Euler de França Belém
Euler de França Belém

21 livros que ajudam a entender Fidel Castro, Che Guevara, a Revolução Cubana e a longeva ditadura

A história não irá absolver Fidel Castro, um ditador que encarcerou e matou milhares de cubanos, unicamente por que discordavam de seu governo totalitário

A história raramente absolve. Há políticos que ficam cada vez maiores, como Abraham Lincoln, Winston Churchill, Franklin D. Roosevelt e Juscelino Kubitschek. O presidente Getúlio Vargas contribuiu para fortalecer o país, formatando um Estado nacional relativamente sólido.

Entretanto, a história não o absolve, devido à brutalidade do Estado Novo (e mesmo antes, como revela o livro “Memórias do Cárcere”, de Graciliano Ramos). Morto recentemente, Fidel Castro, o heroico guerrilheiro de Sierra Maestra, que se tornou comunista pelas circunstâncias, começou muito “bem”, se tornou uma lenda viva internacional, mas, nos últimos anos, sua história só tem piorado. A tendência é que o ícone de Cuba fique com uma imagem cada vez mais parecida com a do soviético Ióssif Stálin. Não será “absolvido”, ao contrário do que pretendia. A história não absolve ditadores… sanguinários.

Numa coisa, Fidel Castro foi esperto. “Estava” no poder, mandava em Raúl Castro, mas, para todos os efeitos, o hermano é quem presidia o país. Os cubanos já se acostumaram ao seu picolé de chuchu. Se Fidel Castro tivesse morrido no poder, é provável que, apesar da poderosa polícia política, Raúl Castro não conseguisse se manter no poder, ou teria de se esforçar muito para continuar mandando. Inclusive com mais violência policial-militar.

Há uma saída para Cuba? Como não se trata de uma China — quer dizer, de um país rico —, é pouco provável que se tenha condições de criar um socialismo-capitalismo de Estado. O único caminho é a retomada do capitalismo e, com o fim da dinastia Castro — que está por um sopro (quiçá a morte de Raúl Castro) —, a reinstalação da democracia.

Há quem sugira que a verdadeira Revolução Cubana é cultural e se deu antes do movimento de 1959. O prosador e poeta Lezama Lima é autor de “Paradiso”, o mais importante romance da história da literatura do país. Em termos de qualidade, é um misto de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, e “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa. Há também Alejo Carpentier, Virgilio Piñera, Guillermo Cabrera Infante, Severo Sarduy. A música é de rara excelência: Rubén González, Bebo Valdés, Bola de Nieve, Chucho Valdés, Compay Segundo, Ibrahim Ferrer, Omara Portuondo e Celia Cruz.

Cuba — Uma Nova História
Richard Gott

124143Uma ótima história geral sobre o país da dinastia Castro, enfocando não apenas os períodos pré e pós-revolucionário, é “Cuba — Uma Nova História”, de Richard Gott. Não se espere “ataques” aos comunistas, pois se trata de um bem documentado estudo histórico. Mas há, claro, críticas. A grave relação do regime cubano com integrantes de um dos carteis da cocaína colombiana é apresentada de maneira objetiva, sem excessos. O pesquisador mostra que o fim da União Soviética desequilibrou Cuba. “A produção [de açúcar] caiu de 8 milhões de toneladas em 1989 para 3,6 milhões em 2001. (…) Cuba foi particularmente afetada pelo crescimento da produção no Brasil. (…) A indústria do turismo, que é agora a principal fonte geradora de divisas da ilha, já havia superado o açúcar em 1995.” Palavras finais do livro do professor da Universidade de Londres: “Quando [Fidel Castro] morrer, haverá pouca mudança em Cuba. Enquanto pouca gente via, a mudança já ocorreu”. Um pouco antes, afirma: “Cuba já vem sendo governada há vários anos por um governo pós-Castro”. O livro é de 2004. Jorge Zahar Editor, 427 páginas, tradução de Renato Aguiar.

