Euler de França Belém
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O bispo emérito Dom Pedro Casaldáliga morre aos 92 anos

A causa da morte foi embolia pulmonar. Ele tinha problemas respiratórios e sofria do mal de Parkinson

O bispo emérito dom Pedro Casaldáliga morreu no sábado, 8, aos 92 anos, de uma embolia pulmonar — em Batatais, São Paulo. Ele tinha problemas respiratórios e sofria do mal de Parkinson. Durante anos, dirigiu a Prelazia de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso. Ele era um defensor dos povos indígenas e dos camponeses pobres. Era ardoroso defender da reforma agrária.

Ultimamente, dado o agravamento do seu quadro de saúde, não conseguia mais falar, e não andava.

Dom Pedro Casaldáliga | Foto: Celso Junior/AE

Dom Pedro Casaldáliga nasceu na Catalunha e chegou ao Brasil em 1952 — há 52 anos, pouco mais de meio século. Uma das figuras mais importantes da Teologia da Libertação, chegou a ser ameaçado de morte, várias vezes, por causa de sua firme defesa de camponeses e indígenas. É um dos fundadores do Conselho Missionário Indigenista (Cimi) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Manteve forte ligação com o bispo dom Tomás Balduíno, da Cidade de Goiás.

Dom Pedro Casaldáliga figura em qualquer lista de grandes homens do Brasil. Quando muitos, inclusive na Igreja Católica, escolheram (e escolhem) ficar ao lado dos poderosos, para conquistar benesses, o bispo ficou ao lado dos que não tinham quase nada ou nada. Trabalhou, em tempo integral, para aqueles que defendia entendessem que tinham direitos e que deveriam reivindicá-los e, sobretudo, lutar por eles. Era, por assim dizer, um construtor de cidadãos, de cidadanias. E, apesar de franzino, tinha a coragem dos justos, dos que avaliam que, como estão agindo, estão certos. Ele não recuava.

Dom Pedro Casaldáliga, reinventado pelo Brasil, se tornou um dos brasileiros mais importantes de dois séculos — o 20 e o 21. Depois dele, São Félix do Araguaia poderia ter o nome ampliado: “São Félix do Araguaia de Casaldáliga”.

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