º de abril, os militares, com o apoio de civis — como Magalhães Pinto e Carlos Lacerda —, derrubaram o governo do presidente João “Jango” Goulart e ficaram no poder por 21 anos.

Num dia, 7 de setembro, o presidente Jair Bolsonaro convocou seus apoiadores para ir às ruas. Pra que? Os seguidores acreditaram, aparentemente, que se daria um golpe de Estado, quando um político de origem militar — foi capitão do Exército — continuaria no poder, mas acima dos poderes Legislativo e Judiciário. Como em 1964.

William Bonner e Renata Vasconcellos: o Jornal Nacional em sintonia com a sociedade democrática | Foto: Reprodução

Porém, com a multidão nas ruas, à espera de alguma ordem — sabe-se lá —, mas o comandante-chefe optou por esbravejar, vergastando verbalmente as instituições, notadamente o Supremo Tribunal Federal, na figura do ministro Alexandre de Moraes, e não decidiu tentar um golpe de Estado. Provavelmente por falta de apoio das Forças Armadas, sobretudo do Exército (nunca houve um golpe no Brasil sem a participação do Exército e nunca houve um golpe decidido por integrantes da Polícia Militar).

No dia 7 de setembro, numa terça-feira — feriado da Independência —, as pessoas, nas ruas e em suas casas, assistiram a movimentação e ouviram o “matraquear” de Bolsonaro.

A GloboNews fez, durante todo o dia, uma cobertura crítica e ampla dos acontecimentos — condenando o golpismo. Mas o “Jornal Nacional”, nos dias 7 e 8, fez uma cobertura exaustiva e posicionada. Parece ter captado a voz democrática do país — ouvindo políticos e juristas e abrindo espaço para as manifestações do presidente do STF, Luiz Fux, da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM).

A cobertura do “JN”, expondo a voz candente da sociedade democrática, praticamente “esmagou” a fala de Bolsonaro e de seus aliados golpistas. Não ficou pedra sobre pedra. Desmoronou o castelo de areia do presidente e seus “talibãs”.

Pode-se dizer que o jornalismo da Globo — com o apoio de jornais como “Folha de S. Paulo”, “O Estado de S. Paulo”, “O Globo” e da revista “Veja” — contribuiu para o “emparedamento” de Bolsonaro. O rei, que se tornou plebeu de uma hora para outra, ficou nu e só. As declarações colhidas pelo “JN”, reverberadas na GloboNews, mostraram que a sociedade — a maioria absoluta não foi às ruas —, por meio de seus líderes, posicionou-se pela democracia, quer dizer, pela legalidade constitucional. Golpe? Nunca mais.

Numa emissora de televisão, há repórteres, cinegrafistas, comentaristas e editores. Os repórteres e cinegrafistas fizeram muito bem o seu trabalho, colhendo e divulgando as declarações democráticas da sociedade. Os comentaristas, notadamente na GloboNews, situaram os telespectadores sobre os bastidores das notícias. Os editores do “JN” fizeram aquilo que todos viram, mas sem notar a autoria: transformaram o noticiário numa edição perfeita. O apuro técnico da Globo permanece insuperável. Fica-se com a impressão de que, de alguma maneira, as ruas — “ocupadas” pelos que defendem a democracia — haviam sido transferidas para a tela da televisão. As ruas dos que vivem, em tempo integral, no mundo real. Sim, se está falando dos 215 milhões de brasileiros que não querem saber de golpe de nenhuma espécie.

A Globo mostrou que está em sintonia com o Brasil dos que defendem a democracia.

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