Euler de França Belém
Euler de França Belém

Morre Antônio Spada, jornalista e professor da UFG

O mestre Spada tinha experiência de mercado e por isso fundia à perfeição teoria e prática

Reprodução

Morreu na madrugada de segunda-feira, 2, o publicitário e professor aposentado do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Goiás Antônio Spada, de 68 anos. João Spada, primo do  professor, informa que a morte tem a ver com complicações ocorridas depois de uma cirurgia no coração. Luiz Roberto Pinto Ribeiro, irmão do mestre, informa, no Facebook: “A chegada do corpo no Parque Memorial de Goiânia deve acontecer por volta de 11h e o sepultamento será no mesmo local, às 16h”.

Antônio Spada trabalhou em jornais, como o “Diário da Manhã” e o Jornal Opção, e era um mestre da diagramação criativa e precisa.

O professor Spada, como era conhecido por seus alunos, não ensinava “diagramação” pura e simples. Dada sua experiência, tanto no mercado quanto como professor, ele nos dizia que a diagramação era técnica — por vezes, arte — e devia ser vista como parte do processo jornalístico. Uma diagramação bem-feita, e não apenas pelo visual, e sim, sobretudo com a integração com o material jornalístico, tornava as informações mais palatáveis. Era um mestre que fundia à perfeição teoria e prática. Quem quis aprendeu diagramação nas suas aulas. Todos aprenderam, na verdade, muito mais. Aprenderam a ser jornalistas e, claro, gente.

Nas conversas reservadas, Spada, com seu estilo leve de ensinar (e de ouvir cuidadosamente), atendia a todos com interesse e competência.

Repercussão

Helvécio Cardoso, jornalista do “Diário da Manhã”: “Trabalhei com ele no Jornal Opção, muitos anos atrás, quando eu iniciava a minha carreira de repórter. Pessoa simpaticíssima. Grande companheiro. Tinha a jovial mania de chamar todos os colegas de ‘tigrão’. Era ótimo redator e editor. Mas foi como diagramador que ficou célebre. Quando ‘O Popular’ entrou na era da off set, foi ele que redesenhou o jornal, tornando-o mais arejado, mas contemporâneo. Ele no ‘Popular’, e Wison Silvestre na ‘Folha de Goiaz’, foram, por assim dizer, os pioneiros da diagramação em Goiás. Nos tempos da composição a quente, as páginas eram montadas na própria gráfica, pelos chapistas. Ele era também chargista e cartunista. Desenhou a logomarca do festival Comunicasom, do Arthur Rezende. Há muitos anos não nos víamos. Lamento muito sua morte. Condolências à família”.

Vibia Camargo, jornalista: “Que triste! Foi um mestre para mim e Maristela Vitória. Nos levou para o escritório dele para terminarmos o TCC que estava atrasado por causa da greve da universidade. Nos acompanhou e orientou. Realmente, ensinou mais que diagramação, mais que jornalismo. Me ensinou que o relacionamento entre professor e aluno pode ser de respeito, cuidado e amizade. Era uma pessoa excepcional”.

João Bosco De Carvalho Freire, advogado e escritor: “Grande Spada, pessoal e profissionalmente notável. Trabalhamos na mesma empresa (Sotave S/A ) em 1973, 74, por aí. Ele comandava a área de publicidade e abraçava diversos setores — incluindo desde a produção de um simples memorando até a ‘Revista Ruralidade’ (era uma empresa de industrialização de fertilizantes e revenda de máquinas agrícolas etc.). Veja que nome, que logo, hein? Eu tinha 16 anos, mas notava a diferença de todo material criado e produzido por ele. Um mestre em sua profissão. Um amigo sempre alegre e prestativo”.

Danin Júnior, jornalista: “Que tristeza! O Spada sempre fazia compensar a ida ao Campus. Grande profissional de comunicação e professor dedicadíssimo”.

João da Rocha Ribeiro Dias, ex-dirigente da Organização Jaime Câmara e ex-senador pelo Tocantins: “Conhecia Spada há mais de 20 anos e acompanhei a sua carreira de jornalista brilhante. Deixa muitas saudades e centenas de amigos. Era uma pessoa simples, muito cultura e tinha amor por aquilo que fazia”.

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