Euler de França Belém
Euler de França Belém

Iúri Rincon lança livro sobre Goiânia durante a Segunda Guerra Mundial

Faltava água. Faltava luz. Faltava transporte. Escasseava comida. Sobrava conflito político entre os adeptos de Pedro Ludovico e Coimbra Bueno

O jornalista, escritor e pesquisador Iúri Rincon Godinho lança o livro “Goiânia em Guerra — Sangue, Sede e Escuridão nos Anos 40” na sexta-feira-feira, 19, às 19 horas, na sede da Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio).

Trata-se de uma grande reportagem jornalística, muito bem escrita — com o sabor dos textos dos melhores cronistas —, sobre como Goiânia enfrentou as agruras tanto de ser uma cidade nova quanto pela crise provocada pela Segunda Guerra Mundial. Antes, durante e depois da luta travada entre a Alemanha de Hitler e os Aliados de Churchill, De Gaulle, Stálin e Roosevelt, não era fácil viver na cidade. Faltava água. Faltava energia. Faltava transporte de qualidade e em quantidade suficiente. Era, e não é figura de linguagem, uma verdadeira batalha (a terceira guerra, digamos).

Iúri Rincon Godinho é escritor, jornalista e publisher da Contato Comunicação

Iuri Rincon Godinho relata, de maneira objetiva, o confronto entre as forças políticas de Pedro Ludovico Teixeira (PSD) e Coimbra Bueno (UDN). Depois do fim do Estado Novo, no qual Pedro Ludovico imperou em Goiás — aliás, até antes, pois ficou no poder de 1930 a 1945, assim como seu principal patrono, Getúlio Vargas —, Coimbra Bueno foi eleito governador. Na prática, apesar da existência de um prefeito, praticamente governava a cidade, dados seus vastos problemas. Deixou o governo chamuscado e derrotado para senador. O historiador relata os fatos com distanciamento, mas de maneira vívida.

A história dos pracinhas que lutaram contra o nazi-fascismo na Itália é contada e relata-se a história do primeiro pracinha morto na guerra, Aldemar Ferrugem (não era Ademar, corrige o pesquisador). As histórias são tão boas — a se lamentar o abandono pelo governo dos soldados brasileiros que lutaram pela democracia na Europa — que merecem um livro à parte, que, algum dia, Iúri Rincon Godinho nos dará. Waldyr O’Dwyer, um dos pracinhas, mora em Anápolis. Ele tem 102 anos.

Um dos portentos do livro é o resgate do cotidiano dos goianienses durante a guerra e um pouco depois. A leitura nos prende e fica-se com a impressão de que voltamos à década de 1940. As palavras candentes e precisas de Iúri Rincon Godinho funcionam, por assim dizer, como uma espécie de “teletransporte”. Colocamos os pés e a cabeça noutro tempo — há mais 70 anos — e, apesar dos problemas atuais, só podemos concluir: Goiânia mudou e melhorou muito. Ficou mais fácil viver. Surgem outros problemas, mas, no básico, a capital de Goiás é uma das melhores para se viver no país.

Iúri Rincon Godinho faz um relato que, na prática, é um roteiro de cinema (fiquem de olho, Ranulfo Borges e Francisco Barros). Um homem morre. Suas orelhas são cortadas. Pensa-se que é uma pessoa. Mas o que parece não é o que parece. É outra coisa. Realismo fantástico puro. Deixo a história para o provável leitor deste excelente livro.

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