Euler de França Belém
Euler de França Belém

Crise financeira da mídia brasileira não tem a ver só com a crise econômica

Passaralho da Band sinaliza que as empresas, para sobreviver, terão de encolher e precisam buscar inspiração no Facebook e no Google

A crise financeira da mídia antecede a crise da economia patropi e tem pouco a ver com a crise ampliada pela pandemia do novo coronavírus.

A comunicação mudou de maneira extraordinária. As fontes de informação cresceram e se desconcentraram. No Brasil, para ficar num exemplo local, as melhores fontes ainda são os grandes jornais, como “Estadão”, “Folha de S. Paulo”, “Valor Econômico” e “O Globo”, as revistas, como “Época”, “Veja” e “Exame”, e as redes de televisão, como a TV Globo, a Record, a Band, A GloboNews e a CNN Brasil. Mas os leitores e telespectadores não se informam exclusivamente por meio dos veículos tradicionais. Há outros veículos, como a revista “Crusoé”, O Antagonista, Poder 360 e The Intercept Brasil, além de outros, que capturaram parte do leitorado. Há também uma “fuga” de leitores-telespectadores para as redes sociais, como Twitter e Facebook. Quando se quer fazer uma pesquisa, no lugar de recorrer aos jornais, as pessoas se socorrem no Google, por exemplo. E há uma variedade de canais de filmes e séries que estão absorvendo o interesse de grande parte do público.

Alexandre Tortoriello, jornalista | Foto: Reprodução

Quando ao Facebook e o Google, embora não seja produtores de notícias, absorvem, concentram e divulgam reportagens de milhares de publicações abertas. Ao mesmo tempo, ao publicar o que os outros produzem e sem remunerá-los por isso, tanto Facebook e Google descobriram uma mina de diamantes. Trata-se, por assim dizer, da “gigolagem” mais bem remunerada da história. Não há uma grande rede de televisão ou um grande jornal que vale, em termos financeiros, o mesmo que o Facebook e o Google.

Para sobreviver, e mantendo certa qualidade, as redes de televisão estão reduzindo seus quadros, perdendo profissionais altamente qualificados, e pagando salários mais baixos (a Globo não tem conseguindo cobrir os salários pagos pela CNN Brasil). A boa notícia é que, mesmo enxutas, as redes continuam com jornalismo de qualidade (e seus outros produtos também não pioraram). A má notícia é que os bons tempos de altos faturamentos tendem a não voltar. Portanto, a tendência é que os veículos de comunicação fiquem menores e, ainda assim, tentar concentrar energia para fazer um trabalho de qualidade.

Combater o Facebook e o Google para que paguem pelo material que usam é um dos caminhos (alguns jornais estão recebendo migalhas dos dois gigantes). Mas não é salvação da mídia. A tendência é que jornais, revistas e tevês se inspirem no Facebook e no Google e criem produtos que ajudem a manter as empresas, a margem de lucro e os empregos. Talvez tenham de atuar em conjunto. A Apple tende a criar seu Google e daí pode surgir uma parceria mais adequada para jornais, revistas e tevês.

Ludmila Fróes, jornalista | Foto: Facebook

Demissões no Band

A Band demitiu 25 funcionários (repórteres e maquiadores), na semana passada, na sucursal do Rio de Janeiro. O proprietário Johnny Saad disse, em tom lamentoso, que chega a “sonhar” com as desventuras da empresa.

Um dos demitidos é o repórter Alexandre Tortoriello, que trabalhava na Band havia 12 anos. Ele fazia reportagens para o “Bora Brasil” e para o “Jornal da Band”.

A chefe de reportagem da Band, Ludmila Fróes, também foi afastada.

Com 15 anos de Band, Marcos Almeida sairá no fim deste mês. Trabalhava como âncora da Band News FM.

Claudio Giordani assumiu, há pouco tempo, a direção regional da Band Rio. É o substituto de Daruiz Paranhos.

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