Euler de França Belém
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Morre a escritora portuguesa Agustina Bessa-Luís, aos 96 anos

Ela escreveu romances excepcionais, como o clássico “Sibila”, “As Fúrias”, “A Monha de Lisboa” e “Vale Abraão”

A escritora portuguesa Agustina Bessa-Luís morreu, aos 96 anos, no domingo, 2, no Porto, em Portugal. Ela havia sofrido um AVC, há alguns anos.

A avaliar pela quantidade e variedade da obra, Agustina Bessa-Luís não era uma, mas várias escritoras. Escreveu romances, contos, peças de teatro, biografias, ensaios. Com qualidade sempre alta. Um dia quis rivalizar-se com Flaubert e escreveu o excelente “Vale Abraão”. “A Sibila” é um romance que fica de pé ao lado de qualquer grande romance da história. A personagem principal é uma grande mulher, sem deixar de ser simples.

Na justificativa para lhe darem o Prêmio Camões de 2004 escreveram: “O júri tomou em consideração que a obra de Agustina Bessa-Luís traduz a criação de um universo romanesco de riqueza incomparável que é servido pelas suas excepcionais qualidades de prosadora, assim contribuindo para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua comum”.

No “Diário de Notícias”, o crítico João Céu e Silva escreveu: “O estilo de Agustina pertencia, segundo classificava o pensador Eduardo Lourenço, à corrente neorromântica, em muito influenciado pela obra de Camilo Castelo Branco. Mas a sua vida também continha inúmeros episódios que rivalizavam com as invenções daquele escritor, afinal o seu pai deixara a família de lavradores e com 12 anos de idade emigrara para o Brasil. Aí, fez fortuna, tendo regressado e iniciado uma vida profissional nas áreas do espetáculos e do jogo que também inspiraram a escritora. Por seu lado, a mãe descendia de uma espanhola de Zamora. Como os pais mudavam de residência frequentemente, Agustina encontrou a paz na infância e na adolescência nas férias que passava na região do Douro, na casa do avô, que tinha uma boa biblioteca. Grande leitora dos clássicos franceses e ingleses, rapidamente o romance a seduz, sendo que se dedica às experiências na escrita ainda muito nova. Designadamente com dois romances em que usa o pseudônimo de Maria Ordoñes, intitulados ‘Ídolo de Barro’ e ‘Deuses de Barro’.”

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