Euler de França Belém
Euler de França Belém

Jornalista Jailton Batista lança seu terceiro romance

“O Filho da Madre” conta a história de Joselino Falcão de Amorim, filho de uma baiana com um alemão que foi professor de Matemática e amigo do presidente Castello Branco

A literatura é “expert” é preencher as lacunas da história, da realidade. Por vezes, nas mãos de escritores imaginativos, a história de um indivíduo se torna mais plausível ou compreensível depois de contada como literatura (hoje uma grande fonte dos historiadores). Quando os documentos escasseiam (ou fraquejam), a voz do escritor, traduzível como imaginação, pode iluminar os fatos. Chico Buarque descobriu que tinha um irmão alemão e, no lugar de um livro de história, escreveu um romance, relatando sua vida, que, de alguma maneira, ficou mais vívida. Historiadores, da estirpe de Jacques le Goff e Georges Duby, sabem que, ao tratar de determinados fatos e indivíduos, a imaginação criadora — que não é o mesmo que falseadora — é crucial para fixá-los de maneira compreensível para os leitores. O jornalista e escritor Jailton Batista — ex-repórter do “Jornal do Brasil” e da revista “Veja” — publica seu terceiro romance a partir de um homem real, Joselino Falcão de Amorim. “O Filho da Madre” será lançado na Bahia, onde o autor nasceu — tornou-se “bagoiano” —, na quinta-feira. (Seus dois romances anteriores são muito escritos, com grandes histórias.)

Não li o livro, por isso transcrevo a nota enviada pela editora. O romance será lançado em Goiânia, no início de março.

Nota da editora

“‘O Filho da Madre’ é um livro inteiramente baseado na vida de um personagem às vésperas de completar 100 anos de idade: o professor de Matemática e político baiano Joselito Falcão de Amorim, cujo enredo de vida se confunde com uma obra de ficção, tão fascinantes quanto inacreditáveis foram os episódios que se desdobraram em quase um século de existência. Fruto de uma única noite de amor de uma jovem descendente de uma sólida aristocracia com um alemão importador de tabaco, com poucos dias de nascido ele foi entregue a uma pobre lavadeira para que a ele desse um sumiço – ou um destino. A vida, contudo, foi lhe bafejando com lances inacreditáveis de sorte, e ele se tornou um reconhecido professor de Matemática e um político vitorioso, amigo do general Castello Branco, alcançando o cargo de prefeito da segunda maior cidade da Bahia, Feira de Santana, além de presidente do Tribunal de Contas do Estado, diretor de importante empresa estatal e um militar de carreira vertiginosa.

“A sua mãe, a jovem Deolinda Falcão, aos vinte anos de idade, depois de dar à luz, foi mandada ao desterro de um convento, morrendo poucos anos depois supostamente de depressão, por não suportar a clausura.

“O pai de Joselito foi o senhor… Bem, aí é onde o autor introduz a ficção, que se estende ao universo de Bertolina, a velha engomadeira. Na impossibilidade de levantar precisamente em Salvador, Feira de Santana e Hamburgo, na Alemanha, a verdadeira identidade do alemão que em 1918 foi recepcionado no palacete do senhor Manoel Ribeiro Falcão e com sua filha se deitou uma noite, acabei arranjando um pai fictício para ele. Na lista de passageiros alemães que desembarcaram no porto de Salvador naquele ano não era possível deduzir qual deles viera fazer negócios com o exportador de tabaco, pois os nomes de suas companhias não eram registrados. Além disso, os documentos oficiais da velha firma Ribeiro Sr. Falcão desapareceram. Poderia ter investigado mais sobre os negócios do senhor Falcão em Bremen e Hamburgo, para onde exportava frequentemente seu fumo, mas como não sou historiador e tinha pressa, restringi meu interesse em torno da madre Deolinda Falcão e seu fruto proibido.

“A negra lavadeira que recebeu a incumbência de dar-lhe um fim, também não tem sua identidade verdadeira, pois seu nome foi esquecido pelos pais que o adotaram e pelo próprio Joselito Amorim. Contudo, seu endereço e sua pobre vida existiram no bairro Tanque do Urubu, na periferia de Feira de Santana, Bahia.

“Fora isso e a licença que o escritor tem para construir sua obra, tudo o mais foi baseado em fatos reais, levantamentos históricos, longas entrevistas com o professor Amorim, viagens exploratórias a Hamburgo e Frankfurt e depoimentos de muitas pessoas vinculadas por laços de família ou afinidade aos personagens do romance. Naturalmente, a narrativa está eivada pela fantasia do autor, especialmente na construção dos cenários. Exceto o sr. Kurt Wilhelm Rudolf, Elga, sua esposa, seu amigo Heinz Schreder, Bertolina, a negra Berta, e a madre Maria Gorete, os nomes da…”.

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