Euler de França Belém
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Jason Tércio lança biografia de Mário de Andrade pela Editora Sextante

O livro está pronto e chegará às livrarias brevemente. O autor é um pesquisador experimentado

Mário de Andrade: poeta, contista, romancista, pesquisador de música, orientador cultural, gestor cultural, crítico literário: um intelectual múltiplo | Foto: Reprodução

Há escritores mais fáceis de serem “capturados” por biógrafos experimentados. Mário de Andrade (1893-1945) não é um deles.

Porque o autor de “Pauliceia Desvairada” não era um, não era trezentos e cincoenta. Era milhares. Um indivíduo múltiplo — o que tende a confundir pesquisadores.

Por isso mesmo os acadêmicos dividem suas tarefas — quiçá missões — e cada um cuida de um aspecto de sua obra variada e complexa. Até especialistas nas suas interessantíssimas cartas.

O biógrafo tem outro esforço de Hércules pela frente: tem de escarafunchar a vida — que é tão difícil, ou até mais difícil, do que investigar a obra.

Mário de Andrade e Oswald de Andrade teriam se conhecido em 1912 e não em 1917 | Ilustrações: Lasar Segall e Tarsila do Amaral

Há vários livros sobre a obra e menos sobre o homem. “Mário de Andrade — Exílio no Rio” (Rocco, 237 páginas), de Moacir Werneck de Castro, e “Eu Sou Trezentos: Mário de Andrade — Vida e Obra” (Edições de Janeiro, 256 páginas), de Eduardo jardim, são livros de qualidade, mas ainda lacunares.

Talvez porque ainda seja difícil escrever uma biografia “definitiva” — talvez não haja nada definitivo na avaliação de obras e pessoas — de um escritor e indivíduo tão complexo, difícil de ser abordado, apreendido e, portanto, explicado. A sexualidade — homossexualidade, bissexualidade, pansexualidade — parece ter sido uma trava aos estudos biográficos. Por isso é menos complicado pesquisar a ficção do que a realidade.

Jason Tércio: pesquisador experimentado e autor de livros de qualidade | Foto: Reprodução

Mário de Andrade era poeta, contista, romancista (“Macunaíma”, ao lado de “O Coronel e o Lobisomem”, é uma espécie de “Dom Quixote” patropi), pesquisador de música, orientador cultural (não deixa de ser um Pound latino-americano; poucos grandes escritores, entre a década de 1920 e o início da década de 1940, não devem alguma coisa às opiniões críticas e amigas do escritor), crítico literário e gestor cultural. A Semana de Arte Moderna não seria a mesma sem a capacidade aglutinadora e influenciadora do pluridimensional Mário de Andrade.

A nova biografia de Mário de Andrade, escrita pelo jornalista e biógrafo Jason Tércio (autor de livros excelentes sobre o deputado Rubens Paiva, assassinado na ditadura, e o jornalista e escritor Carlinhos Oliveira), está pronta e sairá pela Sextante. Como se trata de um pesquisador rigoroso, o livro certamente vai desfazer mitos e enganos e apresentar um Mário de Andrade mais plural do que imagina a vã filosofia de tantos.

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