Euler de França Belém
Euler de França Belém

Dá pra acreditar que presidente do Grupo Abril (3 meses no cargo) caiu por motivo pessoal?

Arnaldo Figueiredo Tibyriçá perde o posto para Giancarlo Civita, um dos proprietários da empresa

Giancarlo Civita e Arnaldo Figueiredo Tibyriçá: problemas não inteiramente explicados

Na União Soviética, nos tempos do stalinismo, quando algum político era afastado, dizia-se: “O grande líder Kaoskov de Insânia deixou o cargo por motivos de saúde”. Não era preciso ser sovietólogo para entender o que havia acontecido: o indivíduo havia caído em desgraça. Nas empresas, quando um executivo cai, até para preservar sua imagem no mercado, costuma-se dizer que saiu por “motivos pessoais”. Talvez seja o caso de Arnaldo Figueiredo Tibyriçá, que, tendo assumido em novembro de 2017, deixou o cargo de presidente-executivo do Grupo Abril na quarta-feira, 7. A explicação oficial: “Motivos de ordem pessoal”. Quais, ninguém disse, ninguém apurou. Ele foi substituído por Giancarlo Civita, que era o presidente do Conselho Administrativo.

Giancarlo Civita e Victor Civita Neto, proprietários do Grupo Abril, são filhos de Roberto Civita, o fundador, ao lado do pai, Victor Civita, da “Quatro Rodas”, da “Veja” e da “Exame” — carros-chefes do empreendimento do setor de revistas do país.

Substituições abruptas de executivos de ponta são incomuns, até porque prejudicam projetos em andamento e, em alguns casos, resultam em desmanche da equipe que havia sido montada. Arnaldo Tibyriçá, antes de substituir Walter Longo no comando geral, havia sido vice-presidente Jurídico do Grupo Abril por 15 anos. O que explica, de fato, sua saída? Pode ter sido mesmo “motivo pessoal”.

Faturamento insuficiente

Empresas de comunicação são excelentes para comunicar problemas das outras empresas, mas são tremendamente hábeis em esconder os próprios. Não há dúvida de que o Grupo Abril é, no ramo de comunicação, sólido e respeitável. Entretanto, como a maioria das publicações, inclusive as mais qualificadas, como a “Folha de S. Paulo”, enfrenta problemas com faturamento — que, apesar da relativa recuperação da economia, permanece em baixa. A queda de Arnaldo Tibyriçá provavelmente tem a ver com dificuldades em aumentar o faturamento e, ao mesmo tempo, negociar dívidas. Hoje, revistas e jornais comemoram acesso público crescente — na casa dos milhões —, mas sem o faturamento comercial correspondente. A internet potencializa as visualizações, mas não resulta, ao menos no momento, em muito mais dinheiro nas contas bancárias. Google e Facebook faturam alto, mesmo sem produzir conteúdo e, sobretudo, com baixo custo.

Caíram Walter Longo e Arnaldo Tibyriçá — quiçá porque precisavam mas não conseguiram apresentar bons e até médios resultados a curto prazo (o segundo caiu depois de ficar no comando por menos de quatro meses) — e, felizmente para a família, Giancarlo Civita, por ser um dos donos do Grupo Abril, não pode ser demitido.

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