Editora goiana lança revista de psicanálise com edição especial sobre Regina Schnaiderman

A publicação traz artigos e entrevistas de Renato Mezan, Marie Christine Laznik, Betty Milan e Boris Shnaiderman

Foto: Divulgação

Candice Marques de Lima

A Dimensão Editora e o Instituto e Clínica Dimensão (localizados em Goiânia, no Setor Marista, nas proximidades da sede da OAB) têm feito ao longo dos anos um trabalho cultural significativo para o Estado de Goiás. Dirigidos por Eli Antônio Cury e Iranildes Ferreira Luz, trazem psicanalistas e escritores do campo psicanalítico importantes no cenário nacional e internacional.

Em 2018, a Dimensão Editora publicou o primeiro exemplar da “Ensejo — Revista de Psicanálise e Cultura”, com o perfil da psicanalista Regina Schnaiderman, fundadora do Curso de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientae, São Paulo, em 1976.

Nascida Regina Schenkman em Ulm, Bessarábia, na então União Soviética (1923), ainda criança veio morar no Brasil, em 1929. Estudou Química na USP, foi professora dessa disciplina, até tornar-se psicanalista. Foi amiga de Darcy Ribeiro, conviveu com o pintor Di Cavalcanti e o escritor Oswald de Andrade. Teve atuação política contra o totalitarismo, especialmente na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Considerava-se uma judia não religiosa.

Regina Schnaiderman foi casada com o tradutor, escritor e ensaísta Boris Schnaiderman e é mãe da psicanalista e cineasta Miriam Chnaiderman. Esta participa do Conselho Editorial da revista “Ensejo” e contribui com entrevistas e um texto a respeito da psicanalista.

Bem editada, a revista publica entrevistas e textos de personalidades importantes sobre a psicanalista — como Renato Mezan, Marie Christine Laznik, Betty Milan e Boris Shnaiderman, entre outros, os quais auxiliam o leitor a compreender o ser rico e generoso e a intelectual que era Regina Schnaiderman.

Em um trecho curioso de sua entrevista, o psicanalista Renato Mezan conta que, quando era sua supervisora de casos clínicos, Regina Schnaiderman lhe sugeriu colocar uma fita no braço escrita “não é comigo”, para que se lembrasse dos aspectos transferenciais com seus analisandos.

Candice Marques de Lima, psicanalista, é professora da Universidade Federal de Goiás.

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