O SBT é apresentado como uma emissora “conservadora e familiar”. A filha de Silvio Santos, Patrícia Abravanel, é evangélica. Há, inclusive, recomendação explícita contra relacionamentos entre chefes e subordinados. Entretanto, uma camareira da empresa flagrou um diretor — prestigiado pela cúpula — e um produtor fazendo sexo num camarim, no horário de trabalho, na sede da rede de televisão, em São Paulo. Há um aspecto estranho. A jornalista Fábia Oliveira, do Metrópoles, informa: “Nenhum deles ligou para as câmeras de segurança”. A pergunta é: há câmeras nos camarins da empresa de Seu Silvio Santos? A profissional do portal de Brasília deveria fazer a pergunta para obter uma resposta — positiva ou negativa.

De acordo com sites, o produtor, funcionário novato, foi demitido, mas o diretor teria, por enquanto, sido mantido no cargo. Porque teria a proteção da direção da empresa. Segundo Fábia Oliveira, não é a primeira vez que o executivo é pego em situação, por assim dizer, “vexatória”. A nova pergunta é: o assediador merece “perdão”, porque trabalha há duas décadas na rede, mas o “assediado”, agora sem proteção — ele seria “protegido do diretor —, merece o desemprego?

O diretor, enfatiza o Metrópoles, “trabalha em uma das apostas do canal para o público infantojuvenil, além de estar envolvido em vários projetos relevantes na nova programação do SBT. Ele também atende diretamente uma das filhas do patrão e está nos bastidores do documentário sobre a vida do dono do Baú”.

Numa nota, a empresa de Seu Silvio disse: “O SBT informa que” seu “departamento de Compliance já está averiguando a denúncia a respeito de um suposto episódio ocorrido em um dos camarins da emissora”. O detalhe, certamente formulado pela área jurídica, é que a rede de televisão fala em “suposto episódio”.

O SBT informa que não pode divulgar “publicamente” as investigações para “preservar” seus colaboradores. A rede de tevê está certa. As duas pessoas, a rigor, não cometeram nenhum crime — exceto desrespeitaram as normas da empresa. Mas seria muito bom se jornais e redes de televisão tivessem o mesmo cuidado com aqueles que não trabalham nas suas dependências. Nem sempre o jornalismo se preocupa em preservar pessoas que, adiante, podem ser inocentes. Suspeitos são tratados como acusados e, até, como culpados.