Euler de França Belém
Euler de França Belém

Mourão, se quer contestar Leonardo DiCaprio, precisa provar que o ator está errado sobre queimadas

No lugar de lançar desafios, o vice-presidente precisa apresentar dados confiáveis que expliquem melhor o que o ator está criticando

O governo de Jair Bolsonaro aprecia duelar com quem não precisa duelar. Mais uma vez, no ringue da política, sua turma desafia o ator Leonardo DeCaprio. Para perder tempo, é claro.

Na sexta-feira, 14, Leonardo DiCaprio reproduziu trecho de uma reportagem do jornal britânico “The Guardian”, que não é dado a mentir ou exagerar: “O número de queimadas na Amazônia brasileiro em julho aumentou 28% em relação ao mesmo mês do ano passado, de acordo com dados do Inpe”. Ressalte-se que os dados são do governo de Bolsonaro. Depois, acrescentou: “O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, está sob pressão internacional para conter os incêndios, mas ele duvidou publicamente da gravidade deles no passado, alegando que oponentes e comunidades indígenas foram os responsáveis”.

Hamilton Mourão, general e vice-presidente, e Leonardo DiCaprio, ator de Hollywood: guerra de versões precisa se ater aos dados | Foto: Reprodução

Pronto: passando recibo, o vice-presidente Hamilton Mourão, uma das figuras lúcidas do governo, decidiu lançar, na quarta-feira-feira, 19, um desafio ao ator: “Eu gostaria de convidar nosso mais recente crítico, o ator Leonardo DiCaprio, para ele ir comigo a São Gabriel da Cachoeira (AM) e fazermos uma marcha de oito horas pela selva. Ele vai aprender, em cada socavão (cavidade) que tiver de passar que a Amazônia não é uma planície, e aí entenderá melhor como funcionam as coisas nesta imensa região”.

Vale lembrar que, embora pançudo, Leonardo DiCaprio tem apenas 45 anos e o general Mourão tem 67 anos. É provável que os dois terminarão a jornada de oito horas carregados em macas por sofridos soldados do Exército. O tema rendeu conversas sérias e brincadeiras no “Em Pauta”, da GloboNews.

No lugar de polemizar de maneira improdutiva, o governo de Bolsonaro precisa ater-se aos dados reais. Se os dados do Inpe forem verdadeiros, e tudo indica que são, quem vai perder a discussão, em nível nacional e internacional, é o governo de Bolsonaro e, claro, o Brasil. A realidade não se amolda ao discurso, o discurso, isto sim, tem de retratá-la com o máximo de fidelidade. Hamilton Mourão, de fato, conhece a Amazônia como poucos, e por isso mesmo precisa ser o mais cuidadoso possível nas contestações aos críticos. No lugar de puramente desafiar o ator americano, o vice-presidente precisa contestá-lo com dados concretos, científicos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.