Euler de França Belém
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Luiz Maklouf Carvalho lança livro sobre a vida de Bolsonaro no quartel

Fala-se muito sobre a atuação do capitão no Exército. Mas agora sai o primeiro livro que realmente explica a ação do militar que se tornou presidente

Machado de Assis, Guimarães Rosa, James Joyce e Marcel Proust nasceram para o quê mesmo? Para uma missão: escrever, escrever, escrever. Pois o jornalista Luiz Maklouf Carvalho nasceu para ser repórter. Mas não um repórter comum. Ele escarafuncha a vida, como pesquisador de águas rasas e profundas, e sempre nos traz pérolas e diamantes. Escreveu uma biografia do balacobaco de David Nasser — “Cobras Criadas”. Um resgate extraordinário de uma época e de um repórter notável — dado, sim, a certas invenções. Relatou a história de guerrilheiras em “Mulheres Que Foram à Luta Armada”. “O Coronel Rompe o Silêncio — Lício Augusto Ribeiro, Que Matou e Levou Tiros na Caçada aos Guerrilheiros do Araguaia, Conta Sua História” é uma história imprescindível a respeito da batalha ocorrida, entre 1972 e 1974, no Sul do Pará e Norte de Goiás (hoje Tocantins). O coronel que foi ferido em combate, por uma mulher, abre o jogo e conta tudo, ou quase.  “Já Vi Esse Filme” é uma radiografia do PT e de Lula da Silva — premonitória, diga-se. Mais recentemente, lançou “1988 — Segredos da Constituinte: Os Vinte Meses Que Agitaram e Mudaram o Brasil”. Trata-se de uma história da elaboração da Constituição Cidadã, a formulada por, entre outros, Ulysses Guimarães.

Luiz Maklouf Carvalho

Não contente de ter produzido dezenas de reportagens e livros, Luiz Maklouf Carvalho lança agora “O Cadete e o Capitão — A Vida de Jair Bolsonaro no Quartel” (Todavia, 256 páginas). Aliás, o repórter e escritor produz tanto e com tanta qualidade que a gente pensa que, no fundo, há três jornalistas em campo: o Luiz, o Maklouf e o Carvalho. Aos 66 anos, o autor, quando está reportando ou escrevendo livros, parece um menino, tal a energia. No momento, ele é repórter — especialíssimo — do “Estadão”. Dele, não se deve dizer “um” repórter, e sim “o” repórter (tal como sobre Lúcio Flávio Pinto, que, com Parkinson, está com dificuldade de escrever).

Sinopse da editora: “Uma investigação sobre um momento controverso na trajetória de Jair Bolsonaro: o abandono da carreira militar e o ingresso na vida política. Jair Bolsonaro tornou-se uma figura pública em 1986, quando assinou na revista ‘Veja’ um artigo em que reclamava do baixo soldo pago aos militares. Um ano depois, nas páginas da mesma revista, reapareceu numa reportagem que revelava um plano de estourar bombas em locais estratégicos do Rio de Janeiro. A revista publicou um desenho que detalhava o plano. O croqui, supostamente de autoria do capitão, comprovaria a conspiração em curso no Exército. Instado a prestar contas, Bolsonaro foi considerado culpado no primeiro julgamento, e mais tarde inocentado pelo Superior Tribunal Militar (STM). Após a decisão da corte, deixou a farda, passou à reserva e ingressou na política. Esta é a reportagem mais completa já escrita sobre esse período pouco conhecido. O autor examinou a documentação do processo (reproduzida no livro) e escutou as mais de cinco horas de áudio da sessão secreta ― ambos disponíveis no STM. Também entrevistou personagens que atuaram no caso, entre jornalistas de ‘Veja’ e militares colegas de Bolsonaro. Além de reunir indícios suficientes para apontar que a autoria do croqui, como sustentou ‘Veja’ até o fim, era mesmo do capitão, Maklouf reconstitui um episódio decisivo não apenas para a trajetória do presidente eleito em 2018, mas também para a redemocratização e o jornalismo no Brasil.”

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