Euler de França Belém
Euler de França Belém

Ian McEwan cria androide que convive com humanos em novo romance

Adão, o robô, vive um triângulo amoroso com Miranda e Charlie. O livro “trata do perigo de criar coisas que estão além de nosso controle”

Capa da edição brasileira do romance de Ian McEwan | Foto: Divulgação

O escritor britânico consagrou-se com “Reparação” (editado em português com tradução esmerada de Paulo Henriques Britto), talvez seu melhor romance, mas publicou outros livros muito bons. A Companhia das Letras lança agora “Máquinas Como Eu” (tradução de Jorio Dauster, 304 páginas).

O livro ainda não está à venda nas livrarias físicas, mas pode ser encomendado nos sites da Travessa, Amazon e Cultura — a R$ 54,90.

Sinopse fornecida pela editora patropi: “Um romance impossível de largar, que antecipa de maneira perturbadora os conflitos éticos que podem nascer da relação entre humanos e androides. Do premiado autor de ‘Reparação’. Londres, 1982. A Grã-Bretanha perdeu a Guerra das Malvinas. A primeira-ministra Margareth Thatcher tem seu poder desestabilizado ao ser desafiada pelo esquerdista Tony Benn. O matemático Alan Turing vive sua homossexualidade plenamente e suas contribuições para o avanço da tecnologia permitiram não só a disseminação da internet e dos smartphones como a criação dos primeiros humanos sintéticos, com aparência e inteligência altamente fidedignas. É nesse mundo que Charlie, Miranda e Adão — o robô que divide a vida com o casal — devem encontrar saída para seus sonhos e ambições, seus dramas morais e amorosos. O novo romance de Ian McEwan desafia nosso entendimento sobre humanos e não humanos e trata do perigo de criar coisas que estão além de nosso controle”.

Capa da edição portuguesa do novo livro de Ian McEwan | Foto: Reprodução

Sinopse da editora portuguesa: “‘Máquinas Como Eu’ decorre numa Londres alternativa nos anos 1980. Charlie, à deriva na vida e esquivando-se de um emprego a tempo inteiro, está apaixonado por Miranda, uma aluna brilhante que vive com um segredo terrível. Quando Charlie herda uma pequena fortuna, compra Adam, um exemplar do primeiro lote de seres humanos sintéticos. Com a ajuda de Miranda, constrói a personalidade de Adam. O quase-humano é belo, forte e inteligente… e depressa se forma um triângulo amoroso. Estes três seres confrontar-se-ão com um dilema moral profundo e os amantes serão postos à prova para além do seu próprio entendimento. Este romance subversivo e divertido de Ian McEwan coloca questões fundamentais: O que nos torna humanos? Os nossos actos, exteriores, ou as nossas vidas interiores? Pode uma máquina entender um coração humano? Uma história empolgante e provocadora que nos alerta para o perigo de criarmos coisas que escapam ao nosso controlo”.

Ian McEwan: autor de “Reparação”, um dos mais importantes romances da literatura inglesa | Foto: Reprodução

Ian McEwan é um dos autores mais atentos às coisas da modernidade, como se fosse, por intermédio da literatura, um historiador do presente, que, pela imaginação, sugere o que pode acontecer ou, ao menos em parte, já está acontecendo. Mas não é, a rigor, um escritor de ficção científica. A ciência é iluminada por sua ficção — a ciência serve, talvez seja possível dizer, à sua literatura —, porém não se trata de mais um discípulo de Ray Bradbury e Philip Dick.

Curiosamente, o título brasileiro é idêntico ao da Editora Gradiva, de Portugal: “Máquinas Como Eu”. Apesar do cacófato, é adequado e sintético (e com a força simbólica da palavra “Eu”) — talvez mais explícito (e gerador de singularidade) do que “Máquinas Iguais a Mim” ou “Máquinas Iguais a Nós”.

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