Euler de França Belém
Euler de França Belém

Artigo de Guilherme Fiuza não é patético nem diz que New York Times recebeu dinheiro do petismo

Artigo do colunista da revista Época é irônico e frisa que o jornal americano “comprou” a narrativa do PT e não examina os fatos com precisão

AgNews – Rio de Janeiro, 21/08/2014, Guilherme Fiuza lança livro, Não é a mamãe – Para entender a Era Dilma, na Travessa do Shopping Leblon - RJ Fotos: Felipe Assumpção e Léo Marinho / AgNews

Guilherme Fiuza, jornalista: colunista da revista Época | Fotos: Felipe Assumpção e Léo Marinho / AgNews

O Portal Imprensa é cuidadoso ao apresentar as informações, sempre apresentando as versões em conflito. Mas um título publicado na segunda-feira, 13, destoa de sua qualidade editorial: “Colunista polemiza ao acusar mídia estrangeira de receber para criticar Temer”. Na verdade, no artigo “Carta aos covardes”, Guilherme Fiuza (foto acima), colunista da revista “Época”, em nenhum momento diz que o “New York Times” está recebendo dinheiro para atacar o presidente Michel Temer e defender a presidente afastada Dilma Rousseff. Não há acusação alguma. Na verdade, o que o Portal Imprensa toma como literal é mera ironia do jornalista brasileiro. O que ele diz é que o “Times” está comprando a “narrativa” petista.

O que Guilherme Fiuza, e todos sabem que é verdadeiro, inclusive os editores do Portal Imprensa, afirma é que o lulopetismo montou uma rede de informação, para-oficial, para defender o governo de Dilma Rousseff, o PT e Lula da Silva e atacar a oposição. Vários blogs-pistoleiros passaram a receber dinheiro, numa quantidade surpreendente, para “atirar” nos críticos do lulopetismo.

Simon Romero é correspondente do Times

O correspondente do “Times”, Simon Romero (foto acima), decerto se esqueceu que, quando presidente, Lula da Silva tentou expulsar seu colega Larry Rohter do Brasil. Numa entrevista a Bruno Astuto, da “Época”, Rohter disse, ao ser perguntado se se considera “um jornalista polêmico”: “Não tenho medo de ir fundo e investigar as coisas mais pesadas. Até hoje acho que aquela matéria sobre o caso Celso Daniel (prefeito do PT que foi assassinado em Santo André) provocou a ira de alguns políticos importantes do PT e eu corri risco de morte, mas isso para mim é história e o país já está em outra etapa”.

Ao se esquecer do que aconteceu com seu colega Larry Rohter, Simon Romero disse que o artigo “Carta aos covardes”, de Guilherme Fiuza, é patético. Ora, no lugar de usar uma palavra que nada diz, deveria tê-lo esmiuçado, apontando suas possíveis insuficiências (uma delas: há mesmo jornalismo independente em algum lugar do mundo?), o que não fez. Acrescente-se que Larry Rohter, comentando o episódio em que o presidente da República, Lula da Silva, mobilizou-se para expulsá-lo do país, disse: “A imprensa brasileira, mesmo não gostando da matéria, defendeu a liberdade de imprensa e eu fui beneficiado por isso”.

A seguir, leia o artigo de Guilherme Fiuza.

Carta aos covardes

A imprensa internacional precisa tomar um pouco de vergonha na cara, dear fellows

Guilherme Fiuza

O New York Times disse que o governo Temer soluça de crise em crise. Será que o jornal americano também está na folha dos companheiros? Estaria o NYT precisando também da mesada que nossos bilionários heróis progressistas pagam aos bravos e incorruptíveis jornalistas de aluguel deste país?

A imprensa internacional precisa tomar um pouco de vergonha na cara. Só um pouco. Sabem por que, dear fellows? Porque o Brasil não tem a menor importância para vocês, e tudo certo que assim seja, mas vocês têm de poder voltar para casa e se olhar no espelho do mesmo jeito, entendem?

