Euler de França Belém
Euler de França Belém

Morre o escritor Flávio Moreira da Costa, aos 77 anos. De pancreatite

Ele dizia sobre a virtude da boa literatura: “Densidade, ou voz própria e bem escrita. Ou a própria boa literatura, o que quer que isso seja. Alguma coisa que não se explica e nos empolga”

O escritor, tradutor e excelente organizados de coletâneas de contos Flávio Moreira da Costa faleceu, aos 77 anos, em decorrência de pancreatite. O escritor Antonio Torres, seu amigo, divulgou a notícia: “Lá se foi mais um velho e bom camarada: o escritor Flávio Moreira da Costa, aos 77”.

Flávio Moreira da Costa publicou “As Armas e os Barões”, considerado seu livro mais importante, “O Desastronauta” e “A Perseguição”. Publicou contos no livro “Os Espectadores”. Sua oficina de ficção contribuiu para formar escritores.

O escritor dizia: “Um escritor não pode ter preconceito, nem recusar temas populares”. Ele organizou antologias de contos em vários áreas: eróticos, mitologia, humor.

Luiz Ruffato escreveu no “Estadão”, em 2006: “Há autores que experimentam diversos caminhos ao longo da construção da obra, sejam formais, sejam temáticos, sejam ideológicos, de tal maneira que às vezes o jovem do começo torna-se irreconhecível ao escritor maduro. E há os que mantêm uma coerência — coerência, não intransigência — mais perceptível ou menos, o que lhes dá consistência programática (evidentemente, não há aqui qualquer juízo de valor, já que ambas as trilhas permitem resultados bons ou ruins, o que depende exclusivamente do talento do autor). Flávio Moreira da Costa está, em minha opinião, no segundo grupo: embora distantes no tempo, os contos estabelecem curiosas conexões entre si.” O crítico-escritor estava comentando a antologia “Malvadeza Durão e Outros Contos”

O “Estadão” perguntou a Flávio Moreira da Costa “sobre a maior virtude que encontrava na boa literatura”, e ele replicou: “Densidade, ou voz própria e bem escrita. Ou a própria boa literatura, o que quer que isso seja. Alguma coisa que não se explica e nos empolga”. E sobre o vício literário abominável: “Querer passar uma mensagem ao escrever ficção ou achar que só o ‘conteúdo’ importa. E o vício da literatice”.

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