Euler de França Belém
Euler de França Belém

Brasil pode despencar para o 14º lugar, em termos de PIB, em 2021

País perdeu espaço para Canadá, Coreia do Sul e Rússia. E corre o risco de ser superado por Austrália e Espanha.  O Brasil, para crescer, precisa de vacinação em massa

Há dois governos federais: o populista-nacionalista do presidente Jair Messias Bolsonaro, em franca hegemonia, e o do ministro da Economia, Paulo Guedes. O de Bolsonaro comete uma série de erros. O de Paulo Guedes não reage, por falta de poder efetivo, como agora na queda do presidente da Petrobrás, que provocou uma desvalorização gigante da empresa, que não é inteiramente do governo, que é apenas seu acionista majoritário (49% pertencem ao mercado).

Paulo Guedes e Jair Bolsonaro | Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Mesmo engessado pela inação de Bolsonaro — que age meramente como político, pensando na reeleição em 2022 —, Paulo Guedes tenta agir como estadista, mas deixou de ser o Posto Ipiranga durante muito tempo. Talvez tenha sido apenas para o presidente ganhar a eleição.

Hoje, se fosse um país, São Paulo estaria competindo de igual para igual com o Brasil. O PIB de São Paulo é o terceiro maior da América Latina, perdendo apenas para Brasil e México, mas superior ao de Venezuela, Argentina, Chile e Colômbia.

A Austin Rating, agência de classificação de risco, aponta que, em 2020, com a queda do PIB — 4,1% —, o Brasil passou de 9ª economia mundial para 12ª — sendo superado por Canadá, Coreia do Sul e Rússia. Mas o economista-chefe da agência, Alex Agostini, traça um quadro ainda pior para 2021: a economia brasileira deve perder mais posições — caindo, possivelmente, para 14º lugar. O país deve ser superado pela Austrália e pela Espanha. (O Brasil já foi a 7ª maior economia global.)

Alex Agostini disse ao “Estadão” que “a desvalorização de 32,9% do real frente ao dólar ano passado [2020] também contribuiu para essa queda no ranking, já que para efeito de comparação dos PIBs estão dolarizados”.

Agostini frisa que “o encolhimento do PIB em relação a outros países mostra perda de eficiência e competitividade da economia. Além disso, a desvalorização cambial acentuada, na comparação com outros países, também mostra que algo está errado, com perda de confiança dos investidores e de produtividade. O ranking funciona como uma espécie de bússola para os investidores, porque revela a grandeza e o histórico que a economia deste país vem ocupando nos últimos anos. A pandemia afetou todo mundo, mas o Brasil acabou sendo mais impactado”.

Em termos de crescimento econômico, o Brasil também despencou, caiu para 21º — perdendo inclusive para a Letônia, a Estônia e a Nigéria.

Brasil tende a crescer 3,3% em 2021

Em 2020, mesmo com as trapalhadas do ex-presidente Donald Trump, os Estados Unidos mostraram força, permanecendo como a maior economia — 20,8 trilhões de dólares, o que representa 23% da economia mundial. A China, a segunda colocada, com um PIB de 14,8 trilhões, equivale a 16,4% da economia global. O Japão vem em seguida, com 4,9 trilhões de dólares — 5,4% da economia internacional. Alemanha, com 3,7 trilhões, é a quarta colocada. O Brasil, com 1,6 milhão de dólares, representa somente 1,6% da economia planetária.

Mesmo com a crise provocada pela pandemia e gestões erradas do governo Bolsonaro — como no caso recente da demissão do presidente da Petrobrás e das privatizações que não andam —, a agência Austin Rating prevê um crescimento de 3,3% do PIB em 2021. “Em 2021 o país vai crescer por efeito estatístico, mas e depois? Provavelmente vamos voltar para a gangorra econômica, porque falta um ambiente político coeso. Em termos estruturais, isto é, fiscal, reformas, atração de investimento, vamos avançar pouco. Tudo isso compromete o crescimento de longo prazo”, sublinha Alex Agostini.

O Brasil poderia atrair mais investimentos externos para aumentar a sua produção industrial, para fortalecer os serviços e, inclusive, o agronegócio. Mas o país, sob Bolsonaro, perde, cada vez mais, prestígio e, sobretudo, credibilidade no mercado externo. Investidores não apreciam aplicar seus capitais em países governados por presidentes erráticos, como o brasileiro. Falar em privatização mas não privatizar é como tentar vender o Céu para quem sabe que está sendo encaminhado para o Inferno.

A referência positiva era Paulo Guedes, mas os investidores começam a perceber que o ministro da Economia tem menos força do que, inicialmente, parecia ter. Há quem o chame, no mercado, não mais de Posto Ipiranga — o chicago-boy que decidiria tudo, ante um dirigente bronco —, e sim de Posto Tabajara. O presidente está, cada vez mais, mostrando ao subordinado que manda e que os projetos do governo, daqui para frente, têm de ser submetidos à agenda do candidato à reeleição. Quando necessário, para manter ou ampliar o eleitorado, Bolsonaro irá fazer média com caminhoneiros (e outros grupos corporativos), apesar das advertências de que, em termos de recuperação da economia, estará cometendo um erro.

República do Cemitério e vacinação em massa

Outro problema, comentado internacionalmente, é que a recuperação da economia depende, antes de tudo, da vacinação em massa da população.

No Brasil, além de não se preocupar com a vacinação em massa — perdendo tempo com picuinhas com governadores, que, mais perto das pessoas reais (e não de certos seres “virtuais” de Brasília e das redes sociais), conhecem os verdadeiros dramas das pessoas (são quase 260 mil mortos) —, o presidente Bolsonaro não usa máscara e convoca as pessoas a saírem às ruas.

É como se fosse a Morte, com feição humana, convocando as pessoas para conhecerem e habitarem os “cemitérios”. Se continuar assim, o Brasil vai ficar conhecido, nos próximos anos, como o país que mais inaugurou não obras para os vivos, sim para os mortos — cemitérios. Bolsonaro pode se tornar conhecido, na disputa eleitoral de 2022, como o Sr. dos Cemitérios, ou Homem das 500 mil mortes.

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