Euler de França Belém
Euler de França Belém

Grupo RIC demora mas demite jornalista que ameaçou matar ex-namorada

Emissora afiliada da TV Record no Paraná só afastou Denian Couto depois da repercussão nacional do caso

Os jornalistas Giuli Kuiava e Denian Couto eram namorados. Chorando, ela ligou e disse que havia descoberto uma traição. A reação do ex-parceiro: “Vou te matar se você não calar a boca”.

O Paraná calou-se, talvez por não ter informações suficientes, mas não Giuli Kuiava, que concedeu entrevista ao site The Intercept Brasil e divulgou o áudio da conversa com Denian Couto.

Com a bomba na rua, gerando desgaste, a Rede Independência de Comunicação (RIC) sugeriu a Denian Couto que se afastasse, com o objetivo de providenciar sua defesa. Um Boletim de Ocorrência havia sido registrado em janeiro, mas o Grupo RIC só tomou uma atitude quando o Intercept Brasil escancarou a história — que era segredo de Estado na terra de José Richa e Dalton Trevisan.

Denian Couto, jornalista demitido por afiliada da TV Record | Foto: Reprodução

O afastamento de Denian Couto acabou sendo visto como uma decisão leve — e, para piorar, circulou a informação que o jornalista havia pedido o afastamento, ou seja, não teria sido afastado. Nas ruas, começaram a sugerir que a RIC era a Rubinho Barrichello do jornalismo — a primeira a chegar atrasada. O fato é que, sob as pressões das ruas — o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná organizou uma manifestação na porta da emissora — e possivelmente da TV Record, de quem a Record TV Paraná repete a programação, o Grupo RIC decidiu, depois de quase três meses de inação, demitir o jornalista que amaçou matar outra jornalista.

Não são todos, mas há jornalistas que, depois de certo sucesso, se julgam deuses e avaliam que podem tudo. Não podem. A sociedade democrática, que vive sob o império da lei, define que a ética do jornalista — como notou sabiamente o jornalista Claudio Abramo — deve ser a mesma do marceneiro, quer dizer, a dos demais cidadãos. O sucesso, aparentemente devido ao jornalismo excessivo, subiu à cabeça de Denian Couto — daí a queda abrupta. “Machão no microfone” (também trabalhava na Jovem Pan de Curitiba) e “sem mimimi” eram seus slogans. É quase inacreditável que, no século 21, alguém ainda se venda, profissionalmente, deste modo.

A demissão e provavelmente uma condenação judicial podem tornar Denian Couto tanto uma pessoa quanto um profissional melhor. A sua defesa, até agora, sugere que não entendeu os fatos da maneira apropriada. A desqualificação de Giuli Kuiava, diria um advogado qualificado, só prejudica a defesa do jornalista — tanto ante a Justiça quanto ante a sociedade.

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