Antonio Risério desanca a Sociologia da USP e valoriza Joaquim Nabuco, Gilberto Freyre e Euclides da Cunha
19 setembro 2026 às 21h00

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Antropólogo e historiador, Antonio Risério é o intelectual que não segue “rebanhos”. Por isso, é um caso raro no Brasil.
Com seus muitos livros, sempre inquiridores, portanto polêmicos, costuma chocar os bem-pensantes da esquerda — e, dada sua capacidade de incomodar todos os coros, dos contentes aos descontentes, não deve ser apreciado pela direita patropi.
Pode-sugerir que, de alguma forma, Antonio Risério é um pensador à parte. Não integra exércitos intelectuais — à esquerda ou à direita. É um socrático livre, quem sabe. Não é membro de hordas. Há algum tempo, quando Lilia Moritz Schwartz publicou uma biografia de Lima Barreto, foi um dos primeiros a apontar os problemas da pesquisa (confira: https://tinyurl.com/y63k238e).
O pensamento resistente às hegemonias intelectuais de Antonio Risério sai em livro de editoras menores, mas corajosas, como a Topbooks (por sinal, excelente) e a LVM.

No domingo, 13, o repórter Lauro Jardim, de “O Globo”, publicou uma nota — “Novo livro de Antonio Risério já está destinado à polêmica” — informando que mais uma obra do escritor e crítico baiano está chegando às livrarias. Os sites das livrarias (Travessa, Martins Fontes, Amazon, Leitura) ainda não estão vendendo a obra “A Sociologia Paulista Contra o Pensamento Social Brasileiro” (Topbooks, 375 páginas).
Sempre cáustico, Risério “critica a hegemonia da sociologia paulista, especialmente a USP, tachada como ‘a casa-grande uspiana’, por manter o que chama de monopólio do saber social no país, empobrecendo o debate e bloqueando autores como Joaquim Nabuco, Euclides da Cunha e Gilberto Freyre”
Lauro Jardim informa que, este mês, o livro de Antonio Risério chegará às livrarias. O jornalista nota, com acerto, que a provocação, que não é gratuita — e sim o registro de um fato —, já começa pelo título.

Sempre cáustico, o intelectual rigoroso, aponta Lauro Jardim, “critica a hegemonia da sociologia paulista, especialmente a USP, tachada como ‘a casa-grande uspiana’, por manter o que chama de monopólio do saber social no país, empobrecendo o debate e bloqueando autores como Joaquim Nabuco, Euclides da Cunha e Gilberto Freyre”.
Eu acrescentaria Darcy Ribeiro, que, apesar da proximidade com alguns uspianos, é, de certa maneira, um pensador divergente — chegou, inclusive, a prefaciar uma edição de “Casa Grande & Senzala” (Darcy Ribeiro não é citado por Lauro Jardim, mas é arrolado por Antonio Risério). E não deixaria de lado Hélio Jaguaribe.
Ao longo da história, o pensamento “da” Universidade de São Paulo, e não apenas na Sociologia, se tornou uma espécie de metrópole da colônia brasilis. Intelectuais importantes de outras searas, se não tiverem cursado metrado e doutorado uspianos, são solenemente esquecidos. Quem pensa fora da caixinha da USP é visto como não-pensador.

A obra de Antonio Risério é polêmica, mas não lhe falta rigor acadêmico e seriedade. Por isso, precisa ser analisada e discutida com atenção pelo mundo universitário, inclusive pela USP (que, durante anos, foi desancada por Paulo Francis, que deleitava-se escrevendo “Pucuspe”. Incluía a PUC de São Paulo, uma espécie de “filial” da USP, ao menos em algumas áreas.
A confraria reunida na USP declarou guerra sem tréguas a Gilberto Freyre, fechou as portas para Guerreiro Ramos, fraudou a obra de Ruy Mauro Marini, passou a olhar Darcy Ribeiro com desconfiança e ainda hoje, depois de todo esse tempo, leva seus herdeiros a tentar desqualificar e sabotar Roberto Mangabeira Unger
Da farta obra de Antônio Risério, arrolo quatro livros: “Mestiçagem, Identidade e Liberdade” (Topbooks, 365 páginas), “Identitarismo” (LVM Editora, 280 páginas), “Adeus, Identitarismo — A Hora da Maré Vazante” (LVM Editora, 208 páginas) e “As Sinhás Pretas da Bahia — Suas Escravas, Suas Joias” (Topbooks, 439 páginas).

Aos 72 anos, Antonio Risério é uma máquina de produzir livros de qualidade. Não é politicamente correto? Diria diferente: é um pensador inquieto, hábil em desfazer mitos.
Leia o release da Editora Topbooks
“Eis aqui um ensaio para colocar as coisas em seus devidos lugares. Durante décadas, a sociologia marxista de São Paulo (praticada principalmente por Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso), com financiamento estrangeiro e procedimentos nem sempre éticos, impôs e manteve um monopólio do saber sociológico no Brasil, bloqueando e combatendo o pensamento social brasileiro que não se ajoelhava no altar da casa-grande uspiana.

“Além de dar as costas ao passado, onde rebrilharam vozes como as de José Bonifácio, Joaquim Nabuco, Euclides da Cunha e Alberto Torres, a confraria reunida na USP declarou guerra sem tréguas a Gilberto Freyre, fechou as portas para Guerreiro Ramos, fraudou a obra de Ruy Mauro Marini, passou a olhar Darcy Ribeiro com desconfiança e ainda hoje, depois de todo esse tempo, leva seus herdeiros a tentar desqualificar e sabotar Roberto Mangabeira Unger.
“É justamente essa visão paulistocêntrica da realidade brasileira que é questionada frontalmente neste livro do antropólogo, poeta, romancista, produtor cultural e palestrante Antonio Risério, que limpa o caminho para futuros voos da reflexão social no Brasil.
“Os ensaios ‘Dependência e revolução, submissão e utopia (Fernando Henrique Cardoso e Ruy Mauro Marini)’ e ‘A cabeça da serpente e Roberto Mangabeira Unger’ são de autoria, respectivamente, do historiador e jornalista Gustavo Falcón e do cientista político e professor Carlos Sávio Gomes Teixeira.”


