Morre o fotógrafo Zeka Araújo, aos 74 anos

Tido como um mestre, ele ganhou o Prêmio Marc Ferrez, da Fundação Marc Chagal, e o Prêmio Nacional de Fotografia

O fotógrafo Zeka Araújo (José Reduzino de Araújo) morreu de câncer na quinta-feira, 28, aos 74 anos, no Hospital dos Servidores, no Rio de Janeiro.

Zeka Araújo trabalhou nas revistas “O Cruzeiro”, “Placar” e “Veja” e em “O Globo” e no “Jornal do Brasil”. O fotógrafo foi correspondente da Editora Abril em Londres, entre 1974 e 1977.

Em “O Globo”, integrou a equipe que fez uma reportagem especial sobre a abertura da rodovia, Transamazônica (a aventura do governo de Emílio Garrastazu Médici na qual embarcou o ministro Delfim Netto).

Zeka Araújo: repórter-fotográfico premiado | Foto: Facebook

Em 1979, fundou o Núcleo de Fotografia da Fundação Nacional de Arte (Funarte), em seguida transformado no Instituto Nacional de Fotografia.

O fotógrafo Milton Guran disse ao jornal “O Globo”: “Zeka foi o primeiro, em 90 anos de República, a propor uma ação de política pública a favor da fotografia. Ele organizou a exposição ‘Nossa gente’ quando, pela primeira vez, a nação assumiu seu rosto. Todos nós, fotógrafos e a própria nação, lhe somos devedores”. Os dois se conheciam havia 46 anos.

Zeka Araújo, relata Milton Guran, articulou a primeira exposição no Brasil do hoje internacionalmente celebrado Sebastião Salgado.

O festival FotoRio vai organizar, na segunda semana de fevereiro, evento online com o título de “Juntos com Zeka Araújo”. Além de debates, serão feitos leilões de fotografias vintage. “Queríamos fazer com ele em vida, mas vamos dar sequência para reforçar a importância do Zeka para a fotografia brasileira. Ele é um marco na nossa história, um profissional que soube captar toda a transformação que estava acontecendo nos anos 1970 e levar à frente”, frisa Milton Guran.

Paulo Marcos, sócio do Ateliê Oriente, disse ao “Globo”: “A ideia da Semana Nacional da Fotografia surgiu com o Zeka e, depois, com o Pedro Vásquez à frente do Instituto. Estes eventos, realizados em várias cidades do país, foram fundamentais para a fotografia brasileira chegar ao patamar de hoje”.

Zeka Araújo ganhou o Prêmio Marc Ferrez, da Fundação Marc Chagal, e o Prêmio Nacional de Fotografia. Ele publicou o livro “Jardim Botânico do Rio de Janeiro”, em 1987, com textos e poemas do compositor e pianista Tom Jobim. Eles eram amigos.

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