A mídia tradicional (“tradicional” não é pejorativo, queridos moderninhos, pode ser ótimo) europeia e americana parece ter comprado a versão do golpe de Estado no Brasil. A maior parte dela andou “denunciando” o fato, ou flertando com a tese vagabunda – espalhada pelos parasitas que sugaram o Brasil por 13 anos sem dó nem piedade, e agora são apoiados pela MPB, intelectuais patéticos e artistas lunáticos (ou bem pagos).

Prezados correspondentes internacionais, façam o seu trabalho direito. Isso aqui não é brincadeira, embora pareça. Esses “progressistas” que vocês preguiçosamente adotaram como fonte, reproduzindo o discurso que a inacreditável Dilma Rousseff anda repetindo por aí, como alma penada, são nada menos que delinquentes, caros colegas gringos. Vocês estão dando voz a uma “narrativa” que roubou o Brasil – e está desesperada para continuar roubando.

Não é bom generalizar, mas as exceções compreenderão. A palhaçada passou do ponto. Ladies and gentlemen, tomem o caminho da roça. Vão à luta. Se mandem para a Venezuela, que tal? Vocês saberão puxar o saco do sanguinário Nicolás Maduro, que destruiu um país com o mesmo chavismo com que a picaretagem petista – suas adoradas fontes – jogou o Brasil em dois anos seguidos de recessão, que se completam agora.

Publiquem aí, seus irresponsáveis: dois anos de recessão no Brasil são culpa de Michel Temer, que não botou mulher no ministério. Vocês são umas crianças patéticas com seu proselitismo politicamente correto. Essa corrente “progressista” – nacional, internacional ou sideral – que resolveu se pendurar em dogmas vagabundos para sabotar tudo que não seja o PT no poder é criminosa. Não há outra definição. Vamos explicar às crianças trapalhonas: o governo podre que arrebentou com o Brasil se fazendo de coitado (há algo mais humilhante?) foi deposto por um, apenas e tão somente um, dos crimes que cometeu – e foi uma floresta de crimes, queridos siderais.

Bem antes do petrolão – esquema que vicejou graças a esse mesmíssimo discurso de vítima que agora vocês repetem em defesa de Dilma e Lula, vá entender –, aqui neste mesmo espaço, criticávamos (sem efeito nenhum, é bem verdade) a chamada “contabilidade criativa”. Era outro nome para as pedaladas, que se mostraram um apelido mais eficiente para ensinar ao jardim de infância que o Tesouro Nacional estava sendo roubado pela malandragem fiscal – o crime que derrubou Rousseff, queridos heróis da resistência democrática.

Ainda não havia Sergio Moro nem Joaquim Barbosa, portanto Lula, Dirceu e sua camarilha ainda eram santos – e não foram poucas as “sugestões” para este colunista mudar de assunto: “Vai perder a coluna”, alertavam. Este signatário respondia que preferia perder a coluna a perder o juízo. Continua preferindo. Mas isso não é fácil de entender para os que veem a vida como uma vaga no curralzinho VIP da revolução fisiológica. A coreografia de um esganado para não largar seu osso é um espetáculo ornamental.

Prezado Michel Temer, diante deste show avassalador de desonestidade intelectual, charme parasitário e bravura cafajeste, você só tem uma saída: governar. Essa é a sua missão na Terra. Cumpra-a até o fim, custe o que custar. Você teve a coragem de demitir os suspeitos – o que o PT jamais fez, a não ser quando estavam na porta da cadeia – e mais que isso: a coragem de trocar os simpáticos pilantras no topo do governo pelos melhores – que aqui da planície achávamos até que não topariam a encrenca. Toparam. E os melhores vão melhorar a vida inclusive dos canastrões que os atacam impiedosamente. Não espere por essa piedade. Ela não vale nada.

Guilherme Fiuza é colunista da revista “Época”. Artigo de 10 de junho deste ano.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.