Euler de França Belém
Euler de França Belém

França e Inglaterra obrigam Google e Facebook a remunerarem a imprensa

Jornais, revistas e emissoras de televisão produzem informação a um custo alto e “entregam” seu material de graça para os gigantes americanos

O termo “gigolô”, apesar da sonoridade que lembra carnaval, é mal visto. Se o som da palavra não agride, o seu significado não agrada viv’alma. Pois a imprensa transnacional se tornou “vítima” de uma “gigolagem”, digamos, globalizada.

Jornais, revistas, blogs e emissores de rádio e televisão produzem notícias, reordenam as informações para os leitores, e gigantes como Google e Facebook, sem nenhum esforço, “transcrevem” — ou adicionam — o material e sem pagar nenhum centavo pela apropriação.

Os jornais, revistas e sites produzem e o Google fica com a parte do leão | Foto: Reprodução

No Brasil, recentemente, um dos gigantes repassou “migalhas” a alguns jornas — para supostamente “enfrentarem” a crise gerada pela pandemia do novo coronavírus. Outra gigante decidiu “ensinar” os jornais a faturaram. Vários jornais, como cordeirinhos, enviaram emissários com o objetivo de aprender lições básicas para aumentar o faturamento. Algumas ideias são boas. Mas a inspiração adequada mesmo são o Google e o Facebook, que, gastando muito pouco, descobriram uma mina inesgotável para ganhar dinheiro fácil. Claro que seu faturamento não advém tão-somente do “gigolismo” dos jornais.

O que Google e Facebook têm de fazer — e só farão se leis foram criadas — é pagar aos jornais e revistas por aquilo que, de alguma maneira, apresentam como algo “gratuito”, de caráter público, portanto apropriável sem a devida remuneração.

Na Inglaterra, sobre pressão de jornais e da Justiça, o Facebook terá de remunerar a imprensa. O Portal Imprensa registra, citando o jornal “The Guardian”: “A partir de janeiro, o Facebook vai remunerar os veículos de jornalismo no Reino Unido pela publicação de suas reportagens na aba de notícias News Tab”.

A diretora de parcerias de notícias do Facebook, Sarah Brown, informou que o investimento será alto.

“Guardian” relata que publicações britânicas e o Facebook entraram em acordo. Entre os jornais estão “The Guardian”, “Daily Express” e “Daily Mirror” e a revista “The Economist”. Os veículos do Reino Unido finalmente estão se livrando de “uma” escravidão, a do Facebook.

Na França, devido a uma nova legislação, o Google teve de assinar um acordo com os jornais e vai pagá-los pelos direitos autorais de suas reportagens divulgadas pelo site de busca. O acordo já foi firmado com “Le Monde” e “Le Figaro” e vai incluir outros jornais.

O senador Angelo Colonel, do PSD da Bahia, apresentou um projeto com o objetivo de que Google e Facebook, entre outros, paguem aos jornais e aos jornalistas. “Gigantes da tecnologia têm se utilizado de notícias produzidas por veículos de comunicação, sem que estes sejam remunerados por isso”, afirma o político.

Entretanto, além de lutar para receber dinheiro do Google e do Facebook, a imprensa precisa observar o modelo comercial das duas gigantes e, possivelmente, se aliarem em busca de novos caminhos. O modelo tradicional de faturamento dos jornais, revistas e emissoras de televisão faliu. As demissões da Globo e de outros veículos não têm a ver com maldade, e sim com o fato de que a comunicação atual não rende tanto dinheiro quanto rendia há alguns anos. Não há mais como pagar estruturas grandes e dispendiosas.

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