Euler de França Belém
Euler de França Belém

Biógrafo de Capanema diz que Bernardo Élis é baiano e muda seu nome

Fábio Silvestre conta a história da disputa entre o escritor goiano e o político mineiro JK por uma vaga na Academia Brasileira de Letras

“Capanema — Biografia” (Record, 419 páginas), de Fábio Silvestre Cardoso, é um livro exemplar. Pesquisa, escrita e interpretação são de primeira linha. Por isso é lamentável um pequeno erro — que obviamente não prejudica em nada o corpo do trabalho — a respeito do escritor Bernardo Élis, autor de “Ermos e Gerais”, “O Tronco” e “Veranico de Janeiro”.

Nas páginas 363 e 364, Fábio Silvestre Cardoso relata a disputa por uma vaga na Academia Brasileira de Letras entre Juscelino Kubitschek e Bernardo Élis. JK, escriba de cartas, contava com ghost-writers experimentados para escrever seus livros — o que não é incomum (e não tem importância alguma, desde que reflitam com fidelidade o pensamento do contratante). Ainda que politicamente moderado, o presidente queria transformar a ABL numa tribuna, pois sabia que, dada a distensão do governo do presidente Ernesto Geisel, o país caminhava para uma abertura política.

Bernardo Elis e seu romance mais conhecido, “O Tronco”

Embora com o apoio de Jorge Amado e Barbosa Lima Sobrinho, o político mineiro perdeu — diga-se que depois de ter sido senador por Goiás. Teria sido Bernardo Élis apoiado pela estrutura da ditadura civil-militar? Se houve apoio, é um dos acertos do regime dos generais, pois premiou o escritor, aquele que tem uma obra que permanece sólida e reverberando.

Pois, ao narrar a história, Fábio Silvestre Cardoso comete dois erros. Primeiro, muda a grafia de Élis para “Ellis”. Segundo, escreve “o baiano Bernardo Ellis”. O autor do conto “A enxada” nasceu em Corumbá de Goiás. A cidade não fica na Bahia.

Retirados os dois probleminhas, a biografia de Gustavo Capanema é do balacobaco.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.