Euler de França Belém
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Maradona critica seleção da Argentina e diz que não aprecia filme de terror

Os argentinos perderam para os venezuelanos, num jogo vexatório, e o Pibe de Ouro ataca presidente da Federação de Futebol de seu país

Diego Maradona “falava” melhor com os pés do que “fala” com a boca. Em campo, era um craque, cujo futebol mesmerizava até as torcidas dos times adversários. Fazia gols até com as mãos (ou uma mão). Um jogador que, em termos de talento, se aproximava de Pelé — o único rei que talvez jamais seja destronado. O futebol é, afinal, uma monarquia de um só rei: o brasileiro que brilhou no Santos e na seleção. Mas Maradona era mesmo um craque, até craquíssimo — como Messi, o craque do Barcelona e jogador mediano da seleção da Argentina.

Se Maradona fala muito, às vezes de maneira incoerente, não raro diz verdades que se precisa ouvir (aquela verdade que o bobo da corte disse ao Rei Lear: não ceda todos os bens às filhas porque, sem poder, será esquecido). Na quinta-feira, 21, a seleção argentina perdeu para a Venezuela. Em campo, os argentinos pareciam jogadores venezuelanos e os venezuelanos pareciam jogadores argentinos. Inquirido sobre se assistira o jogo, o Pibe de Ouro não vacilou: “Não assisto a filmes de terror. Os despreparados que comandam a seleção acreditavam que ganhariam? A Venezuela é uma equipe que está formada e aqui os dirigentes mentem permanentemente a nós. Assim, a Argentina não vai ganhar uma partida”. Na verdade, a Venezuela não é tão boa assim — é até meio “madura”. A Argentina é que está ruim, sem conjunto.

O presidente da Federação Argentina de Futebol, Cláudio Tapia, também foi criticado: “Eu sou muito argentino e me sinto parte de outro patamar de treinadores e jogadores. Não quero que pensem diferente, mas o que pensam Ruggeri, Batista, Giusti, Caniggia é ‘esta equipe não merece a camiseta’. Os que nomeei aqui a levam tatuada. Demos a vida para que apareça um… não sei o que é Tapia [presidente da AFA), não sei se é professor de matemática, ou o que seja. Não tem ideia alguma do que faz.”

Maradona, no caso, estaria exagerando? Não, pelo contrário. Está sendo o porta-voz da verdade. A seleção da Argentina está se tornando um timinho, o que não é bom para ninguém — muito menos para os amantes do belo futebol do país.

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