Euler de França Belém
Euler de França Belém

Morre Alex Periscinoto, uma lenda da publicidade, de complicações da Covid

O publicitário contribuiu para formar gerações de publicitários e para profissionalizar o trabalho das agências do país

Se Washington Olivetto é, ou se considera, o príncipe da publicidade patropi, talvez se possa dizer que Alex Periscinoto é o rei. E, claro, cercado de duques, condes (Marcelo Serpa, Nizan Guanaes, Sérgio Gordilho, Abel Reis, Fernando Musa, Anselmo Ramos, Pedro Cruz, Paulo Giovanni e tantos outros). Aos 95 anos, depois de ter se tornado história, a história da publicidade no país, Periscinoto morreu no domingo, 17, aos 95 anos, em decorrência de complicações geradas pela Covid-19.

Periscinoto fundou a Almap (atual AlmapBBDO) e foi o primeiro jurado brasileiro no Cannes Lions — Festival Internacional de Criatividade, em 1972.

Alex Periscinoto: um dos mais importantes publicitários brasileiros | Foto: Reprodução

Na Sears, loja de departamentos, Periscinoto trabalhou como desenhista. “Desenhava os eletrodomésticos que apareciam nos anúncios”, informa o “Estadão”. De lá, foi para a Standard Propaganda, nos anos 1950. Em seguida foi para o Mappin. Nos Estados Unidos, a serviço da Mappin, percebeu a importância de se trabalhar em dupla na criação de uma publicidade mais bem elaborada e comunicativa. Segundo “O Estado de S. Paulo”, ele trouxe a ideia para o Brasil.

Na Almap, na qual se tornou sócio, entrou na década de 1960. Com Alcântara Machado, atendeu potências empresariais como Volkswagen, Pepsi, Danone e PanAm. Nos anos 1990, deixou a agência. Tornou-se consultor da SPGA, “especializada em concorrências publicitárias”. Aí Periscinoto era sócio de Luiz Sales, Walter Fontoura — ambos falecidos — e Sérgio Guerreiro. Foi conselheiro da ESPM.

Luiz Lara, fundador da Lew’Lara/TBWA, disse ao “Estadão” que Periscinoto era um “visionário criativo”.  “Empreendedor incrível. Uma figura humana única. Sempre curioso e humilde. Revolucionou a publicidade brasileira”, frisa.

O presidente da AlmapBBDO, Luiz Sanches, afirma que Periscinoto “ajudou a construir não apenas a história da Almap, como da propaganda brasileira. Um trabalho feito com muito talento, respeito e dedicação. Desde quando comecei a trabalhar na agência, 26 anos atrás, até hoje, minha admiração só aumentou, por tudo o que o Alex construiu em todos esses anos. Tenho muito orgulho em fazer parte dessa história que ele começou lá atrás, com tanto sucesso”.

Um dos mais premiados publicitários brasileiros, Marcello Serpa corrobora: Periscinoto era um “gentleman, adjetivo raro na propaganda brasileira. Uma pessoa extremamente educada e generosa. Não confrontava os concorrentes. Sempre tinha uma palavra bacana para falar deles. Sempre foi da pacificação. Era generoso e brilhante”.

O presidente da Associação Brasileira de Publicidade (Abap), Mario D’Andrea, sublinha que Periscinoto deve ser considerado como “um dos fundadores do mercado publicitário brasileiro, ao ajudar a profissionalizá-lo. “Ele revelou muita gente na área. Era uma pessoa querida por clientes e funcionários.”

Durante anos, Periscinoto escreveu no jornal “Folha de S. Paulo”.

Periscinoto era casado com Maria Lúcia, de 77 anos, e deixa dois filhos.

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