Entrevista de Ludhmila Hajjar publicada pelo Jornal Opção repercute nos jornais do país

“O Globo”, o “Estadão” citaram fartamente a entrevista da médica que foi convidada mas não quiser ministra da Saúde de Bolsonaro

Reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo” | Foto: Jornal Opção

“O Globo” e “O Estado de S. Paulo”, entre outros jornais do país — do Oiapoque ao Chuí —, citaram fartamente a longa entrevista da médica Ludhmila Abrahão Hajjar publicada no domingo, 7, no Jornal Opção. Sob o título de “Brasil está fazendo tudo errado na pandemia e está pagando um preço por isso”, a entrevista é precisa a respeito do que está errado e, sobretudo, do que é preciso fazer para combater a pandemia do novo coronavírus e salvar vida. Segundo uma fonte brasiliense, o presidente Jair Bolsonaro — assim como ministros — leu a entrevista e convocou a professora da Universidade de São Paulo e médica-supervisora da Cardio-Oncologia do Instituto do Coração (inCor) do Hospital das Clínicas para uma conversa, em Brasília. Bolsonaro fez um convite formal à especialista, mas, assim como fez com outros médicos, como Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, não prometeu liberdade de ação.

“O Globo” menciona entrevista do Jornal Opção | Foto: Jornal Opção

Na entrevista estão os motivos pelos quais Ludhmila Hajjar, goiana de Anápolis — e elogiada pelos principais médicos do país, como Roberto Calil —, não aceitou ser ministra da Saúde do governo Bolsonaro. A médica não apoia o “tratamento precoce” — que, a rigor, não é tratamento — contra a Covid-19 e defende o isolamento social e o uso de máscara. Ou seja, o que propõe é diverso da prática cotidiana do presidente.

Ludhmila, por certo, queria ser ministra “da” Saúde, e não ministra “de” Bolsonaro — como é o general Eduardo Pazuello, chamado em Brasília de ministro-adjunto (o titular é o próprio Bolsonaro).

Entrevistas históricas e reverberantes

As entrevistas do Jornal Opção repercutem, há anos, na imprensa nacional e algumas delas foram citadas em livros, como os de Elio Gaspari e Luiz Maklouf e dissertações de mestrado e teses de doutorado.

Entrevistas feitas pelo Jornal Opção que são pesquisadas com frequência por mestrandos e doutorandos em história e literatura: Darcy Ribeiro (concedeu uma das mais instigantes entrevistas. Ante uma pergunta mais dura, disse ao repórter: “Por que você não vai bater umas panelas na rua”?. Ele mesmo riu do dito), Jorge Amado (dado ao conhecimento de um repórter sobre a história da esquerda, virou-se para Zélia Gatti e disse: “Este é um dos nossos”), Pedro Cabral (coronel da Aeronáutica na Guerrilha do Araguaia), José Wilson (o Tenente Vermelho, que, ligado a Brizola, tentou fazer João Goulart reagir ao golpe de 1964), sargento J. Pereira (o militar goiano que combateu a Guerrilha do Araguaia; sua entrevista é citada tanto por Elio Gaspari quanto por Luiz Maklouf), Luiz Costa Lima (um dos mais importantes estudiosos de literatura do país), João Cezar de Castro Rocha (crítico literário e intérprete preciso da guerra cultural articulada pelo bolsonarismo), José J. Veiga (autor de “Os Cavalinhos de Platiplanto”), Bernardo Élis (autor de “Veranico de Janeiro”), Carmo Bernardes (autor de “Jurubatuba”), Pedro Ludovico (sua última entrevista), Mauro Borges, Consuelo Nasser (a entrevista da jornalista é uma das mais polêmicas) e, entre outros, Siron Franco (a entrevista, com mais de dez páginas, daria um pequeno livro).

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