Fatos e boatos sobre a quinta geração da Internet despertam interesse e só serão confirmados ou desmentidos de vez quando implantada pra valer

Nilson Gomes

A empresa de telefonia Vivo marcou para este fim de mês (dia 27 ou talvez ainda na sexta-feira desta semana) o começo dos ajustes para implantar a quinta geração da Internet, o já famoso 5G. Enquanto a grande novidade da tecnologia é aguardada, sobram fofocas, fake news e bobagens do gênero. A mais nova, incitada por reportagem doe um programa de televisão, é que o 5G mata aves. Especialistas debatem, uns duvidam, outros se recusam a endossar a tolice e há os que querem ver o chip pegar fogo.

Quem adora ao mesmo tempo os animais e os avanços da inovação, inclusive eu, teria de optar — ou a Internet das Coisas ou o belo canto dos passarinhos.

Quer dizer, então, que os pombos da Praça Cívica estão sumindo porque a Vivo escolheu o Centro de Goiânia para as primeiras experiências?

O gramado do Estádio Olímpico vai perder os quero-queros, atrações que salvam os jogos ruins do Campeonato Goiano de futebol?

A Praça do Trabalhador ficará sem os oportunistas? E aqui a referência não é aos componentes da Câmara Municipal, construída dentro do equipamento público, mas aos melros, que colocam ovos em ninhos dos outros e vão embora deixando as “despesas”.

Nada disso.

Apesar de veículos sérios darem espaço para o caso de aves que teriam morrido em Haia, na Holanda, supostamente vítimas da tecnologia, não há qualquer comprovação que associe uma coisa a outra, o 5G à mortandade.

Aliás, o episódio nos Países Baixos não resistiu sequer à comparação das datas. A morte de 150 pássaros ocorreu bem antes da instalação do 5G em território holandês.

Não há qualquer risco para os canarinhos graduados da Praça Universitária, as corujas da Praça do Cruzeiro, os periquitos que fazem festa no Setor Sul e as demais fontes de felicidade voadoras que colorem o Céu de Goiânia, acariciam os tímpanos com seu canto.

Na verdade, o 5G só vai deixar de preencher posts de teorias da conspiração quando estiver funcionando a plena satisfação. E não é para já: o governo brasileiro, infelizmente, deixou de priorizar a revolução que a novidade representa. Adiou para 2021 o leilão entre empresas. Está em suspense até a alternativa entre o modelo chinês e o defendido pelos Estados Unidos.

O 5G será útil não apenas para baixar jogos e filmes, ou transmitir sem quedas uma ligação de vídeo. Sua essência é a de servir em áreas como agricultura, segurança (pública e nacional), geração de empregos, saúde.

Países rarefeitos a tecnologia, iguais ao Brasil, será colocado na Era da Internet das Coisas, que ganhou notoriedade com os gracejos sobre geladeira conversar, e da Inteligência Artificial, ainda restrita a título de filme.

Os milhares de pássaros estão a salvo, assim como nossa imaginação, que voa mais do que eles.

Nilson Gomes, jornalista, é colaborador do Jornal Opção.