Euler de França Belém
Euler de França Belém

Bate-Estaca vence Namajunas, ao se mostrar unidimensional, e se torna campeã de MMA

Jéssica Andrade estava lutando MMA, variando estilos, e não estava dando certo. Optou por um caminho único e se tornou campeã

O MMA é, como diz o nome, uma mistura de artes marciais. O lutador mais bem preparado em dois ou três estilos — boxe, jiu-jítsu, muay-thai — tem mais chances de derrotar um adversário unidimensional. Aquele que é plural torna-se imprevisível e pode, por vezes, vencer rivais mais duros e, até, mais preparados, mas com repertório menos diversificado. Na madrugada de domingo, 12, a brasileira Jéssica Bate-Estaca Andrade nocauteou Rose Namajunas e se tornou campeã peso-palha.

Altamente técnica, e dada sua maior envergadura, a estilista Rose Namajunas batia e se afastava, para escapar da pegada implacável da pequena Bate-Estaca (1,54m). Começou bem e estava vencendo a batalha — por sinal, de excelente nível. A brasileira sangrava, não conseguia encantoá-la, mas partia para cima.

Ao perceber que, lutando no campo de Rose Namajunas, o bate-afasta — uma operação de fustigamento, que desgasta —, não dava para ganhar, Jéssica Andrade decidiu partir para o estilo em que se consagrou e, até, deu-lhe o apelido: levantou a americana, com facilidade, e jogou-a no chão.

Rose Namajunas caiu praticamente nocauteada. Dada a queda brutal, com o pescoço entortando, a lutadora teve sorte de não ter se machucado com gravidade.

Bate-Estaca venceu, pode-se dizer, porque, depois de tentar vários estilos, optou por um estilo único, tipicamente seu. Ela teve a percepção precisa de como estava se dando a luta e decidiu mudar, em cima da hora, e deu certo.

Hora das mulheres

Amanda “Leoa” Nunes e Bate-Estaca vão muito bem no UFC. São campeãs e estão em plena forma.

Já os homens não estão num bom momento. Anderson Silva já deveria ter se aposentado, mas permanece não-lutando — como se fosse um samurai fujão — nos octógonos. Seus adversários sabem que não está enfrentando um oponente de peso, e sim um nome, uma lenda. José Aldo, de 32 anos, praticamente não lutou. Tornou-se um lutador temoroso, que não ataca com a volúpia de antes.

Choro de Rhoodes Lima

Ao término da luta, o narrador Rhoodes Lima, do canal Combate, chorou. Faltou profissionalismo? O mais provável é que tenha sobrado humanidade. A vida dura das lutadoras, tanto pela origem social quanto pelos treinamentos que chegam a ser excessivos — daí as lesões —, emociona mesmo.

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