Euler de França Belém
Euler de França Belém

Jornalista da televisão ameaça matar ex-noiva e, denunciado, pede afastamento

Denian Couto disse: “Vou te matar se você não calar a sua boca”. Depois, acrescentou: “Filha da puta, vadia, retardada” e “burra do caralho”

“Vou te matar se você não calar a sua boa.” São palavras do jornalista Denian Couto dirigidas à sua ex-noiva Giuli Kuiava, também jornalista. Foram proferidas porque estava sendo cobrado por uma suposta traição amorosa e resultaram num processo judicial. A conversa entre os dois profissionais foi gravada e divulgada na internet. Ele repete que vai matá-la e ela afirma que o havia amado. Ele acrescenta, com voz irritada: “Filha da puta, vadia, retardada” e “burra do caralho”.

Denian Couto: jornalista afastado da TV Paraná e da Jovem Pan Curitiba | Foto: Reprodução

Giuli Kuiava registrou uma ocorrência em janeiro deste ano, mas, mesmo assim, Denian Couto continuou trabalhando normalmente na Record TV Paraná e na Jovem Pan de Curitiba, emissoras controladas pela Rede Independência de Comunicação. A jornalista também integra os quadros da empresa. Quase três meses depois do boletim de ocorrência, a RIC não havia tomado nenhuma providência.

Grupo RIP só reagiu depois de reportagem

Entretanto, como a jornalista Amanda Audi, do site The Intercept Brasil, publicou uma reportagem contando a história e a repercussão foi imediata — inclusive reverberando no Portal Imprensa, por meio de texto de Anderson Scardoelli —, Denian Couto pediu afastamento. A RIC decidiu, por fim, se manifestar: “Com mais de 30 anos de tradição e credibilidade, o Grupo RIC se pauta por sólidos princípios éticos, na busca de um país mais justo, em que nenhum cidadão seja agredido em função de raça, credo ou gênero”. Scardoelli observa que, embora tenha citado Denian Couto — que teoricamente pediu afastamento, portanto não foi afastado —, o grupo não menciona Giuli Kuiava em sua nota oficial. Não faz sua defesa em nenhum momento.

Giuli Kuiava diz que sua denúncia pode servir de exemplo para outras mulheres | Foto: Facebook

O Grupo RIC sugeriu que, conforme os desdobramentos na Justiça, novas providências devem ser tomadas. Não disse quais providências, mas talvez tenha a ver com uma possível demissão de Denian Couto.

A reportagem do Intercept registra que duas ex-namoradas de Denian Couto também o denunciaram. O jornalista teria empurrado uma delas — que se machucou. A segunda teria recebido ameaças e sido agredida verbalmente.

Denian Couto diz que material é “manipulado”

Partindo da tese de que a melhor defesa é o ataque, Denian Couto disse que a reportagem é uma “fraude travestida de jornalismo escrita pelo panfleto de esquerda The Intercept Brasil”. Ele sustenta que o material divulgado pelo site é “falso e manipulado”. Mas não negou que a voz divulgada no áudio é sua. O advogado do jornalista, Adriano Bretas, segue o tom de seu cliente: “A matéria é mentirosa. Não é assim que a Justiça tem visto esse caso, tanto é assim que foi concedida uma liminar. Infelizmente, como corre em segredo de justiça, não posso dar detalhes. O que a imprensa viu é só um recorte. A verdadeira vítima é outra pessoa”. Qual? Não disse, mas possivelmente está falando de Denian Couto.

Adriano Bretas insiste que “o áudio”, apesar das palavras candentes — “Vou te matar se você não calar a boca” —, “é uma armação recortada do contexto”.

Giuli Kuiava, jornalista: “Descobri mentiras doentias”  | Foto: Facebook

Repórter garante que relacionamento era abusivo

No Facebook, Giuli Kuiava escreveu: “Vivi um relacionamento abusivo. Descobri mentiras doentias, fui xingada dos nomes mais baixos que vocês possam imaginar. Palavras que nenhuma mulher no mundo, sob hipótese alguma, deveria ter que ouvir. Fui ameaçada. Sim, ele disse — com todas as letras — ‘eu vou te matar’”. Ao ser ameaçada, com palavras duras, a jornalista recordou-se de mulheres que começaram sendo ameaçadas e, em seguida, foram assassinadas. Por isso recorreu à polícia e à Justiça.

Giuli Kuiava sublinha que, depois de ter criado coragem para escancarar as ameaças, sentiu-se mais forte e avalia que pode contribuir com outras mulheres, que, mesmo agredidas física e verbalmente, têm receio de denunciar os parceiros. “Ainda tento entender o porquê (se é que existe um) estou passando por tudo isso.”

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Amanda Fernandes

Mais mulheres precisam ter a coragem da Giuli. Esse tipo de comportamento em homem precisa ser totalmente extinto do nosso país. Está caindo a máscara dos “homens de bem”, defensores do bolsonarismo.