Euler de França Belém
Euler de França Belém

Denúncia falsa destruiu a vida dos donos da Escola Base. Nada aconteceu com jornalistas e denunciantes

Duas mães disseram que donos da escola abusavam de crianças, um delegado espalhou a notícia para a imprensa, que fez o estardalhaço. Era tudo falso

Livro imperdível para jornalistas e estudantes de jornalismo: “Escola Base: Onde e Como Estão os Protagonistas do Maior Crime da Imprensa Brasileira” (Editora Flutuante). O autor, Emílio Coutinho, passados 23 anos do caso, conta o que aconteceu com seus protagonistas. Os proprietários da escola e outras pessoas foram acusados por duas mães de abuso e pedofilia, um delegado aceitou a denúncia e a imprensa começou a divulgar o “fato” com estardalhaço.

Ocorre que a informação era falsa. Seis pessoas tiveram suas reputações destroçadas. Dois dos donos da escola, o casal Icushiro Shimada e Maria Aparecida, morreram. Paula Milhin, uma das proprietárias, afirma que o delegado Edélcio Lemos foi um dos principais responsáveis pela midiatização do caso. Poucos jornalistas fizeram mea culpa. Valmir Salaro, da TV Globo, admite o erro. Numa entrevista, Emílio Coutinho disse que “a imprensa errou por acreditar cegamente na fonte oficial e não fazer uma apuração precisa”. A pressa dos jornalistas e o receio de serem furados colaboram para os excessos e a falta de cuidados básicos.

O escritor Gabriel García Márquez, que era jornalista, escreveu: “A melhor notícia nem sempre é a que se dá primeiro, mas muitas vezes a que se dá melhor”.

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