Fernando Py não morreu: apenas confirmou uma morte sua, nossa, que já ocorrera há anos

Fernando Py morreu — e a gente não dá a mínima; o país letrado não o conhece; afinal, Felipe Neto esteve no Roda Viva, da TV Cultura

Marcelo Franco

Fernando Py morreu.

Fosse outro dia, eu faria um obituário — o seu significado, profundo, na minha vida.

Mas apenas registro: Fernando Py morreu.

E ninguém mais se importa com isso. Nos cadernos culturais de domingo, ele ganhará um terço de página, entre quadrinhos e decoração.

Fernando Py morreu — e a gente não dá a mínima; o país letrado não o conhece; ontem houve, afinal, Felipe Neto no “Roda Viva”, da TV Cultura.

Fernando Py morreu — pouco importa: o que ele representava já estava morto.

Fernando Py morreu.

Vocês aí, cultos, lidos, assistidos, decorados, antenados — Fernando Py morreu.

Fernando Py morreu — mas nós todos já estávamos mortos antes.

E vocês pensando que sabem viver.

Fernando Py não morreu: apenas confirmou uma morte sua, nossa, que já ocorrera há anos.

Marcelo Franco é crítico.

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