Euler de França Belém
Euler de França Belém

Harry Potter: “Oitavo” livro da série arrasa-quarteirão já figura na lista dos mais vendidos

A obra chegará às livrarias apenas em julho, mas há disputa para conseguir um exemplar nos sites da Amazon e Waterstone

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Divulgação

Harry Potter não é banco-banqueiro, mas é uma fábrica de produzir dinheiro para sua criadora, a escritora inglesa J. K. Rowling (foto abaixo), editoras, livrarias, diretores e atores de cinema e teatro. A série, levada ao cinema com sucesso, conquistou leitores de várias faixas etárias: de 6 anos a 90 anos. A despeito das críticas corrosivas de Harold Bloom, o mais celebrado (amado e odiado) crítico literário vivo dos Estados Unidos — que percebe idiotice onde muitos devoram delícias suculentas —, a história do bruxinho conquistou o mundo. Agora, vai sair o “oitavo” volume da série — “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada”. Trata-se de uma adaptação para o formato livro da peça escrita por J. K. Rowling em parceria com Jack Thorne e John Tiffany (numa entrevista publicada em livro, a escritora portuguesa Agustina Bessa-Luís apresenta suspeitas de que livros ao estilo de “Harry Potter” são escritos por mais de uma pessoa — trata-se, avalia, de uma produção industrial. Até Stephen King não escaparia dos ghost-writers, aposta a excepcional autora da terra de Camões e Fernando Pessoa). Jack Thorne é o roteirista da peça e John Tiffany (nada a ver com “Bonequinha de Luxo”), seu diretor.

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J.K. Rowling autora de Harry Potter | Divulgação

Detalhe: o lançamento oficial do livro será no dia 31 de julho deste ano, em seguida à estreia da peça teatral, em Londres. Mas em dois sites — Amazon e Waterstone —, a história do bruxo aparece entre os mais vendidos, um dia após o anúncio do lançamento. Os harrypotteanos estariam histéricos, hipnotizados pela retomada da saga.

O diretor-executivo da Waterstone, James Daunt, coçando os bolsos e pensando nas contas bancárias, disse ao jornal britânico “The Guardian”, replicado no Brasil pelo jornal “O Globo”: “O lançamento deve ser consideravelmente maior do que o dos livros anteriores da série”. Eba! Ufa!

J. K. Rowling — que publicou livros policiais com pseudônimo, até a autoria ser descoberta (quem acredita na história do vazamento de que era a autora verdadeira também é um apóstolo do saci-pererê e do curupira) — não vai “participar de nenhum evento de promoção”, segundo a pós-sisuda editora Little, Brown and Company.

O habilidoso James Daunt disse ao “Guardian”: “Não há palavras mais doces para livrarias e distribuidoras do que a ‘oitava história’. Será a vez dos novos profissionais encararem as histórias de guerra que os vendedores mais experientes contavam sobre a guerra que os lançamentos de Harry Potter causavam. No dia 31 de julho, tudo ficará mais claro”. Claríssimo, sem dúvida, assim como algumas contas bancárias ficarão mais obesas.

O diretor da Little, Brown and Company, David Shelley (o que diria Percy da patuscada?), relata o “Guardian”, expropriado por “O Globo” (expropriado por mim), que “a ideia de publicar um livro com o roteiro da peça veio da grande demanda de fãs, que procuraram J. K. Rowling e sua equipe desesperados por não poderem assistir ao espetáculo”.

“Estamos muito felizes por fazer essa história ser disponível para todos eles” (os fãs), afirma David Shelley. Traduzindo a frase para um discurso menos Polianna menina (a moça seria um pouco mais realista): “O livro vai reduzir a crise da editora e todos nós vamos ganhar muito dinheiro”.

O que diz o novo livro? Ah, sim, “a história continua a partir do momento em que o último parou”. O site oficial da série, o Pottermore (deveria ser Potternãoacabamais) anunciou, com certo alarido: “Na última vez em que leitores e fãs de cinema viram Harry, ele estava deixando seus filhos na Plataforma 9 ¾, dezenove anos depois da Batalha de Hogwarts, no epílogo de ‘Harry Potter e as Relíquias da Morte’. ‘Harry Potter e a Criança Amaldiçoada’ continua a partir deste momento e é encenado em dois atos, por conta da ‘natureza épica da história’”.

Mas e o filme: quando será feito? Não se sabe, mas os atores, é provável, já devem ter sido sondados e, quiçá, escolhidos.

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Leitor de Potter para em Harry?

Há quem diga, talvez com ou sem razão, que “Harry Potter” incentiva a leitura. A pessoa agarra a série e, de repente, torna-se leitora. O mais provável é que leitores de Harry Potter, sem Harry Potter, não migrem para Machado de Assis, Proust, Joyce, Carlo Emilio Gadda, Faulkner, Thomas Mann e Guimarães Rosa, que não são escapismos. É possível que, sem Harry Potter, busquem obras “literárias” semelhantes ou, em alguns casos, até parem de ler. Ou, quem sabe, fiquem esperando um novo livro da série — como se estivessem esperando d. Sebastião, mas sem sebastianismo.

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