Euler de França Belém
Euler de França Belém

O cinismo de Lula ao “admitir” que errou ao proteger Cesare Battisti

O ex-presidente agora culpa Tarso Genro e não explica por que não confiou na palavra da esquerda democrática europeia

Tarso Genro e Lula da Silva: os protetores de Cesare Battisti no Brasil | Foto: Reprodução

A imprensa italiana mostrou que Cesare Battisti não era um militante comum da esquerda, era, sobretudo, um assassino. Militante do grupo Proletários Armados pelo Comunismo, ele matou quatro pessoas (uma de suas vítimas ficou paraplégica). A esquerda democrática da Itália nunca negou isto. As provas e informações eram fartas, e até a revista “CartaCapital”, próxima da esquerda petista, era contra a presença do terrorista no Brasil e defendia a sua deportação. Mesmo assim, Lula da Silva, quando presidente da República, concedeu-lhe refúgio.

Agora, numa entrevista à TV Democracia, canal no YouTube, Lula da Silva sugere que foi “enganado” por Battisti. Puro cinismo, porque, na verdade, o asilo foi concedido porque o terrorista italiano é de esquerda, um “companheiro” de jornada — ainda que o PT seja um partido democrático e avesso ao terrorismo.

Cesare Battisti, um terrorista, com Tarso Genro, então ministro de um governo democrático | Foto: Reprodução

Fica a dúvida: qual Lula da Silva, de fato, está falando a verdade: o de antes ou o de hoje? Agora, por questões eleitorais, seria conveniente mudar de opinião?

“A base da verdade na política é não prejudicar os amigos. Se cometeu um crime, o advogado vai defender. Então eu, como todo mundo que acreditou no Cesare Battisti aqui no Brasil, fiquei frustrado. Eu não teria nenhum problema de pedir desculpas à esquerda italiana por ele ter enganado muita gente no Brasil. Se nós cometemos este erro, pedimos desculpa”, afirma Lula da Silva. Há dois problemas na fala do ex-presidente da República. Primeiro, pouca gente acreditou no Cesare Battisti — nem mesmo Mino Carta, amigo do petista e suposto conselheiro, acreditou —, mas o PT forçou para que muitos acreditassem. Segundo, observe-se que o petista-chefe assinala que “não teria problema de pedir desculpas à esquerda italiana”, mas, na verdade, deveria pedir desculpas a dois povos — ao brasileiro, que foi enganado, e ao italiano, que foi desrespeitado.

Insistindo: Lula da Silva não foi enganado. Ele sabia o que estava fazendo. Preso na Itália, Battisti, sem a proteção oficial do governo brasileiro — do petismo —, confessou os quatro assassinatos e, finalmente, se desculpou com as famílias das vítimas.

Cesare Battisti com vários mosqueteiros da esquerda brasileira: todos pelo terrorista | Foto: Reprodução

Como de hábito, Lula da Silva transfere a culpa da permanência de Battisti a outra pessoa, Tarso Genro, que era ministro da Justiça. “O Tarso Genro, quando tomou a decisão, acreditava que ele fosse inocente. Ele me disse que não dava para mandar embora porque o Battisti poderia ser detonado na Itália e era inocente. Toda a esquerda brasileira, companheiros como Eduardo Suplicy, vários partidos, e muitas personalidades defendiam que ele ficasse aqui. Eu mantive ele aqui porque o meu ministro entendia que ele era inocente”, disse Lula da Silva.

O ex-presidente parece nem perceber que acreditou apenas num homem, Battisti, quando toda a esquerda democrática europeia dizia que se tratava de um terrorista-assassino. “Quando ele foi preso e confessou, houve uma frustração para mim porque ele comprometeu um governo que tinha uma relação extraordinária com toda a esquerda europeia e não poderia ter mentido para quem pelo menos estava querendo acreditar nele”, postula Lula da Silva. Se a relação era “extraordinária” — por certo, uma relação de confiança, quiçá de mão única —, por que o líder brasileiro não quis acreditar na esquerda europeia?

Lula da Silva se enganou, de propósito, mas parece que quer continuar enganando os brasileiros e, também, os italianos.

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