Euler de França Belém
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Ao chamar a jornalista Miriam Leitão de “Leitoa”, Bolsonaro exibe violência e arcaísmo

Marketing do candidato a presidente trabalha par acabar com sua imagem de misógino, mas parece impossível

Miriam Leitão é uma das jornalistas mais categorizadas do país. É uma articulista de primeira linha, tanto na televisão quanto em jornal impresso. É uma das profissionais mais prestigiadas nos veículos do Grupo Globo, como a GloboNews e o jornal “O Globo”. Não contente em brilhar como comentarista econômica, costuma fazer reportagens de qualidade para a televisão, além de escrever livros nos quais exibe amplo conhecimento da economia do país. Permanece uma grande repórter.

O fato de ter combatido a ditadura civil-militar, militando em organização esquerdista, não a desmerece. Mesmo se continua tendo simpatia pela esquerda, um direito seu, não há nada que a desabone. Na verdade, depois da fase “guerrilheira”, suas posições estão mais próximas da socialdemocracia do que do comunismo e do liberalismo.

Quando o candidato a presidente da República pelo PSL, Jair Bolsonaro, chama a jornalista de Miriam “Leitoa”, sugerindo que vive num chiqueiro, agride a profissional e o ser humano — que, a despeito de questioná-lo, sobretudo sobre suas debilidades em termos de entendimento do funcionamento da economia, o trata com o respeito necessário. Não só. Agride também os telespectadores e os eleitores e desmerece a si.

A pose de homem “brabo”, que diz o que quer e não respeita ninguém, pode até agradar parte do eleitorado — que está em busca de salvadores da pátria que se comportam como justiceiros. Mas em política, quando se começa a pregar para os convertidos, não se conquista votos novos. A resistência a Jair Bolsonaro no eleitorado feminino tem a ver, na maioria das vezes, com sua violência verbal, na maneira com a qual trata as pessoas, notadamente as mulheres.

Jair Bolsonaro começou a aparecer com sua mulher, para suavizar a imagem de misógino. Mas, quando chama Miriam de “Leitoa”, todo o trabalho de marketing cai por terra. Os eleitores — não só as eleitoras — percebem que o político “verdadeiro” não é o que seu marqueteiro começa a produzir, e sim aquele que maltrata as pessoas, usando linguagem chula para tentar desqualificá-las. A violência verbal revela não coragem, e sim arcaísmo e selvageria.

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RACHID MALUF

Respeitar a Míriam, como pessoa, é uma coisa. Outra, é concordar com parte de seu passado, qdo lutava pela asquerosa “ditadura do proletariado”. E é muita burrice confundir misoginia com grosseria… No mais, ele disse que como “Leitoa” o lugar dela seria no “chiqueiro da história”. Não distorça as palvras nem contextos: não seja desonesto.