Euler de França Belém
Euler de França Belém

Jornal Opção faz 43 anos conectado com seu tempo e forte presença na internet

Editores e repórteres apostam num jornal de análise posicionado em relação aos fatos de Goiás, do Brasil e do mundo

O Jornal Opção nasceu em 1975 e completou 43 anos na sexta-feira, 20. No governo de Ernesto Geisel, uma ditadura que propunha uma distensão política, o jornalista Herbert de Moraes Ribeiro, depois de ler com atenção o jornal “Opinião”, decidiu criar um meio de comunicação que, no lugar de apenas reportar fatos, analisasse-os em profundidade.

O Jornal Opção nasceu como semanário, chegou a ser diário, voltou a ser semanário e atualmente, com a vigência da internet, é diário. Há quase meio século, quando opinar e dissecar fatos era perigoso — afinal, viver é perigoso, notou o escritor Guimarães Rosa —, os repórteres e editores do jornal opinavam e debatiam o país e o mundo sem receio algum. Usava-se a inteligência e a habilidade narrativa para contar o que não se costumava relatar. Uma das éticas do jornal é: nunca ter “medo” de dizer o que deve ser dito.

Ao longo de 43 anos, o Jornal Opção consagrou-se por examinar a realidade e apresentar sua interpretação sem tergiversar. Seus repórteres e editores nunca tiveram a preocupação de “fazer cabeças”. Seus textos têm o objetivo mais de informar com qualidade e contribuir para a formação de uma opinião qualificada. A ideia é colaborar para que o leitor pense pela própria cabeça a partir de informações objetivas e devidamente escrutinadas. Os que escrevem nas suas páginas não querem que o leitor repita suas ideias e, sim, que, a partir delas, construa sua própria opinião a respeito de sua cidade, de seu país e do mundo. Despertar no leitor o interesse pela reflexão atenta e desabusada e sugerir que não repita as velhas e carcomidas verdades absolutas são o que efetivamente interessa aos formuladores do jornal.

Hoje, com a internet, o Jornal Opção está em Goiás, está no Brasil e está no mundo (o número de acessos no exterior é crescente). O que aumenta sua responsabilidade tanto com a qualidade de suas informações quanto com a qualidade de suas análises. Não deixa de ser interessante que o jornal combine a exposição factual com a análise percuciente de maneira ampla.

Herbert de Moraes Ribeiro apreciava a música “Metamorfose ambulante”, de Raul Seixas, e costumava citar um dos trechos, que transcrevemos: “Prefiro ser/Essa metamorfose ambulante//Do que ter aquela velha opinião/Formada sobre tudo//Eu quero dizer/Agora o oposto do que eu disse antes/Eu prefiro ser/Essa metamorfose ambulante”. Eventualmente, mencionava a frase do poeta americano Walt Whitman: “Me contradigo?/Tudo bem, então… me contradigo;/Sou vasto… contenho multidões” (“Folhas de Relva”, tradução de Rodrigo Garcia Lopes).

Patrícia Moraes Machado e Herbert de Moraes: a atual editora responsável e o fundador-editor do Jornal Opção

O Jornal Opção é isto: mutante. Quando tentam capturá-lo com rótulos ou ideias preconcebidas, o jornal já está, digamos assim, noutro diapasão. Ou, para conectar à linguagem atual, “vibe”. Mas, para além da metamorfose, o jornal não abre mão de alguns princípios. Primeiro, ser um jornal bem escrito (tanto que já ganhou prêmio da Academia Brasileira de Letras por sua qualidade editorial). Segundo, jamais deixar de ser contemporâneo de seus leitores — daí que, sem renegar sua história, não cultiva nenhuma nostalgia. Terceiro, sua política sempre foi e sempre será a defesa intransigente de Goiás e do país e da democracia.

Pós-balzaquiano, com presença sólida na internet — uma referência que alguns leitores sugerem como “incontornável” —, com acesso na casa dos milhões, o Jornal Opção fez 43 anos. Mas o corpinho, não deixa de ser crível, é de 18 anos. Porque o jornal não fica velho; pelo contrário, está sempre rejuvenescendo. Porque, como sugere Patrícia Moraes Machado — a atual publisher —, corroborando o que dizia Herbert de Moraes Ribeiro, é uma coisa viva, pulsante. Afinal, as ideias, as ideias que reverberam, nunca ficam velhas. São sempre atuais.

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NILSON GOMES JAIME

Leio o Jornal Opção desde seu primeiro número, em 1975. Cheguei a vende-lo, nesse ano, último em que distribuí jornais em Palmeiras de Goiás, juntamente com o extinto Cinco de Março e com o Correio Brasiliense. Nesses tempos de internet, meu feed de notícias do Google já está “viciado”: primeiro me sugere notícias do Jornal Opção. Tenho preferência pelas colunas Bastidores, Imprensa e pelo Opção Cultural, com o qual colaboro eventualmente. Penso que a coluna Imprensa é injustiçada. Fica escondida numa barra de rolagem. Deveria ser inserida no mesmo nível de Bastidores já que é uma das mais gabaritadas do… Leia mais