 

Ascensão e Queda do Comunismo
Archie Brown

29002142O livro não trata só de Cuba, mas há um capítulo equilibrado sobre o país. Um leitor de direita dirá que é equilibrado demais. Um leitor de esquerda dirá que se trata de uma leitura anticomunista. “O Produto Nacional Bruto caiu entre 1961 e 1963 e os problemas econômicos sérios persistiram. A União Soviética ajudou, fazendo um acordo em 1964 para comprar a maior parte da produção cubana de açúcar durante os cinco anos seguintes a um preço melhor que o do mercado internacional. (…) Especialistas em saúde pública de Harvard sugeriram que o ‘paradoxo do sistema de assistência médica de Cuba’ era que o país tinha poucos recursos, que a prevenção se tornava ‘o único meio de manter a população saudável a um custo acessível”. Sobre educação: “Mesmo antes da revolução, o país tinha um dos maiores índices de alfabetização da América Latina — 75%”. Sobre melhoria social: “O relativo fracasso econômico em Cuba é uma característica de um sistema que reduz gradualmente a desigualdade, mas à custa de um padrão de vida baixo, comum à maioria da população”. Archie Brown é professor de Oxford. Record, 852 páginas, tradução de Bruno Casotti. (“Camaradas — Uma História do Comunismo Mundial”, de Robert Service, Editora Difel, 658 páginas, tradução de Milton Chaves de Almeida, é uma história extraordinária do comunismo, inclusive do cubano.)

 

O Livro Negro do Comunismo
Stéphane Courtois

300869Stéphane Courtois, NicolasWerth, Jean-Louis Panné, Andrzej Paczkowski, Karel Bartosek e Jean-Louis Margolin são os organizadores do livro. O texto “Cuba — O Interminável Totalitarismo Tropical”, de Pascal Fontaine, é instrutivo. “Em 1952, Cuba ocupava o terceiro lugar entre os 20 países latino-americanos relativamente ao Produto Nacional Bruto por habitante; e 30 anos mais tarde, após mais de 20 anos de castrismo, tinha caído para a 15ª posição, somente à frente da Nicarágua, de El Salvador, da Bolívia e do Haiti.” A taxa de analfabetismo, em 1959, era de 22% (a mundial era de 44%). O autor relata que Fidel Castro criou campos de concentração e trabalhos forçados, como El Manbi, com mais de 3 mil prisioneiros. “Em 1986, estimava-se de 12 mil a 15 mil o número de prisioneiros políticos. Desde 1959, mais de cem mil cubanos conheceram os campos, as prisões. Entre 15 mil e 17 mil pessoas foram fuziladas.” Bertrand Brasil, 917 páginas, tradução de Caio Meira.

 

A Bandeira Vermelha — A História do Comunismo
David Priestland

bandeira-vermelhaO livro do historiador David Priest­land, professor da Universidade de Oxford, não é, obviamente, um panfleto pró ou anticomunista. É um estudo sério e amplo. A Revolução Cubana de 1959 é tratada no contexto do comunismo internacional, mas sem muito destaque. O pesquisador sugere que Fidel Castro e Che Guevara, possivelmente pela escassez de recursos, decidiram implantar um comunismo ascético. “Os cubanos foram mobilizados a trabalhar por sua pátria em troca de pouca recompensa individual.” O chamamento à participação agradou, ao menos num primeiro momento, e não apenas em Cuba. A obra relata que Fidel Castro, conversando com aliados, pediu um “bom economista” para dirigir o Ministério da Indústria e o Banco Central. Surpreendeu-se a ver Che Guevara com a mão levantada. “Mas, Che, não sabia que você era economista!”, exclamou o chefão. “Che retrucou: ‘Ah, pensei que você precisava de um bom comunista’”. O objetivo de Priestland não é desqualificar, mas fica evidente que faltavam qualificações técnicas aos esquerdistas cubanos.

 

Fidel Castro — Uma Biografia Consentida
Cláudia Furiati

46335453Coube a uma brasileira a tarefa de escrever uma das mais alentadas biografias de Fidel Castro. Os dois volumes, apesar do caráter hagiográfico, são importantes para compreender o líder cubano da infância à velhice. Como Stálin, foi educado por jesuítas.

A autora mostra que quase sempre foi um articulador hábil e, sobretudo, um líder em busca de um “rebanho”. Nunca um liderado. Por vezes, lendo a pesquisa de Furiati, fica-se a pensar que o cubano é um santo laico. Editora Revan, 828 páginas.

