Euler de França Belém
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Marcelo Odebrecht começou a trabalhar como engenheiro em Caldas Novas

Livro da jornalista Malu Gaspar revela que o engenheiro trabalhou na construção da Hidrelétrica de Corumbá e morou dois anos em Goiás

“A Organização — A Odebrecht e o Esquema de Corrupção Que Chocou o Mundo” (Companhia das Letras, 639 páginas), da jornalista Malu Gaspar, revela que Marcelo Odebrecht começou a trabalhar na empresa, não como “príncipe dos empreiteiros”, e sim como um funcionário relativamente comum, em Caldas Novas, Goiás.

No início de 1993, Marcelo Odebrecht decidiu que, para se tornar um executivo, precisava antes mostrar serviço. Por isso, no lugar de começar numa diretoria, como herdeiro, decidiu pegar no “pesado”. Por isso, foi para Caldas Novas, onde a empresa estava construindo a Hidrelétrica de Corumbá. “Foi o próprio Marcelo quem decidiu por onde começaria a trabalhar na empresa. Além do tamanho e da importância de Corumbá, pesou na escolha também o fato de que, para os engenheiros, as hidrelétricas são consideradas obras completas, em que há diferentes especialidades e tipos de construção”, relata Malu Gaspar.

Ao se apresentar ao gerente comercial Antônio Carlos Daiha Blando, avisou que deveria ser chamado de Marcelo Bahia. “Eu quero ser igual a qualquer outro. Não quero ser protegido.”

Perguntado por Antônio Carlos o que queria fazer, Marcelo Odebrecht contrapôs: “Você não pode me perguntar isso. O líder não pergunta o que ele quer fazer”. O herdeiro informou que queria trabalhar na produção, “o nome que se dava ao setor que se envolvia diretamente na obra, coordenando a construção”.

Três gerações: Norberto, o patriarca, Emílio e Marcelo Odebrecht | Foto: Reprodução

“Não quero que inventem vaga para mim. Vou para onde estiver precisando”, disse Marcelo Odebrecht. Com revezamento de operários, a obra da usina de Corumbá funcionava 24 horas por dia. Um engenheiro cuidava do turno da manhã, mas o turno da noite, que começava às 18 horas e terminava às 6 horas, precisava de um engenheiro. Antônio Carlos sugeriu um remanejamento. Mas o jovem filho de Emílio Odebrecht e neto de Norberto Odebrecht — a ligação mais forte era com o avô — optou pelo horário mais difícil: “De jeito nenhum. Eu trabalho à noite sem problemas”.

Semanas depois, Marcelo Odebrecht volta a Antônio Carlos e diz: “Eu posso mais do que isso. É pouco para mim”. Ele começou a trabalhar também na área comercial. Quase não dormia. Aos 24 anos, a disposição do engenheiro era “férrea” e sua disciplina, “incomum”.

Marcelo Odebrecht, que ficaria seis meses em Goiás, acabou ficando dois anos.

Mais tarde, Marcelo Odebrecht assumiu o comando da Odebrecht, sempre em guerra com o pai. Aquele engenheiro relativamente simples de Caldas Novas se tornou um príncipe arrogante, que trabalhava para transformar Emílio Odebrecht numa espécie de Rei Lear dos trópicos.

Ao lado de Emílio Odebrecht, amigo do ex-presidente Lula da Silva, Marcelo Odebrecht, aliado com outros empreiteiros, corrompeu a República brasileira. Não só. Corrompeu políticos de países como Peru, Venezuela, Equador e Angola.

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