5G chinês pode tirar do Brasil empresas americanas, alerta embaixador dos EUA

Risco seria na segurança, com o temor de espionagem industrial. No meio da briga, inclusive em Goiânia, ficam as vítimas apanhando dos dois lados

Nilson Gomes

Os Estados Unidos e a China disputam, sem trégua, o apoio do Brasil na área de tecnologia. A bola da vez, divididíssima, é 5G, a quinta geração da Internet móvel, que seria 20 vezes melhor que a atual, o 4G. Um dos países mais emblemáticos que ainda está em dúvida, o Reino Unido, já desceu do muro — do lado de cá do Atlântico. Sem a Inglaterra, os chineses estão cercando a América do Sul (teriam financiado equipamentos para 13 nações vizinhas). E a reação mais dura veio na tarde desta quarta-feira, 29 de julho.

Todd Crawford, embaixador dos Estados Unidos no Brasil, e o presidente Jair Bolsonaro: ameaças de um aliado ideológico | Foto: Reprodução

O embaixador dos EUA no Brasil, Todd Crawford Chapman, disse ao jornal “O Globo”que o País vai ter de “aguentar as consequências” caso acolha o 5G chinês. Uma delas, a mais grave possível, foi citada pelo diplomata: as empresas americanas deixarem o Brasil.

Sabe-se que por trás do duelo entre as duas potências está a reeleição de Donald Trump, que tirou a primeira vitória brigando com os mexicanos e agora, em novembro, quer fazer dos chineses seus malvados favoritos.

Huawei, a empresa que coloca a China no mapa-múndi dessa tecnologia, virou encarnação do mal devido ao suposto Império da Pirataria. Na visão do governo americano, o mercado ficaria vulnerável com todos os seus dados ao dispor dos chineses. As multinacionais tremeriam de medo da espionagem industrial.

Todd Crawford: Brasil terá de “aguentar as consequências” caso acolha o 5G chinês | Foto: Reprodução

Em meio ao pandemônio estão os usuários brasileiros, que já tiveram de aguentar dois cancelamentos do leilão do 5G e vão esperar até 2021, em dia e mês ainda incertos. Impotentes diante dos gigantes, só resta esperar por bom senso.

Goiânia, que tem pit dog à ufa, mas adora sanduíche do McDonalds com Coca-Cola e do Burger King com Pepsi, tem de engolir a ameaça de ficar sem os empregos e sem os investimentos — além de sem as bebidas e os hambúrgueres.

Pode ser um blefe do embaixador, mas nestes tempos de crise é melhor não pagar pra ver.

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