 

 

Fidel — Um Retrato Crítico
Tad Szulc

20893485O livro tem a virtude de ser obra de um jornalista atento e o defeito de ter sido publicada em 1986 (Fidel Castro viveu mais 30 anos). Não pega, por exemplo, a debacle da União Soviética, que levou Cuba à ruína. Szulc mostra que, à semelhança com Stálin, o líder comunista incentivou o culto à personalidade. O mito Fidel Castro é uma construção de Fidel Castro e acólitos — não é natural. Pessoas do mundo inteiro, e não só de esquerda, foram bombardeadas com informações positivas — todas preparadas ao estilo Goebbels, com uma verdade “imprensada” por dezenas de mentiras, que se tornaram verdades — sobre Cuba e Fidel. A história do guerrilheiro lendário “pegou”. “Fidel Castro é um mestre no uso de grandes fatos e obscuras estatísticas para ganhar pontos políticos, menosprezando e ridicularizado os objetos de seus ataques e divertindo sua audiência enquanto fala.” Cuba, de Satélite da União Soviética, se tornou um satélite da Venezuela. O motivo? Aquilo que move o mundo: petróleo. “Cuba dependia da União Soviética para 98% de sua demanda de petróleo.” A produção de Cuba se tornou menor do que a de 1959. Por isso, Fidel Castro tomou “a iniciativa sem precedentes, entre 1985 e 1986, de comprar, à vista, açúcar da República Dominicana a fim de manter as cotas para a URSS”. Editora Best Seller, 803 paginas, tradução de Jusmar Gomes.

 

O Jovem Fidel Castro
Roniwalter Jatobá

o-jovem-fidel-castro-roniwalter-jatoba-8574921793_200x200-pu6eb714d3_1O livro do jornalista Roniwalter Jatobá é uma introdução objetiva e bem escrita à vida do jovem Fidel Castro (que era quase tão facinorosa quanto a de Stálin, o georgiano). Não é uma obra alentada e comenta a Revolução Cubana de 1959 en passant. O objetivo, como informa o título, é contar a vida do jovem político, que, aliás, até 1959, não era comunista.

Che Guevara e Raúl Castro eram marxistas, mas não Fidel Castro, que integrava-se à categoria dos nacionalistas. Mais tarde, tendo se aproximado da União Soviética, para sobreviver politicamente no quintal dos Estados Unidos, tornou-se um comunista empedernido. Editora Nova Alexandria, 159 páginas.

 

Fidel — Uma Biografia Política
Herbert L. Matthews

fidel-castro-uma-biografia-politicaO livro, de 1969, é uma das primeiras tentativas de explicar Fidel Castro. Herbert L. Matthews, grande jornalista do “New York Times”, é um dos responsáveis pela criação do mito cubano (como explica muito bem o livro “O Homem Que Inventou Fidel”, de Anthony DePalma, Editora Companhia das Letras, 400 páginas, tradução de Pedro Maia Soares).

Mesmo sendo pró-Fidel na maioria das vezes, seu livro, até pelo pioneirismo, vale ser lido. O repórter às vezes sobrepõe-se ao, digamos, propagandista. Editora Civilização Brasileira, 395 páginas, tradução de Álvaro Cabral.

 

Retrato de Família Com Fidel
Carlos Franqui

retrato-de-familia-com-fidel-1419158851-184x273O livro de Carlos Franqui é de excelente qualidade, a começar da capa e do prefácio de G. Cabrera Infante. Na capa aparecem três variações de uma mesma foto. A primeira mostra Fidel Castro falando ao microfone, um homem não identificado e, no centro, o aliado Carlos Franqui. Na segunda, caído em desgraçada, Franqui não aparece mais — os comunistas o eliminaram da história de Cuba. Na terceira, não aparece nem mesmo o homem que segura o microfone. Apesar de revolucionário de primeira hora, de jornalista preparado (editou o jornal “Revolución” e pôs no ar a Rádio Rebelde), tornou-se um pária — até escapar do país. No livro, Franqui revela que o general espanhol F. Ciutah, homem dos comunistas soviéticos, liderou a defesa cubana na Baía dos Porcos. O estrategista por trás da vitória não foi o comandante-chefe. “Em Franqui o estilo é história”, sintetiza Cabrera Infante. Editora Record, 251 páginas, tradução de Fábio Fernandes da Silva

