Entenda por que o Flamengo de Jesus vai derrotar o Liverpool da rainha

O técnico português armou um conjunto de grande harmonia, que joga por música e até atletas medianos se destacam

Cilas Gontijo

Jorge Jesus: o técnico do Flamengo joga um bolão fora de campo | Foto: Reprodução

Após ter sido campeão da Copa Libertadores no dia 23 de novembro, o Flamengo conquistou também o título de campeão do Brasileirão de 2019 — e sem ao menos entrar em campo, porque o Palmeiras perdeu para o Grêmio. O empate já daria o título ao Fla. Na verdade, o time rubro-negro não precisou de ninguém para ser campeão — só dele mesmo.

O rubro-negro carioca, que se sagrou campeão com quatro rodadas de antecedência, se tornou o segundo time a conquistar a Libertadores e o Brasileirão no mesmo ano. O último time responsável pelo mesmo feito foi a “seleção” do Santos em 1962 e 1963. Hoje, sabem os corintianos e vilanovenses, o Flamengo está “sobrando” — em termos de qualidade e futebol produtivo.

Flamengo: um time produtivo e que sabe jogar bonito | Foto: Reprodução

É preciso admitir, porém, que o Fla não começou muito bem nem o Campeonato Brasileiro nem a Libertadores. Mas, de repente, tudo mudou. Sabe por quê? A chegada do “Mister” mudou tudo.

O técnico português Jorge Jesus chegou em junho deste ano. Magro e com cabelos brancos, o treinador encantou a todos desde o começo. A paralisação do Campeonato Brasileiro devido à Copa América foi útil para que ele pudesse treinar a equipe e explicitar aos atletas o seu objetivo. Ele soube mostrar que, para além do futebol-arte — no qual os brasileiros são mestres —, o planejamento tático e a armação coletiva do jogo são fundamentais para um time ganhar vários jogos, criando uma unidade, e não apenas algumas partidas. Pode-se dizer que Jesus conseguiu “entrar” na cabeça dos jogadores flamenguistas — dizendo-lhes que, com um conjunto organizado, poderiam ganhar continuamente. Dito e feito: o time ganhou unidade e começou a ganhar e a deixar os adversários bem para trás.

Bruno Henrique: um dos craques do Flamengo | Foto: Reprodução

No primeiro jogo depois da Copa América, o Flamengo ganhou do Goiás por 6 a 1. O time parecia a seleção brasileira de 1970 e de 1982 — jogava, digamos, por música. Samba ou fado? Talvez os dois. Mas nada de tristeza; só alegria.

Com 35 partidas já disputadas pelo Brasileirão, o Flamengo venceu 26, uma marca difícil de ser ultrapassada, e tem os dois principais artilheiros da competição, Gabigol — com 22 gols — e Bruno Henrique, com 21. Qual o milagre realizado pelo técnico que, segundo os torcedores, não é mais Jorge, é só Jesus ou, então, Mister?

Milagre, no futebol, é assim: é quando o impossível acontece. Pois o Flamengo, sob a batuta de Magic Jesus, tornou o impossível possível.

Gabigol: atacante altamente decisivo | Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

O novo comandante-chefe trouxe alguns jogadores que fizeram a diferença. O ótimo zagueiro espanhol Pablo Mari, de 25 anos, era um desconhecido. Hoje, craque, é uma das gratas revelações do campeonato. O meia Gerson, de 22 anos, chegou do Roma para se destacar nos trópicos. O lateral direito Rafinha e o lateral esquerdo Felipe Luís se destacaram e se tornaram titulares absolutos. Todos dizem o mesmo: o técnico Jesus passa confiança para o elenco — que corresponde em campo. Quando o técnico é craque até jogadores medianos começam a jogar melhor.

É preciso comentar sobre o Quarteto Fantástico, que aterrorizou todas as defesas dos times que disputam o Brasileirão deste ano. Éverton Ribeiro, Arrascaeta, Gabigol e Bruno Henrique, juntos no ataque, parecem vikings atacando seus inimigos. São demolidores. Há zagueiros que, só de vê-los, começam a cair e até a passar mal. Brincadeira? Nem tanto. É preciso frisar que os quatro melhoraram com a chegada de Jesus. Bruno Henrique, que jogou no time do Goiás — no qual ganhava 20 mil reais por mês —, se tornou o melhor jogador da Libertadores. Até o limitado lateral Rodinei aprendeu a jogar. Não virou craque, mas se tornou útil ao time.

Leitores me criticaram porque, em textos anteriores, escrevi que o Flamengo ganharia, além do Campeonato Brasileiro, a Libertadores. Disseram que eu era ufanista. Mas as vitórias nos dois campeonatos só confirmam o que eu disse. Se continuar jogando seu futebolzão, o Fla tende a ser campeão mundial, derrotando, por exemplo, o Liverpool. O time estreia no Catar, no dia 17, uma terça-feira.

Liverpool é um bom time, tem craques, mas não tem Jesus | Foto: Reprodução

Escrevi também que o Flamengo poderia perder Jesus para a Seleção Brasileira. Exagero? Não. Tite não está bem na Seleção, pois não consegue armar um conjunto vencedor. Em suma, não consegue montar um conjunto, e nisto Jesus é expert. A ressalta é que Jesus quer continuar no Flamengo, onde é respeitado e amado. A diretoria e os torcedores querem mantê-lo a todo custo. Seu contrato só expira em meados da próxima temporada. Mas o presidente do rubro-negro, Rodolfo Landim, já se movimenta para prorroga-lo. Com o título mundial nas mãos, por exemplo, não tem jeito de não lutar para segurar Jesus. Por sinal, na Europa, fala-se do time brasileiro assim: “O Flamengo de Jesus”.

Vale acrescentar que o Flamengo está garantido para o Mundial de 2021, que, com novo formato, contará com 24 equipes e passará a ser disputado no mês de junho. Será uma espécie de Copa do Mundo de clubes.

Como dizem os torcedores, que venha o campeão da Champions League — o Liverpool, o time inglês que é considerado um dos melhores da Europa. Acrescente-se que o Liverpool foi freguês do Mengo em 1981, na disputa em que o time carioca ganhou o primeiro título mundial, e, sobretudo, não tem Jesus ao seu lado. Algo me diz que os rubro-negros de Jesus vão derrotar os Reds da Inglaterra. Quem viver, se quiser, verá.

Cilas Gontijo é comentarista esportivo.

 

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