Euler de França Belém
Euler de França Belém

Inteligência dos EUA acusa China de ocultar extensão do novo coronavírus nas suas cidades

No início, a China controlou e barrou as informações. Depois, liberou, ao menos em parte. Mas poucos duvidam de que as manipula

A China é confiável? Não. A China é uma ditadura que não parece ser porque criou uma economia de mercado, aparentemente livre, ainda que o Estado, de matiz comunista, seja onipresente e onipotente. (Cuba não notifica ou subnotifica suicídios, por exemplo, de jovens.) A CIA é confiável? Embora afeita a uma democracia, a dos Estados Unidos, a agência de Inteligência tem um histórico de manipulações — o que não significa que “minta” sempre. Os EUA são uma democracia e, mesmo se comportando às vezes como James Bond, a CIA é obrigada a apresentar informações ao governo e, daí, à sociedade. Frise-se que o setor de Inteligência americano é mais amplo do que a CIA.

Dados da China podem ter sido notificados | Foto: Kevin Frayer/Getty Images)

Relatório da Inteligência dos Estados Unidos informou ao governo, segundo a agência Bloomberg, que a China, a do governo — dos comunistas —, não divulgou informações precisas sobre a extensão do surto do novo coronavírus. O total de casos foi subnotificado pelo governo — assim como as mortes. As informações procedem? O que a Inteligência americana apurou circula entre cientistas, empresários e políticos. O médico chinês que notou que o caso era grave acabou preso e morreu… contaminado pelo vírus. Porque, num primeiro momento, o governo chinês pensou em preservar sua imagem, sua economia. Como é uma ditadura, consegue controlar a maioria das informações.

(No momento, o mundo parece acreditar que o novo coronavírus está sob controle na China. Está mesmo? As informações são repassadas pelo mesmo governo que subnotificou inicialmente. A comunidade científica, embora não confie integralmente nos dados chineses, ao menos dá um crédito ao país porque adotou medidas rápidas de isolamento social — o que certamente contribuiu para reduzir o impacto da Covid-19.)

Segundo a agência Bloomberg, suas fontes não foram identificadas a pedido, alegando que o relatório é confidencial. O conteúdo da documentação também não foi detalhado — o que prejudica qualquer avaliação mais séria dos fatos. Mas os funcionários da Inteligência garantem que os chineses não deram informações completas sobre casos e mortes em decorrência da Covid-19. O governo chinês manipulou os dados. Os agentes sugerem que os dados chineses, para usar uma palavra nada suave, são “falsos”.

A China noticiou 82 mil casos, com 3.300 mortes. Os Estados Unidos — se o governo subnotificar vira escândalo, porque o Congresso, a Justiça e a Imprensa são livres — notificaram 190 mil casos (dado sempre provisório) e mais de 4 mil mortes (dado também provisório).

A Bloomberg frisa que, ante a dúvida do mundo ocidental, a China revisou seus dados — ou ao menos parte deles. Na terça-feira, o governo chinês acrescentou “mais 1.500 casos assintomáticos ao total”, revela a agência.

Mike Pompeo, secretário de Estado dos Estados Unidos, pediu à China e aos demais países que sejam “transparentes”. O auxiliar do presidente Donald Trump já chegou a dizer que a China, além de “encobrir” a extensão dos casos, é muito lenta no compartilhamento de informações. Entretanto, cobrar transparência de uma ditadura é o mesmo que exigir que não seja ditadura.

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