Euler de França Belém
Euler de França Belém

Militares não tomaram o poder de Bolsonaro mas seguram Mandetta no Ministério da Saúde

O general Braga Netto não tomou o poder nem governa por intermédio de Bolsonaro. Ele e outros militares são pragmáticos e querem salvar os brasileiros e os Brasil

Até jornalistas sérios estão embarcando na canoa furada de que generais, como o competente, eficiente e sério Walter Braga Netto, estão comandando o governo de Jair Bolsonaro. Na verdade, o país está quase no piloto automático, comandado, isto sim, pelos brasileiros (e pelos ministros que realmente funcionam, o da Infraestrutura, a da Agricultura, o da Economia, o da Justiça e o da Saúde). O Brasil tem uma cúpula militar, na ativa e na reserva, de alta competência, com amplo conhecimento técnico e histórico. Os generais e coronéis sabem, por exemplo, que, quando finda uma ditadura, os civis que a apoiavam caem fora e deixam a bomba histórica, a responsabilidade pelo poder discricionário aos militares. Portanto, não querem saber de golpe, de ditadura, ou de governo títere.

Walter Souza Braga Netto, ministro da Casa Civil, e o presidente Jair Bolsonaro: o general é operacional, mas não governa | Foto: Reprodução

Portanto, os generais, além de outros militares de menor patente, estão no governo, mas não tomaram o poder. Para combater Bolsonaro, para piorá-lo aos olhos do público, alguns “jornalistas” (uns poucos são respeitados) decidiram espalhar a fake news de que os generais tomaram o poder. Na verdade, os militares, altamente disciplinados, estão procurando, isto sim, dar um norte ao governo, não deixar que o errático presidente se perca ainda mais. Querem circunscrever o destrambelhamento de Bolsonaro às palavras, à retórica, mas não à prática. Eles são pragmáticos, como qualquer estadista deve ser.

Veja-se um exemplo do realismo dos militares. Bolsonaro queria demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, de cara. Mas os militares aconselharam que não, que o momento é de salvar vidas. A disciplina dos militares falou mais forte: não se mexe em time que, a duras penas, está ganhando. A bravata-ameaça de Bolsonaro, de que vai demitir ministros-estrelas — recado para Mandetta e, também, para Sergio Moro —, é só isto mesmo.

Porque o presidente está ouvindo os militares e, por isso, não demitiu ninguém. A hora é de conciliação e disciplina, de não mexer no que está funcionando. A influência dos militares é esta. Mas dizer que tomaram o poder é mais uma “loucura” — articulada ou até desarticulada — de quem, como Bolsonaro, pensa mais em política, em desidratar adversários, do que em lutar pela vida de todos. Os militares estão no jogo para defender vidas — e sabem como fazer isto. Por isso, defendem o isolamento horizontal.

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