Elder Dias
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Morte de Eliakim Araújo desfaz 1º casal do telejornalismo nacional e comove redes sociais

Após a morte do marido, com quem viveu 32 anos, Leila Cordeiro compartilha o drama dos últimos dias com ele para seguidores no Facebook e seu texto viraliza

Eliakim Araújo e Leila Cordeiro: separados por um câncer “avassalador” após 32 anos de união como casal e colegas de profissão

Eliakim Araújo e Leila Cordeiro: separados por um câncer “avassalador” após 32 anos de união como casal e colegas de profissão

As redes sociais cumprem um papel de tornar mais próximos, ainda que virtualmente, os fãs das personalidades. Estas, em suas postagens, deixam para os primeiros, principalmente, seus grandes momentos, palavras de efeito e de afeto. Dificilmente dividem as dores, momentos em que geralmente os famosos – até mesmo mais do que as pessoas comuns – se retraem.
Talvez seja por isso mesmo que tenha viralizado a homenagem de adeus da jornalista Leila Cordeiro, via Facebook, a seu colega e marido Eliakim Araújo, que morreu de câncer na madrugada de domingo, 17. Em 915 palavras (um “megatextão” para os padrões da rede, onde geralmente a maioria não lê o que passa de cinco linhas), ela relatou os últimos dias com seu companheiro durante 32 anos.

Em seu relato, Leila abriu o jogo sobre como ocorreu e se desenvolveu, de modo “inesperado” e “avassalador”, o câncer no pâncreas do jornalista. “Foram os piores 45 dias da minha vida”, disse, a seus seguidores na rede. No mesmo texto, ela comentou como foi o último encontro com ele, na UTI do hospital de Fort Lauderdale, na Flórida (EUA), e como, em sua agonia, ele retirava o tubo respirador. Por fim, relatou sobre os desejos do marido em relação aos procedimentos com seu corpo – não queria ser velado nem pelos próprios familiares, para não ser visto de forma debilitada –, e como seria a cerimônia final, com suas cinzas.
Ver uma celebridade chegar a tal ponto de expor sua intimidade em uma situação tão adversa é algo ainda relativamente raro, mesmo com tanta comunicabilidade nos dias atuais. O resultado da atitude de Leila Cordeiro foram quase mil comentários e mais de 2,4 mil compartilhamentos até a sexta-feira, 22.

Eliakim foi radialista por mais de 20 anos, principalmente na Rádio Jornal do Brasil, do Rio, até ser contratado, em 1983, para apresentar o “Jornal da Globo”, onde ficou até 1989. Depois, passou pela Rede Manchete e pelo SBT, sempre com Leila, até, em 1997 se mudarem para os Estados Unidos. Ele pode ser considerado um precursor de William Bonner na TV brasileira. Foi com ele, a partir de 1986, que Leila dividiu a bancada do “Jornal da Globo”. Não só pelo fato de ter comandado a bancada do telejornal, mas por ter protagonizado, com Leila, o primeiro casal a apresentá-lo, abrindo as portas para que o mesmo ocorresse anos mais tarde com William e Fátima Bernardes.

Trechos da carta

Queridos amigos, há 45 dias abandonei minhas postagens aqui no Facebook para lutar na pior batalha de nossas vidas, contra um câncer inesperado que surgiu avassalador no pâncreas do Eliakim, com metástase para o fígado e vias biliares. Começava ali a guerra. Ele me pediu para manter a doença fora das páginas de sites e jornais, pois ele acreditava que iria sair dessa e que voltaria a aparecer saudável como antes.

Foram muitos exames, resultados desesperadores e altos e baixos na saúde dele. Ao começar a quimioterapia também vieram os efeitos colaterais, mas o importante é que ele sempre acreditou, até o último instante, que ficaria curado. (…) Foram os piores 45 dias da minha vida. Parecia que um tsunami tinha passado em cima da gente. Mas em nenhum momento nos revoltamos contra a situação. (…) Foi tudo muito rápido. Entre idas e vindas ao hospital, onde foi transferido três vezes para a UTI. Mas na última vez, ele não conseguiu voltar para casa. Neste último sábado passei o dia inteiro com ele no hospital, o que aliás era minha rotina, mas foi diferente. Senti de alguma maneira que ele estava indo embora. Tirei a aliança da mão dele que começava a ficar inchada e disse que a penduraria no meu cordão, pois mais tarde quando ele voltasse pra casa eu o pediria em casamento de novo.

Infelizmente, na madrugada de domingo aconteceu o que todos nós temíamos. Ele começou a passar mal no quarto do hospital e foi logo transferido para a UTI para respirar por aparelhos. Por incrível que pareça, ele não entrou em coma, foi sedado, mas para surpresa das enfermeiras ele tentou arrancar o tubo de respiração duas vezes. Elas desesperadas colocaram de novo o equipamento mas não conseguiram sedá-lo. Aí, surgiu a dúvida se ele queria arrancar porque estava desistindo da vida ou simplesmente porque o tal tubo o estava incomodando. Não pensamos duas vezes, Ana, nossa filha, e eu, perguntamos a ele ainda nos seus últimos momentos de lucidez se ele queria que mantivéssemos o tubo e ele respondeu com um tímido movimento afirmativo de cabeça. Perguntamos se ele queria lutar mais pra ficar mais tempo entre nós, e ele novamente afirmou com um balanço ainda mais devagar de cabeça dizendo que sim. (…) A enfermeira disse que o nosso querido estava nos ouvindo ainda. Por isso, nos demos as mãos, nossos filhos Alexandre, Frederico, Ana , Lucas e eu, e cada um se despediu dele à sua maneira. (…) E assim ele se foi. Ouvimos o silêncio do bip da máquina, o silêncio da vida de Eliakim Araujo, que terminou como começou, cercado de muito amor e carinho.

(…) Queridos amigos, está difícil viver sem ele, muito difícil. É como se eu tivesse perdido a metade do meu corpo. Mas vou recuperá-lo em homenagem ao meu amor. Fiquei muito feliz e tenho certeza de que ele também ao ver aqui e em outras redes sociais tantas homenagens, tantas palavras de amor, respeito e amizade por ele. Muito obrigada a todos por tudo. (…)
Hoje temos uma tarefa terrível. Encomendar a cremação do corpo de Eliakim (ô coisa difícil de dizer!). Não faremos velório de corpo presente. Ele detestaria isso. Me dizia que não queria que as pessoas o vissem tão debilitado. (…) Um pequeno grupo formado pelos filhos e amigos, vamos jogar suas cinzas no mar, vestidos de branco, cada um com a oração e a mensagem que queira enviar ao nosso Eliakim (…). Estou chorando muito ao escrever isso, mas ao mesmo tempo estou me consolando por ver que todo esse nosso imenso amor gerou frutos e viralizou, inundando corações e mentes, para provar que o amor pode tudo, até suportar uma separação inesperada e dolorida. Sei que continuamos juntos e assim estaremos para sempre.

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