Euler de França Belém
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Dono de livraria arranca 25% de livro de Kafka e manda para o ministro da Educação

“Temos certeza de que isso não impedirá sua leitura”, afirma Daniel Louzada, da Livraria Leonardo da Vinci

“Metamorfose”, de Kafka, com corte de 25% | Reprodução/Instagram

O repórter Lucas Brêda, da “Folha de S. Paulo”, relata que o dono da Livraria Leonardo da Vinci, do Rio de Janeiro, arrancou 25% do livro “Metamorfose”, de Franz Kafka (e Kafta ou Cafta), e enviou para o ministro da Educação, Abraham Weintraub. “Temos certeza de que isso não impedirá sua leitura”, afirma a mensagem do livreiro. Espera que se trate da edição traduzida por Torrieri Guimarães, a partir do “original inglês”, e não das excelentes edições de Modesto Carone/Companhia das Letras e Marcelo Backes/L&PM — vertidas, agora sim, do original alemão (o autor de “O Processo”, nascido em Praga, escrevia em alemão).

“Pedimos desculpas pelo corte de 25% no livro, mas a situação das livrarias brasileiras está difícil”, disse o livreiro Daniel Louzada. A mensagem do dono da livraria, que existe há 62 anos, tem a ver com o corte de 30% no orçamento de algumas universidades federais do país.

Daniel Louzada conta que serrou o livro — talvez com certa dor na alma (vale lembrar que Kafka pediu ao amigo Max Brod para queimar seus escritos; devemos ao “mui amigo” o fato de que hoje, não tendo queimado a obra, possamos lê-la com prazer) — e aguarda a resposta de Abraham Weintraub (que, como Kafka, deve saber alemão).

A Livraria Leonardo da Vinci, depois que a mensagem viralizou na internet, conquistou mais clientes. A maioria procurando livros de Kafka, mas sem o corte de 25%.

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