 

El Magnífico — 20 Ans au Service Secret de Castro
Juan Vivés

el-magnifico-20-ans-au-service-secret-de-castroO agente secreto Juan Vivés, um dos principais aliados de Fidel Castro e Che Guevara, caiu em desgraça e escapou para a França. Para não ser assassinado, divulgou que poderia revelar segredos do regime comunista. O livro, portanto, não diz “tudo”, mas revela muito sobre a dinastia Castro. Raúl Castro, por exemplo, seria homossexual (é mais tolerante com os homossexuais do que Fidel havia sido). O ex-agente afirma que o chefão cubano se produziu como uma figura performática, de maneira estudada, nada natural. Relata que os castristas tomaram o poder com facilidade, praticamente sem reação do governo de Fulgencio Batista. A mitificada Revolução teria sido um “passeio”. Revela que padres da Teologia da Libertação contaram ao governo cubano segredos de fieis importantes (obtidos nas sagradas confissões). Salvador Allende não teria sido assassinado pelas tropas do general Augusto Pinochet; teria sido executado pelo cubano Patricio de la Guardia, que, ao lado do irmão Tony e outros, fazia parte da guarda do presidente socialista chileno. Leia o que se diz em resenha de Irapuan Costa Junior, publicada no Jornal Opção: “Patricio contou-lhe que, por ordem de Fidel, executara Allende” (o filósofo Victor Farías endossa a versão). O líder chileno queria se asilar na Embaixada da Suécia. “Fidel queria criar o mito de Allende resistindo até a morte.” Curiosamente, os agentes cubanos sobreviveram. Éditions Hugo et Compagnie, 305 páginas, tradução de Joseph Labordeta.

 

A Vida Secreta de Fidel
Juan Reinaldo Sánchez

42269912A revista “Forbes” apresentava Fidel Castro como bilionário, com sua fortuna depositada em bancos da Suíça. Ditadores, mesmo os mais longevos, como os integrantes da dinastia Castro, sabem que, um dia, a população pode se revoltar e, por isso, terão de sair às pressas de seus países. Sabe-se que, enquanto os cubanos são pobres — o comunismo empobreceu quase todos, exceto a nomenklatura —, os Castro são ricos e vivem nababescamente. A história está relatada no livro “A Vida Secreta de Fidel”, escrito por Juan Reinaldo Sánchez, ex-guarda-costas de Fidel (por 17 anos) e pelo jornalista francês Axel Gyldén. Sánchez revela que Fidel é dono da ilha Cayo Piedra, onde tem uma mansão cinematográfica, de um iate luxuoso, o Aquarama II, mais de 20 casas e de Mercedes-Benz blindados. O ex-agente informa que Silvino Álvarez é um sósia do ditador. Quando Fidel Castro adoecia, Álvarez circulava pela cidade num Mercedes. O uísque preferido era o Chivas Regall. Editora Paralela, 224 páginas, tradução de Julia da Rosa Simões.

 

Fidel Castro — Biografia a Duas Vozes
Ignacio Ramonet

3249058O título sugere uma coisa que o livro não comprova. Longe de ser vozes em confronto, o que se tem é uma voz, a de Ignacio Ramonet, sufocada pela outra voz, a de Fidel Castro. A obra resulta de 100 horas de entrevistas com o líder cubano. Por mais que o jornalista franco-espanhol tente pressionar, em busca de informações novas e verdadeiras, o que se verifica é um verdadeiro baile, com o mítico político dizendo exclusivamente o que quer, não se sentindo, em momento, “coagido” a enfrentar os problemas graves de Cuba. O livro acaba se tornando mais um instrumento de propaganda da ditadura. O jornalismo faltou ao encontro e Ignacio Ramonet é inteiramente controlado pelo hermano de Raúl Castro. Boitempo Editorial, 624 páginas, tradução de Emir Sader.

