Morre Duarte Pereira, um jornalista que combateu a ditadura

O militante e intelectual tinha 82 anos. Ele participou da criação da revista “Realidade” e escreveu no jornal “Movimento”, duas publicações lendárias

O jornalista Duarte Pereira morreu na quinta-feira, 12, aos 82 anos, de câncer. O militante político, combatente da ditadura, estava internado no Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo.

Duarte Pereira participou da equipe que fundou a “Realidade”, da Editora Abril. A revista não inventou, mas pode-se sugerir que reinventou a reportagem com texto literário, denso e preciso no Brasil. O jornalista brilhou na sua redação. Porque apurava e escrevia bem.

Na ditadura, Duarte Pereira escreveu no jornal alternativo “Movimento”. A publicação era crítica dos governos militares e reuniu boa parte da intelectualidade brasileira.

Formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia, Duarte Pereira era baiano de Salvador. Ele foi um dos criadores da Ação Popular (AP), em 1962. Vários dos militantes deste grupo de esquerda aderiram ao PC do B e a outras tendências guerrilheiras, na década de 1960. Em 1963, foi eleito vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Duarte Pereira era um jornalista que “formulava”; noutras palavras, era um intelectual altamente preparado.

Frei Betto, ao visitá-lo no hospital, ouviu de Duarte Pereira que ele não preso, nos 21 anos de ditadura, “graças ao silêncio dos que caíram em mãos da repressão e sabia, mas não disseram, onde eu me escondia”.

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