Euler de França Belém
Euler de França Belém

Jornalistas do Jornal do Brasil podem entrar em greve para receber salários

O vice-presidente editorial diz que “sequestros” trabalhistas esvaziam o caixa da empresa de Omar Peres

Omar “Catito” Peres: dono do “JB” não está conseguindo pagar a redação

O “Jornal do Brasil” renasceu das cinzas para voltar ao pó? É o que parece. Há um ano, com fanfarra e batucada, o “JB”, cuja melhor fase é irmã da palavra pretérito, voltou às bancas de revista e jornais (cada vez mais, de sapatos, bolas, bolsas, balas — espécie de camelódromo que vende quase tudo, inclusive revistas e jornais). Ou melhor, às bancas do Rio de Janeiro. Mas o “JB”, de bela história, não é mais o mesmo — exceto em termos de salários atrasados, sua novela dominante há anos. Sob a batuta de Omar “Catito” Peres, presidente, de Gilberto Menezes Côrtes, vice-presidente editorial, e Toninho Nascimento, diretor de redação, o jornal está atrasando salários — dezembro e janeiro. Os jornalistas estão em estado de greve. Há um rodízio na redação: o repórter trabalha num dia e folga no outro — quiçá para fazer algum bico remunerado.

Omar Peres, que entende de investimentos e restaurantes, sugere que os problemas decorrem da gestão anterior do “JB”. Advogados trabalhistas conseguiram “sequestrar” 200 mil reais do caixa da empresa. E 650 mil reais foram bloqueados pela Justiça.

Numa entrevista ao Portal dos Jornalistas, Gilberto Côrtes disse que “o ‘Jornal do Brasil’ nunca conseguiu vender o que precisava vender. A venda de jornal em banca é uma tragédia em todo o Brasil. Em nosso caso, tivemos abortados nossos planos de investimento com essas ações da administração anterior. E dos R$ 650 mil que tivemos bloqueados, a grande mordida é dos advogados trabalhistas. Desse total, R$ 250 mil nem são do ‘Jornal do Brasil’. Digo que o ‘JB’ não tem problema de pagar, tem problema de receber”. Por certo, é o mesmo problema da redação — que só quer receber.

“Estamos pagando uma parte esta semana. Menores salários, até R$ 3,5 mil, já foram pagos: dezembro, janeiro e 13º. Os atrasados de dezembro e janeiro estão programados”, diz Gilberto Côrtes.

A tendência é que o “JB” fique, mais uma vez, apenas na internet? Para cortar custos, é a tendência. Mas Omar Peres, antes visto como “salvador da pátria” do jornal, nada comenta a respeito. Seus outros negócios, como o restaurante Piantella, em Brasília, e a pizzaria La Fiorentina, no Rio de Janeiro, supostamente vão bem.

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