 

Cuba Sem Fidel — O Regime Cubano e Seu Próximo Líder
Brian Latell

200-444697-0-5-cuba-sem-fidel-o-regime-cubano-e-seu-proximo-liderEx-agente da CIA, Brian Latell é muito bem informado sobre os bastidores da política dos Estados Unidos e de Cuba. Noutro livro, sugere que Lee Oswald pode ter matado o presidente John Kennedy para impressionar Fidel Castro. “Estou convencido de que ele queria desertar para Cuba”, afirma. No livro editado no Brasil, o expert está interessado em Raúl Castro, o sucessor do mito. Visto em geral como um político medíocre e um militar truculento, Raúl Castro tem sido moderado pelo poder, sobretudo pelas agruras econômicas de Cuba. Outros autores têm sugerido que, enquanto Fidel Castro abominava homossexuais, criando até campo de concentração para isolá-los, Raúl, influenciado por uma filha, seria mais tolerante. Editora Novo Conceito, 352 páginas, tradução de Jorge F. Soares.

 

O Verdadeiro Che Guevara
Humberto Fontova

3845038O complemento do título é “E os Idiotas Úteis Que o Idolatram”. Humberto Fontova, jornalista cubano e mestre em Estudos Latino-Americanos pela Universidade de Tulane, é mais panfletário do que Jon Lee Anderson (a quem chama de hagiógrafo) e bate duro, sem contemplação, em Che Guevara e seguidores. Ele mostra o revolucionário como um “assassino frio”, um “torturador sádico” e, mesmo, “terrorista”. É um livro terrível. O revolucionário Camilo Cienfuegos disse: “Droga, mas Che inundou a cidade [Santa Clara] de sangue! Parece que em cada esquina há o corpo de alguém fuzilado!” Cienfuegos teria sido assassinado por Fidel Castro, num acidente de avião forjado (Carlos Franqui discorda desta visão). “Segundo Mario Riverrón, já em 1964, Fidel preparava para Che o mesmo fim do camarada revolucionário Camilo Cienfuegos. ‘O ego de Fidel simplesmente não permitiria que alguém o eclipsasse, ainda que temporariamente’, diz Riverrón. ‘Devido à fama de Guevara naquela época, seria mais difícil eliminá-lo do que no caso de Camilo. Mas que Castro o faria, disso não pode haver qualquer dúvida’”. Editora É Realizações, 287 páginas, tradução de Érico Nogueira.

 

Eu Fui a Espiã Que Amou o Comandante
Marita Lorenz

39485Fidel Castro, ao se tornar ditador em Cuba, passou a ser objeto de desejo de várias mulheres. Namorou dezenas de mulheres famosas, inclusive atrizes de Hollywood. A bela alemã Marita Lorenz foi uma de suas amantes.

Os dois mantiveram um tórrido caso e a jovem chegou a engravidar (teria sido forçada a abortar pelo latin lover cubano). Recrutada pela CIA, foi treinada para matar o líder de Cuba. Chegou perto, mas, na hora agá, recuou. Editora Planeta, 269 páginas, tradução de Luis Reys Gil.

 

Nunca Fui Primeira-Dama
Wendy Guerra

downloadSabe desses livrinhos que você vê na livraria e não dá nada por ele? É o caso da obra da escritora Wendy Garcia, uma mulher libertária de Cuba. Do que se trata: romance, memórias? O texto, fragmentado, soa estranho, aqui e ali, mas, lido integralmente, se percebe que, mais do que contar a história de Celia Sánchez — uma mulher que Fidel Castro parecia realmente admirar e respeitar —, é uma radiografia altamente perceptiva dos bastidores da vida privada (inteiramente contaminada pela vida pública: todos são vigiados) em Cuba. Como não se trata de uma história engajada ou ideológica, ao menos no sentido tradicional, por vezes escapa ao leitor o que é de fato: uma narrativa corrosiva e crítica da ditadura cubana. Editora Benvirá, 255 páginas, tradução de Josely Vianna Baptista.

