Jornal Daqui demite o editor-executivo Luciano Martins
05 setembro 2026 às 21h00

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Os executivos do Grupo Zahran, compradores do Grupo Jaime Câmara — leia-se TV Anhanguera, jornais “O Popular” e “Daqui” e rádios —, começaram a promover mudanças na equipe pelas cúpulas. Decidiu-se aproveitar jornalistas locais, como Brenda Freitas, que, além da TV Anhanguera, irá comandar a CBN local.
Alegando contenção de custos, os novos dirigentes — coordenados pelo executivo Nicomedes Silva Filho — demitiram o editor-executivo do jornal “Daqui”, Luciano Martins. Mais pessoas foram demitidas no jornal, de acordo com uma fonte.
Profissional experimentado e competente, Luciano Martins foi repórter e editor do jornal “Diário da Manhã”. “O Popular” o retirou de lá para ser editor de “Esportes”.
Há 30 anos no Grupo Jaime Câmara, Luciano Martins foi editor do “Daqui” por 19 anos.
Independentemente de se gostar ou não do jornalismo feito pelo “Daqui”, o jornal se tornou um produto bem-sucedido, chegando a vender mais exemplares, nas bancas, que “O Popular”. Tornou-se, durante certo tempo, um dos campeões em vendas do país. Graças, em larga escala, à perícia editorial de Luciano Martins e, claro, aos brindes.
Os dirigentes do “Daqui” falam em enxugamento, em reduzir a folha de pagamento. Mas não discute o principal: o projeto editorial do “Daqui” não estaria esgotado? O Grupo Folha Manhã extinguiu o jornal “Notícias Populares” quando ainda vendia bem nas bancas. (Nas visitas às bancas, noto sempre o encalhe do “Daqui”.)
Se vendia bem, por que o “NP” acabou? Talvez porque havia se tornado démodé. Ou seja, uma coisa do passado, com seu sensacionalismo exacerbado, tentando sobreviver num presente que não era mais seu.
Não se fala em demissões em “O Popular”, por enquanto. Mas uma equipe está verificando a questão da produtividade na redação e anotando os dados dos acessos do jornal. De acordo com uma fonte, os novos donos querem um jornal mais ativo e participativo da vida da sociedade, mas admitem que se trata de um produto “que tem qualidade editorial”.
Considerando sua ampla estrutura, os acessos de “O Popular” são considerados baixos (note-se que, no Rio de Janeiro, “O Globo” é o jornal mais acessado; aliás, é um dos mais acessados do país). É a avaliação dos novos donos. Mas é preciso levar em conta que o jornal persiste, de maneira equivocada, fechado para não assinantes.
Jornal regional fechado na internet dificilmente se tornará um jornal nacional. Por isso, a tendência é que “O Popular”, mesmo com a estrutura mais cara da imprensa goiana, continue em terceiro ou quarto lugar em termos de audiência. Isto não quer dizer que o jornal é ruim. Porque não é.


