Livro resgata história de banda de 5 músicos cegos e de um pracinha da 2ª Guerra Mundial

O jornalista Tiago Abreu lança obra que conta a história da cidade de Paratinga, no sertão da Bahia

Jornalistas (como os historiadores da Escola dos Annales) às vezes são experts em resgatar micros histórias ou histórias do cotidiano de indivíduos, povos e cidades. Trata-se do caso do repórter Tiago Abreu, formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

Tiago Abreu decidiu contar a história — ou melhor, histórias — de Paratinga, cidade do sertão da Bahia, que também ter suas veredas, quiçá pequenas e grandes.

O repórter andou pela cidade de 32 mil habitantes, observou muito e entrevistou várias pessoas. O resultado é o livro “Histórias de Paratinga” (Cânone Editorial), que será lançado no sábado, 14, às 9h30, na Livraria Palavrear (Rua 232, nº 338, Setor Leste Universitário), em Goiânia.

Tiago Abreu é jornalista e escritor | Foto: Arquivo pessoal

Os registros sobre Paratinga são escassos. Mas, no lugar de ficar reclamando, Tiago Abreu se pôs a trabalhar, consultando documentos, cavoucando a memórias dos moradores da cidade.

Nas pesquisas, descobriu a história do pracinha Gabriel José Pereira, que lutou na Itália, em meados da década de 1940, como integrante da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Ele morreu, idoso, em 2014 (vale lembrar que 111 goianienses lutaram contra o nazismo na Europa).Há décadas coveiro do município, tendo enterrado pobres, remediados e ricos — a morte iguala todos, que passam a ser “proprietários” de sete palmos de terra —, Nelson Alves da Soledade ganha um perfil. Soledade, por sinal, é um belo sobrenome, e não só para um coveiro.

Vislumbre de Paratinga, cidade no sertão da Bahia | Foto: Tiago de Abreu

Conta-se a história do médico, escritor, dramaturgo e crítico Carlos Fernando de Magalhães — um intelectual notável que ainda não recebeu o devido reconhecimento. Sua história é maior, muito maior, do que a história de que foi assassinado — como se a morte, e não o legado, definisse uma pessoa. Tiago Abreu recupera sua história de ser criativo.

A banda Desejo sem Limites, composta de cinco jovens cegos, é resgatada por Tiago Abreu. Os músicos lançaram dois álbuns em plataformas digitais e, ao vivo, gravaram um DVD.

Noite em Paratinga | Foto: Tiago de Abreu

A Orquestra Filarmônica de Paratinga existe desde 1902 — exatos 117 anos.

A Igreja Matriz é uma das “celebridades” de Paratinga. Pegou fogo em 2015 e está sendo restaurada. O templo foi erguido em 1718, em pleno século 18 — há 301 anos.

Tiago Abreu reporta também a história do jornal “O Ibopatinga”, que circulou, de maneira iluminista, nas décadas de 1950 e 1960.

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