Euler de França Belém
Euler de França Belém

Google e Facebook poderão ter de pagar por uso de conteúdo de jornais e revistas brasileiros

Projeto do senador Ângelo Coronel, do PSD, prevê que os dois gigantes só poderão usar o material produzido pela imprensa se pagarem

O Google e o Facebook, como novos colonialistas e vírus poderosos, descobriram que a servidão voluntária é mais aceita. Mais: descobriram uma maneira de ganhar dinheiro com jornalismo sem trabalhar ou trabalhando muito pouco. Supostamente para agradar aos leitores, e para provar que a internet é altamente democrática, o Google se quer como enciclopédia de tudo. Uma enciclopédia supostamente livre, leve e solta. Não é bem assim. Há jornais, revistas e sites que estão sempre produzindo informação de qualidade, em geral com custo alto, para gáudio do Google e do Facebook, que reinventaram a “gigolagem” sem cabaré.

Ângelo Coronel, senador: é uma questão de justiça o Google e o Facebook pagaram por aquilo de que tiram proveito | Foto: Senado

Grandes jornais, como “The Guardian”, “New York Times”, “Washington Post”, “Le Monde”, “O Estado de S. Paulo”, “O Globo” e “Folha de S. Paulo”, produzem jornalismo referencial — confiável —, mas não descobriram como ganhar dinheiro farto. Quem ganha mesmo com o que geram são o Google e o Facebook — para citar tão-somente duas rémoras gigantes.

A governo da Austrália decidiu, em junho deste ano, que o Google terá de parar de agir como ave de rapina pós-moderna. A gigante americana terá de pagar pelo uso do conteúdo produzido pela imprensa do país. Outras nações deveriam seguir o exemplo do país do notável escritor Patrick White. Sabendo que todos vão reagir, escapando ao conformismo e ao fatalismo — “ah, é assim mesmo: não tem jeito de mudar” —, os dirigentes do Google começaram a ajudar alguns jornais. Por enquanto, estão oferecendo migalhas. Mesmo assim, é um avanço. Antes, pilhava e não pagava nada.

Os jornais, jornais e sites produzem e o Google fica com a parte do leão | Foto: Reprodução

Um dos mais atuantes senadores da República, Ângelo Coronel, do PSD da Bahia, apresentou um projeto de lei que a imprensa patropi precisa debater com mais interesse. A ideia do parlamentar, se aprovada, levará o Google e o Facebook a pagarem aos meios de comunicação pelo conteúdo que veicularem nas suas plataformas. Justíssimo.

O senador frisa, com precisão, que “gigantes da tecnologia têm-se utilizado de notícias produzidas por veículos de comunicação, sem que estes sejam remunerados para isso”.

Mark Zuckerberg: o poderoso chefão do Facebook | Foto: Reprodução

Ângelo Coronel pretende, relata o Portal dos Jornalistas, “inserir na lei de direitos autorais um artigo prevendo esse tipo de pagamento, de modo que os autores do conteúdo jornalístico possam solicitar remuneração à empresa de internet que compartilhou o material. O projeto prevê também que os veículos possam solicitar a ‘indisponibilização’ de seu conteúdo nas plataformas dessas empresas”.

O senador sublinha que “o reconhecimento e a valorização do jornalismo profissional são instrumentos valiosos no combate à desinformação. O jornalismo feito com seriedade deve valer-se da checagem de informações na luta contra a disseminação de mentiras e falsas notícias. Mas esse é um processo custoso, que demanda o investimento de recursos financeiros e a capacitação de recursos humanos”.

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