 

Provas de Contato
Raúl Rivero

provas-de-contato-raul-rivero-8598233269_200x200-pu6edaa6de_1O livro do jornalista e escritor Raúl Rivero contém crônicas, que, juntas, se tornam uma poderosa análise do que é ser cubano, do que é viver em Cuba sob o tacão da ditadura da família Castro. No pequeno texto “Para onde vamos?”, o autor assinala: “Daqueles sonhos de redenção humana que os vitoriosos barbudos de 1959 entoaram a viva voz — e que se não abalaram o mundo ao menos contagiaram milhões de seres humanos — hoje não restam nem sequer as cinzas ou o pó apaixonado”. Na crônica “O regresso de Deus”, o excelente Rivero anota: “As pessoas perderam a fé. Mas perderam trabalhando, fazendo vigílias, gritando lemas de apoio a um projeto que agora as deixa sem perspectivas. Todo mundo sabe que se pode viver 20 dias sem comer, mas nem um único dia sem fé”. Editora Barcarolla, 250 páginas, tradução de José Rubens Siqueira.

 

À Espera da Neve em Havana
Carlos Eire

3169586O subtítulo do livro é “Confissões de um Garoto Cubano”. Trata-se de um belíssimo livro de um cubano que se tornou professor de Yale. Carlos Eire, obrigado a se asilar nos Estados Unidos, aos 11 anos, e sem os pais, poderia ter escrito um livro magoado, puramente de ataque aos comunistas de Fidel Castro e Che Guevara. Mas não: o que publica é um livro perceptivo de seu mundo como menino numa Cuba que, cada vez mais, foi se tornando um horror àqueles que não comungavam do pensamento unidimensional da esquerda. Trata-se de uma história dramática, que prova, mais uma vez, o fracasso do comunismo como sistema humanista (na verdade, o comunismo é anti-humanista). Globo Livros, 491 páginas, tradução de Cássio de Arantes Leite.

 

De Cuba Com Carinho
Yoani Sánchez

capa-de-cuba_webA filóloga Yoani Sánchez foi guindada ao “posto” de anticastrista pela ditadura cubana. Crítica do regime, já foi presa e frequentemente sofre intimidações. Agentes castristas a seguem e a cercam pelas ruas de Havana. Sempre é xingada de “agente do imperialismo americano”. O fato de ter se tornado uma personalidade global — a revista “Time” listou-a como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, em 2007 — a livrou de uma condenação à prisão mais demorada e mesmo de um possível assassinato. Suas crônicas e artigos são um retrato do cotidiano de Cuba. Um retrato preciso de um país em movimento, sempre dolorido e faminto. Não é uma visão ideológica, uma crítica puramente de combate. A perspicácia de Yoani Sánchez não permite que se torne uma ideóloga dogmática.

 

Antes Que Anoiteça
Reinaldo Arenas

untitled-2O livro contém as memórias do escritor cu­bano, que se matou ainda jo­vem nos Estados Unidos. As his­tórias sobre a falta de liberdade na Cuba de Fidel Castro são devastadoras. Reinaldo Arenas, numa prosa sem condescendência, relata a perseguições aos homossexuais e toda a brutalidade do regime.

Seu livro é praticamente um documento histórico. Mas não é, em definitivo, para leitores de estômago fraco e preconceitos fortes. Record, 351 páginas, tradução de Irène Cubric.

 

 

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AZ Botelho Paiva

Apenas uma curiosidade. Por que nesta lista não foi contemplado o livro escrito pela irmã, exilada, de Fidel Castro? Me parece que o título do livro é: Eu e meus irmãos.

Carlos

Ai não dá. Só tem livro escrito por capitalista liberal. Não tem sequer um Leonardo Padura Fuentes…

Juri Peixoto

Se for escrito por um liberal é tendencioso por ser um liberal que pode centrar a história somente na pobreza e na ditadura de Cuba; e se for um socialista cubano, ou de outro país, também é tendencioso por se centrar nas coisas boas de Cuba deixando os podres de lado. Então…O melhor é cada um ver com seus próprios olhos e se possível morar lá por um tempo. Mas ainda assim cada um terá sua impressão de acordo com seus valores pessoais. Cuba pode ser o paraíso, para um bando de preguiçoso que em vez de fazer suas próprias… Leia mais

Atos

Uma lista um tanto tendenciosa.

Juri Peixoto

É sempre tendenciosa quando não defende o nosso próprio ponto de vista…-_-
Mas beleza…Espero que você pense assim até sobre as coisas que te agradam…Ai tens um pensamento digno de ser chamado de crítico…

glaucio

Ele está só tentando compensar o déficit editorial. Ou as montanhas de livros de esquerda sobre isso já não bastam?